Beatriz Berger: a ilustradora que adoça a vida

Nuno Azinheira

Diretor do Escolher Viver

Beatriz tem 28 anos e é designer. Os avós incutiram-lhe o gosto pela arte e, em criança, Beatriz já criava livrinhos com desenhos, já contava histórias. Quando a desafiámos para ilustrar as crónicas de Alice no site Escolher Viver, demorou pouco a responder. “Revi-me na história de Alice logo à primeira crónica, com aquela vontade de comer doces compulsivamente”, conta. Quem é, afinal, Beatriz Berger, a portuguesa com costela francesa que adoça a nossa vida com as suas ilustrações?

  1. Quando começaste a fazer ilustrações?

Em pequena criava livrinhos com desenhos a imitar revistas, desenhava as personagens, inventava casas e ambientes que contavam histórias. Estudei Design e só durante a faculdade é que comecei a fazer alguns trabalhos como freelancer. Apesar do meu ramo principal ser o Design de produto, fazia alguns desenhos e ilustrações. Mas só recentemente é que comecei a dedicar-me mais a este mundo.

2. O que te atrai: a possibilidade de contar histórias com o teu traço?

Sim, é o prazer de ilustrar o dia-a-dia, a diversidade de pessoas, os objetos, os ambientes, a natureza, tudo conta uma história.

3. Que tipo de ilustrações gostas de fazer?

Desenhar o ambiente envolvente e gosto muito de ilustração infantil, porque possibilita a criação de mundos fantásticos, onde a imaginação não tem limites. Recentemente, fiz um pequeno curso nessa área, na Arco (Centro de Arte e Comunicação Visual). É, de facto, um mundo infinito de possibilidades. Gosto de desenhar com vários materiais, a caneta é a minha primeira opção por permitir um traço único e rápido, uso muito no diário gráfico. Quando faço desenhos mais cheios e coloridos, uso os lápis de cor e a aguarela. Ultimamente tenho experimentado o desenho digital que ainda é um mundo por explorar.

4. A arte é ao mesmo tempo prazer e profissão?

A arte faz parte da minha vida desde criança com a influência do meu avô, Abel dos Santos, ceramista e escultor, e da minha avó, formada em artes decorativas e posteriormente professora de Educação Visual e Tecnológica. A minha mãe também desenha e a nossa casa sempre esteve cheia de livros de grandes artistas, vários quadros e esculturas pelas paredes. A arte é um prazer que pontualmente ajuda a pagar as contas da casa. No entanto, o Design é que tem sido a profissão principal. Eles, de certa forma, complementam-se, mas são áreas com propósitos diferentes: o Design responde a um problema, enquanto a arte é tão vasta que numa mais saíamos daqui.

5. Como são os teus dias profissionais?

De momento trabalho a tempo inteiro numa agência como designer de ambientes e interiores. No meu tempo livre dedico-me à ilustração e a outros projetos, este é um deles.

6. Como é que te apresentarias aos teus clientes ou potenciais clientes?

Como uma pessoa criativa apta a concretizar o pedido do cliente.

Esta foi a primeira ilustração de Beatriz para o site Escolher Viver: a primeira crónica de Alice

7. Foste convidada para esta colaboração no Escolher Viver. Como recebeste este convite?

Achei um desafio estimulante. O projeto retrata temas que acho pertinentes, pois a nossa saúde é aquilo que comemos e o modo como tratamos o nosso corpo é importantíssimo para o nosso bem-estar físico e mental. Quando li o primeiro texto da Alice, identifiquei-me com aquela vontade terrível de comer doces compulsivamente. Se os tiver a frente, tenho muito dificuldade em controlar-me, apesar de ter a consciência de que me fazem mal. Não sou gorda, talvez porque faço exercício físico desde criança e nunca parei, mas tenho o colesterol elevado e devo controlar a alimentação. Sempre que como doces imagino as minhas veias a encherem-se de gordura. No entanto, dá-me tanto prazer que sou capaz de o fazer mesmo com dor de barriga.

8. Esta colaboração é pro bono, como todas as outras para este site. Por que razão decidiste aceitar?

Aceitei-a pelo facto de poder colaborar num projeto em que acredito. Preocupo-me com a minha saúde e acho pertinente informamos as pessoas de como cuidar do seu corpo. É também mais uma ótima oportunidade de mostrar as minhas capacidades como ilustradora.

Ainda não leu as crónicas da Alice? Não sabe o que está a perder. Alice é um nome fictício. Mas só o nome, porque ela é uma mulher real, com uma história que bem poderia ser a sua: é viciada em açúcar e doces. É seguida clinicamente há 20 anos e decidiu contar a sua história em exclusivo no Escolher Viver. Em fatias… perdão, em doses semanais. Recorde aqui a primeira.

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