Alimentação vegetariana ajuda a prevenir o cancro

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

São 10 milhões as pessoas a morrer de cancro todos os anos, e estima-se que possa chegar aos 13 milhões, até 2030, caso não pudéssemos fazer nada para o evitar. Mas podemos: melhorar a nossa alimentação. Adotar uma dieta vegetariana ou vegan é uma das hipóteses. É que é na carne que residem alguns dos maiores perigos.

Um dia depois do Dia Mundial da Luta contra o Cancro, que se assinalou esta sexta-feira, dia 4 de fevereiro, o Escolher Viver continua a falar daquele que continua a ser um grande flagelo à escala mundial. E com tendências crescentes. Quem se tornou vegetariano, ou quem começou uma lenta redução do consumo de carne está no bom caminho.

Na verdade, as pessoas que se alimentam maioritariamente de frutas, legumes e vegetais têm menor probabilidade de desenvolver doenças oncológicas, em relação àquelas que comem carne vermelha ou outros produtos de origem animal.

Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu a carne processada como carcinogénica e a carne vermelha como potencialmente carcinógénica. Em 2019, foi realizado um estudo que provou isso mesmo.

Realizado a meio milhão de participantes no Reino Unido, entre os anos de 2006 e 2010, esta análise demonstrou que as pessoas que consumiam carnes vermelhas mais de três vezes por semana (uma média de 54g por dia), tinham um risco acrescido de 15% de contrair cancro colorretal. Já as que consumiam carnes processadas mais de duas vezes por semana (média 29g/dia) tinham mais 19% de probabilidades.

Prevê-se que entre 30% a 50% dos cancros possam ser evitados, se forem adotados estilos de vida saudável, nomeadamente no que diz respeito à alimentação, atividade física e composição corporal.

Regular a massa corporal, largar as bebidas alcoólicas e o tabaco, e praticar exercício físico são algumas das indicações para a prevenção do cancro. No entanto, um dos fatores mais importantes é a alimentação.

Ainda que não esteja provado que o abandono por completo dos alimentos de origem animal possa reduzir as probabilidades de desenvolver doenças oncológicas, já há estudos a demonstrar que as pessoas cujas dietas são vegetarianas ou vegans têm um menor risco.

O Fundo Mundial de Pesquisa do Cancro, uma instituição de referência a nível mundial nas pesquisas feitas a doenças oncológicas, aconselha a adoção de uma dieta rica em alimentos de origem animal e a ingestão de, pelo menos, cinco porções diárias (equivalente a 400 gramas) de frutas e vegetais.

As dietas vegetarianas e veganas trazem grandes benefícios ao nosso corpo, como já explorado noutros artigos. No que diz respeito ao cancro e à sua prevenção, a história não muda e deve-se a vários fatores:

  • Fonte de fibra

A fibra é muito importante na luta contra o cancro, por ajudar na destruição das hormonas excedentes e que poderão levar ao desenvolvimento de certos tipos de cancro, nomeadamente o da mama e da próstata.

Ainda consegue remover desperdícios do sistema digestivo, prevenindo o cancro colorretal, e a regular o peso, que é um fator importante na prevenção do cancro.

O Fundo Mundial de Pesquisa do Cancro recomenda a ingestão de “pelo menos 30 gramas de fibra por dia”.

  • Riqueza de nutrientes

Como enuncia o Fundo Mundial de Pesquisa do Cancro, no seu terceiro relatório de investigação, publicado em 2018, “os vegetais e a fruta são uma fonte rica de diversos nutrientes que podem ter impactos nos riscos de cancro, como as vitaminas C e E”.

Além disso, os vegetais têm grandes quantidades de beta-carotenos, que são responsáveis por dar o pigmento aos alimentos e por prevenir o cancro. Os vegetais crucíferos, nomeadamente os brócolos e as couves, são responsáveis por reduzir os riscos de cancro colorretal, do pulmão e do estômago. Outros vegetais ricos em carotenóides, como as cenouras e as batatas, reduzem as probabilidades de desenvolver cancro da mama.

  • Soja e o cancro da mama

Os produtos de soja trazem grandes benefícios, nomeadamente nos riscos de cancro da mama e na redução das probabilidades de recorrência do tumor ou da pessoa morrer dele, quando já foi tratada anteriormente.

Apesar de existirem muitas dúvidas no que diz respeito à ingestão de isoflavonas, componentes da soja, já se provou que trazem grandes benefícios aos pacientes de cancro da mama. No entanto, o consumo deve ser moderado, sendo que o American Institute for Cancer Research recomenda o consumo de 1 a 2 porções diárias, e que se evitem suplementos de proteína de soja.

Apesar destes três benefícios muito importantes, aquele que ainda é mais relevante é a diminuição do consumo de carne, nomeadamente as vermelhas e processadas. A adoção de uma dieta vegetariana ou vegan traz grandes benefícios para a nossa saúde, e a prevenção do cancro não é uma exceção.

Outras histórias que vai querer ler

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.