Adoçantes: paraíso ou inferno? Fomos desvendar os mitos mais docinhos

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

Ahhh o adoçante! O grande impulsionador de cancros, excesso de peso e outros tantos problemas de saúde… Tenha calma, que não é bem assim! Nós ajudamo-lo a desmistificar as tão famosas controvérsias. Cuidado com toda a “informação” que circula por aí…

A desinformação tem crescido cada vez mais, em especial nas redes sociais. Diariamente recebemos mensagens, posts e artigos sobre diversos temas, sendo o bem-estar e a alimentação alguns dos mais comuns. Enquanto hoje podemos partilhar hábitos e alimentos que, supostamente, são saudáveis, amanhã, já podemos estar a desmentir os muitos benefícios que enumerámos anteriormente.

Um dos exemplos mais conhecidos são os adoçantes. Quando surgiram, eram conhecidos como os “salvadores da pátria”, principalmente para os diabéticos, pois eram uma alternativa ao açúcar. Posteriormente, começaram a ser partilhados artigos que os ligavam ao excesso de peso e ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e até mesmo de cancro. E, nos dias de hoje, são popularmente conhecidos como um ingrediente maligno para a saúde.

Mas devemos acreditar em tudo aquilo que lemos? A verdade defendida pela maioria absoluta nem sempre é a correta. Sabemos que, com a abundância de informação, às vezes, é difícil selecionarmos aquilo que é realmente correto. Ainda mais quando nos deparamos com artigos que, supostamente, são baseados em “estudos cientificamente comprovados”.

O grande problema é que nem todos são estudos legítimos. E outros remetem para estudos fracos, realizados maioritariamente em animais e que acabam por ser mal analisados e generalizados.

Além disso, muitos dos supostos “problemas” causados pelos adoçantes são, muitas vezes, resultados de hábitos alimentares pouco saudáveis. O consumo excessivo é o fator que mais contribui para a sua má fama.

Porém, se pararmos para pensar, não é correto concluirmos que o adoçante, em si, traz malefícios à saúde tendo em conta apenas esse princípio. Até porque, se generalizarmos este modo de pensar, todos os alimentos deixariam de ser considerados “saudáveis”. Mas vamos com calma! O Escolher Viver explica-lhe detalhadamente o diverso mundo dos adoçantes:

Como são divididos?

Quando vamos aos supermercados, deparamo-nos com diversas nomenclaturas, como “sem adição de açúcares”, “light”, “zero”, entre outros.  Mas afinal, o que está presente na sua composição?

Os adoçantes podem ser de uma origem mais natural, como a stevia, ou mais industrializados, como o aspartame. A partir da primeira, obtém-se glicosídeos de esteviol, um edulcorante que pode chegar a um poder adoçante de até 300 vezes mais do que o da sacarose, presente no açúcar normal.

Apesar de muitas pessoas serem contra a ingestão de stevia devido aos supostos “estudos científicos”, esse edulcorante não apresenta riscos, quando consumido corretamente. Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), a dose diária não deve exceder os 4 miligramas por quilo de peso corporal.

Já o aspartame, um edulcorante artificial, tem um poder adoçante de até 200 vezes mais do que o da sacarose. É comum estar presente em pastilhas elásticas e nos refrigerantes light.

Porém, apresenta riscos que devem ser levados em conta. Quando aquecidos, podem ser transformados em substâncias nocivas que podem causar o desenvolvimento de doenças crónicas para a saúde. Também não deve ser consumido por pessoas com fenilcetonúria, um distúrbio do metabolismo de aminoácidos, pois a sua composição é rica em fenilalanina e pode piorar o estado da doença.

Qual a sua relação com o cancro?

A resposta é simples: nenhuma comprovada. Muitos dos estudos que ligam o cancro com o consumo de adoçantes, em especial os compostos por edulcorantes artificiais, foram feitos em animais. E, mesmo assim, muitos foram derrubados pois não apresentavam evidências suficientes.

Quando o assunto é casos humanos, não há nenhuma prova concreta que ligue o seu consumo ao cancro. Pelo contrário, há diversos estudos e associações que desmentem essa controvérsia. Um deles, publicado na Food Science & Nutrition, concluiu que não há evidências suficientes para afirmar que o seu consumo aumenta ou diminui o risco de cancro.

Além disso, os adoçantes artificiais como os compostos por aspartame, sacarina e sucralose,  também foram considerados seguros pela Food and Drug Administration (FDA), a entidade norte-americana responsável por regular medicamentos e alimentos.

E com o excesso de peso?

O que faz com que os adoçantes estejam tão ligados à obesidade é o facto de que, na maioria das vezes, a ausência de glicose pode impulsionar o nosso organismo a consumir esse ingrediente em excesso. Contudo, o consumo excessivo é um problema que pode ocorrer com todos os tipos de alimentos e ingredientes, e não só com os adoçantes.

Para controlar esse problema, é importante adotar bons hábitos alimentares, compostos por dietas ricas em nutrientes, proteínas e vitaminas essenciais ao nosso corpo. A reeducação alimentar, em especial quando falamos de alimentos mais doces, também deve ser um dos focos.

Crianças e mulheres grávidas estão proibidas de os consumir?

Ao contrário de muitos mitos, não há qualquer contraindicação para as crianças. Pelo contrário, crianças que sofrem de excesso de peso ou que precisam controlar a quantidade de açúcar no sangue, podem substituir o mesmo pelos adoçantes. Contudo, a substituição só deve ser feita após uma análise com uma nutricionista, para, assim, adequar corretamente a quantidade e tipo de adoçante à dieta.

Por outro lado, há certas controvérsias quando o assunto são as grávidas. Muitas pessoas acreditam que os compostos artificiais presentes nos adoçantes podem alojar-se na placenta e trazer danos aos bebés. Porém, também aqui, não há qualquer estudo oficial que comprove tal dado.

A única contra indicação conhecida e comprovada, e já referida anteriormente, é a utilização de adoçantes ricos em fenilalanina por mulheres grávidas portadoras da fenilcetonúria. Além de prejudicar a portadora, também pode ser transmitida geneticamente, prejudicando o bebé. Neste caso, é importante evitar qualquer produto que contenha fenilalanina.

Por outro lado, de acordo com a FDA, há cinco edulcorantes considerados seguros para as grávidas: aspartame, sucralose, acessulfame de potássio, neotame e advantame. É importante optar por adoçantes com um baixo nível calórico e estar atento à quantidade ideal diária. Para isso, é importante entrar em contacto com um profissional de saúde para que o mesmo possa avaliar qual o modo mais saudável de o consumir. 

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