BRINCAR NA VIDA ADULTA

Lara Constante

Psicóloga Clínica. Inscrita na Ordem dos Psicólogos Portugueses com o nº 9084

Brincar é um direito inalienável das crianças, dizem os especialistas. Mas não só. Brincar é também uma necessidade confirmada dos adultos. A psicóloga Lara Constante explica porquê.

Entre os significados de brincar encontramos: jogar, divertir-se, entreter-se com alguma coisa infantil, galhofar, gracejar, zombar, distrair-se, folgar, enfeitar…. Muita literatura temos vindo a descobrir sobre o brincar na Infância, a importância do brincar para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo da criança. Não será também fundamental para o desenvolvimento são dos adultos? Dedica algum do seu tempo a brincar?

Ao longo da vida vamos naturalmente associando o brincar a imaturidade. Somos demasiado adultos para jogar determinados jogos, para fazer determinadas brincadeiras, “não devemos” passar uma imagem infantil e que possa ser vista como pouco adequada, desajustada e nada profissional. Convencemo-nos de que brincar não é algo que os adultos fazem ou possam fazer. Não temos tempo! À medida que crescemos e envelhecemos, é isto que dizemos a nós próprios sobre brincar: brincar é imaturo.

“Nada ilumina o cérebro tanto quanto brincar” diz-nos Stuart Brown, psiquiatra e fundador do “The National Institute for Play”. Não deixamos de envelhecer porque escolhemos brincar. E Stuart Brown acrescenta: “Quando paramos de brincar/jogar, paramos de nos desenvolver (…)”. Podemos e devemos brincar e há inúmeros benefícios: desenvolvimento da confiança, empatia, flexibilidade, foco e resiliência. Estudos têm demonstrado que manter a mente activa fazendo actividades como palavras cruzadas (que podem ser consideradas jogos), permite de facto melhorar a saúde do cérebro e prolongar a sua vida. Ser fisicamente activo também é bom para o seu corpo e o jogo encoraja o movimento.

Aqui estão algumas ideias para continuar a brincar:

  1. Fazer puzzles;
  2. Dançar;
  3. Cozinhar por prazer;
  4. Pintar, desenhar;
  5. Inventar, criar e escrever histórias;
  6. Andar de baloiço;
  7. Paintball;
  8. Jardinar;
  9. Brincar com legos;
  10. Fazer palavras cruzadas.

Algumas destas sugestões podem soar a tarefas, mas o importante é que sejam momentos de diversão. O objetivo é focar-se na experiência e na alegria que encontra na realização da atividade. O jogo não precisa de ser medido pelo sucesso da sua realização. E lembre-se, as crianças quando brincam, aprendem na descoberta, na partilha e a expressar as suas emoções. Os adultos também.

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