A menopausa influencia a capacidade de fazer exercício físico?

Vanessa Santos

Fisiologista do Exercício Clinico e Doutorada em Atividade Física e Saúde Investigadora na Faculdade de Motricidade Humana

As mulheres bem o sabem, a partir de certa idade: a menopausa representa uma mudança importante no dia a diai, quer ao nível, quer ao nível psicológico. Mas é fundamental que ela seja olhada como apenas mais uma fase e não o princípio do fim de qualquer coisa. É por isso que é fundamental aprender mais e manter atividade e o espírito treinado. Há ainda muito para viver…

A menopausa define-se como a última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos de amenorreira (ausência de menstruação), sendo esta devida à paragem definitiva do funcionamento do ovário. A peri-menopausa consiste no período de tempo em que se manifestam os primeiros sintomas e termina 12 meses após a última menstruação. Este período de transição tem duração variável de mulher para mulher, caracterizando-se por alterações no ciclo menstrual e por sintomas típicos.

A menopausa ocorre quando a quantidade de folículos presentes no ovário se encontra abaixo de um limiar e a reserva ovárica se esgota. Este deixa do funcionar e de produzir as suas hormonas, levando ao aparecimento de alterações físicas e psíquicas.

A idade média em que ocorre a menopausa não se tem alterado ao longo dos anos. Nos países ocidentais, na maioria das mulheres a menopausa ocorre entre os 45 e os 55 anos, sendo a idade média de 51 anos.

Os sintomas da menopausa são variáveis de mulher para mulher, mas os mais frequentemente referidos são os sintomas vasomotores (“calores” e afrontamentos), presentes em 70-80% das mulheres, alterações do humor, associados a um estado de maior ansiedade e irritabilidade, dificultando a forma de lidar com situações de stress do dia a dia, sensação de mal-estar, e até mesmo um quadro depressivo.

A diminuição da produção hormonal na menopausa associa-se a um aumento da perda de massa óssea, com um aumento do risco de osteoporose e de fraturas ósseas. Aumentando também o risco de doenças cardiovasculares, com alteração no perfil do colesterol e consequente aumento de risco trombótico, bem como o risco de aparecimento de hipertensão e de diabetes aumenta nesta fase. As alterações hormonais da menopausa promovem ainda um aumento da massa gorda e do volume abdominal.

Consequentemente todos estes fatores influenciam diretamente a motivação e a capacidade de realizar exercício físico. As mulheres já por si são mais sedentárias do que os homens, e nesta fase da vida em que veem o seu corpo a alterar, a motivação e a capacidade de realizar exercício fica muito condicionada pela sintomatologia do momento.

É importante, porém, que não se esqueça: o exercício físico tem uma elevada importância nesta fase da vida da mulher, este deve ser visto como um tratamento. O exercício vai contribuir para a melhoria do estado geral de saúde, mas principalmente vai ajudar a atenuar os sintomas como os afrontamentos, atuar a nível psicológico, contribuindo para aumentar a autoestima, reduzir o stress e os problemas de sono, assegurando uma sensação de bem-estar, promovendo uma maior libertação de serotonina (hormona da felicidade) e de endorfinas, neurotransmissores que provocam a sensação de bem-estar.

Uma prática regular de exercício vai também reforçar a massa muscular, prevenindo o aumento de peso, vai ajudar a fortalecer a estrutura óssea, prevenindo a osteoporose. Por outro, vai ajudar a prevenir também a obesidade e a diabetes, melhorar a capacidade cardiovascular, facilitar a circulação sanguínea e diminuir o risco de hipertensão. A nível respiratório, o exercício físico moderado vai ajudar a fortalecer os pulmões e o coração e melhorar a capacidade respiratória.

A prescrição de exercício deve assim ter sempre em consideração a condição física atual da mulher, a sintomatologia presente, a capacidade cardiovascular e eventuais limitações e fragilidades como problemas articulares, excesso de peso, dores de costas e a presença ou não de osteoporose. A partir dai deve ser prescrito de forma individualizada, com uma intensidade e frequência ajustados aos hábitos anteriores. Estas devem ser aumentadas de forma gradual, permitido ao corpo uma adaptação e ajuste de acordo com a fase, sinais e sintomas com que se encontra.

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