Café e hipertensão: longe da vista, longe do coração? Ou é mito?

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

O café é tão importante nas nossas vidas, que não tem um dia, mas sim dois. A 14 de abril comemora-se o Dia Mundial do Café. A 1 de outubro é o Dia Internacional do Café. Ótimo pretexto para perguntar: os hipertensos não podem mesmo beber café ou é um mito? E se, afinal, o café não for tão perigoso como nos andaram a vender?

Crescemos a ouvir as típicas frases “Olha que o café faz mal” e “Não bebas demasiado café, que faz mal ao coração!” Mas, afinal, faz mal ou não faz. São vários os estudos clínicos que mostram que, bebido com moderação, o café não faz mal ao coração. É claro que se beber dez cafés ao longo dia, é provável que possa ficar acelerado, mas essa ideia de que quem é hipertenso só deve beber descafeinado já foi abandona pela maior parte dos médicos.

Gorjão Clara, especialista em hipertensão e professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, explicou ao site Sapo que “a ingestão de café aumenta a frequência cardíaca, o tremor, a ansiedade, os movimentos intestinais, a insónia”, mas só “aos que o tomam pela primeira vez ou das primeiras vezes”. À medida que o café é bebido com maior regularidade, estes efeitos vão desaparecendo. “A esmagadora maioria dos homens e das mulheres tem capacidade para gerar mecanismos de destruição dos componentes do café, dos quais a cafeína é o mais importante”, acrescenta.

Para responder à pergunta colocada por muitos consumidores: sim, é um mito que o café faz mal a quem tem hipertensão. Como refere Gorjão Clara, “o café não faz subir a pressão arterial senão nas primeiras ingestões” e o mesmo se aplica a quem tem tensão baixa, sendo que só aumenta a tensão arterial, quando não é bebido regularmente.

Mas não pense que é à vontade do freguês. Beba café com moderação, mas não coloque açúcar. “Eu aconselhava as pessoas a beber café, mas sem açúcar”, porque “a hipertensão e a diabetes caminham lado a lado”.

Cafeína aumenta a atenção

Os estudos que se vão conhecendo vão retirando a carga negativa ao café. Já este ano, um estudo feito na Universidade do Minho concluiu que consumidores de café têm melhor controlo motor, maiores níveis de atenção e alerta e que a cafeína tem “benefícios na aprendizagem e memória”.

Uma outra investigação também de 2021 revela que o café não provoca arritmia cardíaca. O consumo da bebida foi analisado em mais de 385 mil pessoas durante três anos.

Segundo a CNN, citada pela SIC Notícias, o hábito de beber café está associado a um menor risco de desenvolver, por exemplo, fibrilação atrial. Os investigadores do estudo, publicado na revista “JAMA Internal Medicine”, analisaram o consumo de café em mais de 380 mil pessoas ao longo de três anos e compararam as taxas de arritmias cardíacas.

Depois de analisados dados demográficos, hábitos de vida e doenças, concluiu-se que cada chávena de café está associada a um risco 3% menor de arritmia. É o que diz Gregory Marcus, cardiologista e professor da Universidade da Califórnia.

O estudo aponta ainda para possíveis benefícios da cafeína para a saúde, por exemplo, em casos de cancro, diabetes e doenças cardiovasculares.

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