Ácido úrico: Tenha atenção aos sintomas e veja como pode prevenir

Diana Rosa

Jornalista

Dor e inchaço nas articulações, vermelhidão e dificuldades em andar são alguns dos sintomas da gota, a doença proveniente do ácido úrico elevado. Não se automedique, procure a ajuda médica. Mas saiba que, se tiver valores elevados, há alterações que deve providenciar na sua alimentação.

O ácido úrico é uma substância formada no organismo após a digestão das proteínas, resultando na purina, uma substância que dá origem aos cristais de ácido úrico, provocando uma dor muito forte, entre outros sintomas que falaremos mais à frente. Regra geral, o ácido úrico é expulso pela urina. Mas quando está concentrado em grandes quantidades, ele acumula-se nas articulações, nos tendões e nos rins, dando lugar à Artrite Gotosa, conhecida por Gota.

Quem já passou por este processo, relata inchaço e vermelhidão que se acumula principalmente nas extremidades, como nos dedos das mãos e dos pés, em que a pessoa afetada pode mesmo ficar comprometida em termos de locomoção. Mas há outros sintomas verdadeiramente incapacitantes. A gota é um caso sério e não é para brincadeiras.

O ácido úrico em excesso é tratável, mas pode ser algo com que tenha de se preocupar em controlar durante a vida toda, nomeadamente tendo em atenção o tipo de alimentação que faz e os hábitos de exercício físico. Para além da ingestão de água em abundância ser vivamente recomendada, assim como uma alimentação pouco calórica e saudável, em casos severos terá de ser medicado. Este é um problema que, se desvalorizar, pode originar lesões renais ou mesmo doenças mais graves.

A quantidade de ácido úrico no organismo é apurada em qualquer análise de rotina (convém que faça regularmente), sendo que os valores de referência para homens e mulheres diferem, já que os homens têm uma tolerância ligeiramente maior. No entanto, são precisamente eles que sofrem mais com excesso de ácido úrico, assim como indivíduos que já tenham histórico familiar.

Se tiver estes sintomas, procure um médico assim que possível:

  • Cólicas renais
  • Dor e inchaço nas articulações
  • Calafrios e febre
  • Inchaço nas articulações, seja dedos das mãos, cotovelos, joelhos, e principalmente, pés
  • Vermelhidão e dificuldade em movimentar as articulações afetadas
  • Sensação de ‘areia’ ou ‘vidros’ na zona onde os cristais estão acumulados
  • Descamação cutânea na região afetada

Uma vez que a alimentação tem um papel fundamental no controlo do ácido úrico, vamos deixar-lhe aqui um guia do que deve e não deve comer. Mas antes de começar, retenha isto: Se tiver tendência para ácido úrico elevado, evite alimentos que sejam ricos em purina! Ela é a verdadeira potenciadora do ácido úrico e está presente principalmente em carnes, peixes gordos, marisco, vísceras, cogumelos e leveduras, como a cerveja.

Vamos ao detalhe.

Alimentos que pode consumir à vontade

  • Leite, iogurtes e queijos não fermentados (queijo fresco/requeijão)
  • Cereais, arroz, massa, pão, batatas
  • Legumes e verduras, como alface, cebola, agrião, abóbora, feijão verde, tomate, nabo, brócolos
  • Fruta, como laranja, ananás, maçã, pera, uvas, pêssego, melão, banana, tangerina

Alimentos que deve consumir com moderação

  • Ovos
  • Oleaginosas, como nozes, amêndoas, pinhões, avelãs, amendoins
  • Queijos fermentados, como os secos e os amanteigados
  • Mel, açúcar e compotas
  • Gorduras como azeite, óleo, manteiga, margarina
  • Peixe magro como pescada, carapau, cherne, corvina, bacalhau, faneca, solha, linguado, robalo, garoupa, peixe-espada
  • Carnes de vaca ou porco (ainda que as partes magras), galinha

Alimentos a evitar se tem ácido úrico elevado:

  • Peixes gordos como cavala, sardinha, salmão, atum, enguia, arenque
  • Vísceras e órgãos como fígado, rins, coração, miolos, ovas de peixe
  • Carnes gordas, como as partes mais gordas da vaca, porco ou frango com pele, leitão, cabrito, vitela, borrego e animais de caça
  • Conservas de peixe ou carne
  • Marisco, polvo, lula ou chocos
  • Enchidos
  • Caldos de carne
  • Leguminosas como lentilhas, feijão, grão, favas, ervilhas
  • Morangos, framboesas e figos frescos
  • Álcool, nomeadamente vinho branco, verde e cerveja
  • Mostarda e pimenta
  • Cacau e chocolate
  • Cogumelos, espargos, espinafres, couve-flor

O ácido úrico é um problema sensível. Mas os conselhos que lhe podemos deixar são muito semelhantes aos que se devem empregar para uma vida saudável na generalidade.

  • Beba pelo menos 1,5l de água por dia
  • Pratique 30 minutos de exercício físico por dia, nem que seja uma caminhada
  • Faça uma alimentação saudável, rica em fibras, vitaminas e minerais. Inclua sempre fruta e legumes nas suas refeições
  • Evite o excesso de sal na comida
  • Coma pequenas quantidades a cada refeição
  • Evite ficar muitas horas sem comer
  • Não exagere nas gorduras, mesmo que seja azeite. Não encharque o prato ou o tacho.
  • Mastigue bem a comida e coma devagar

Remédios caseiros para controlar o ácido úrico

Também existe a sabedoria dos mais velhos que não serve para tratar fases agudas, mas ajuda a preveni-las.

Chá de urtiga

Diminui o inchaço local e é anti-inflamatório, estimulando a circulação

– Coloque uma colher de sopa de folhas secas de urtiga numa chávena de água a ferver, deixe repousar 5 minutos e sirva.

Sumo de beterraba e cenoura

É um remédio caseiro conhecido por ser um aliado à terapêutica da gota e da artrite, ajudando a diminuir o ácido úrico.

– Só precisa de 80g de cenoura, outros 80g de pepino, e mais 80g de beterraba. Junte ainda 20g de agrião. Coloque todos os ingredientes numa liquidificadora e beba o concentrado de imediato. Faça este sumo pela manhã durante três semanas.

Chá de cebola

Não é só para as constipações que ele serve. A cebola tem propriedades ativas na limpeza do organismo, para além de ser antioxidante e ajudar a desfazer as chamadas pedras nos rins (ou cristais).

– Junte meia cebola picada a meio litro de água a ferver e mantenha ao lume por 10 minutos. No final, adicione uma colher de sobremesa de mel para adoçar. Beba uma chávena de manhã e outra à tarde durante duas semanas.

Alertamos para o facto de estes conselhos não substituírem a visita ao seu médico caso tenha sintomas, ou mesmo para efeitos de controlo regular.

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