A TRISTEZA NO OUTONO

Lara Constante

Psicóloga Clínica. Inscrita na Ordem dos Psicólogos Portugueses com o nº 9084

Dias mais curtos, menos luz, bebidas quentes e demoradas, nostalgia, pensamento e introspeção… Uma tristeza que nos invade e algum cansaço que se prolonga. A psicóloga clínica Lara Constante assina todas as semanas uma crónica na rubrica De Corpo e Alma.

É uma realidade que muitas pessoas relatam sentir-se mais tristes no Outono e durante o Inverno, sendo os factores mais relevantes a diminuição das horas de luz natural e as temperaturas mais baixas.

Será importante perceber o quão intensa é essa tristeza, estar atento aos sintomas, à sua durabilidade e se vão crescendo dentro de nós, podendo desta forma ser considerada um tipo de depressão – transtorno afetivo sazonal – Seasonal Affective Disorder (SAD).

Dominados por um estado de desânimo e mal-estar geral, entre os sintomas mais comuns temos: apatia, tristeza, fadiga irritabilidade, alterações de humor, dificuldade de concentração, falta de apetite ou aumento do mesmo, insónias ou excesso de sono.

Recomendações que podem ajudar na prevenção da Depressão Sazonal, que na realidade são essenciais durante todas as estações:

  • Promover momentos de conexão connosco próprios;
  • Resistir ao isolamento e à rotina automática;
  • Reavaliar os nossos objetivos e o que podemos ou devemos transformar em nós e na nossa vida;
  • Dar voz às emoções e aprender a reconhecer o que nos traz sofrimento, angústia, satisfação e paz;
  • Ter uma alimentação saudável e variada rica em vitaminas, frutas, verduras, legumes, proteínas e baixa em gorduras, reforçando o sistema imunitário;
  • Praticar exercício físico de forma regular, se possível ao ar livre e em horário diurno;
  • Descansar o tempo adequado para o ritmo de cada um;
  • Fazer passeios ao ar livre, mesmo que breves e de rotina.

E citando Fernando Pessoa, na “Canção de Outono”:

“No entardecer da terra,

O sopro do longo outono

Amareleceu o chão.

Um vago vento erra,

Como um sonho mau num sono,

Na lívida solidão. (…)”

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