Cancro da Mama: 17 histórias de sucesso debaixo dos holofotes

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

Quando foram diagnosticados com Cancro da Mama, deram o corpo às balas e usaram a sua única arma: a força pela vontade de viver. Hoje, no Dia Nacional da Luta contra o Cancro da Mama, falamos de várias celebridades que o ultrapassaram, destacando a sua luta e a sua persistência na luta contra o cancro. São exemplos de casos mediáticos de superação que podem inspirar os milhares de mulheres anónimas cuja doença é mantida longe dos holofotes.

Vencer um cancro é difícil. A batalha é dura e, muitas vezes, não chega a um final feliz. No Escolher Viver temos isso bem ciente, bem como os milhares de portugueses e portugueses que sofrem, direta e indiretamente, com a doença. Todos os anos, são detetados em Portugal mais de 7 000 novos casos. Segundo as estatísticas oficiais, 1 800 mulheres morrem anualmente no nosso país por causa da doença.

A prevenção é a palavra de ordem. E a força e a esperança, muito importante para a superação. As histórias que aqui recordamos hoje são de mulheres (e também homens…) que sobreviveram ao cancro da mama. Não as trazemos aqui para generalizar uma ideia de facilitismo, que não existe. Mas sim porque entendemos que a esperança é fundamental para quem está a passar pela doença. Sim, há luz ao fundo do túnel e estes exemplos, até pela força mediática que os acompanham, são disso um exemplo. Para muita gente, há vida depois do cancro. E há forma de reconstruir a vida depois da tempestade.

Joana Cruz foi a mediática mais recente a vencer a luta contra o Cancro da Mama. A locutora da RFM fez valer a teimosia, que tanto assume, ao realizar umas segundas análises, depois de as primeiras a diagnosticarem com um quisto na mama, como de resto contou já esta semana numa entrevista exclusiva ao Escolher Viver.

A profissional de rádio foi a mais recente numa longa lista de gente todas as idades e onde consta, por exemplo, Bárbara Guimarães. A apresentadora ainda está a lutar contra o cancro, que lhe foi diagnosticado em 2018. Apesar dos tratamentos já terem acabado, Bárbara ainda se mantém atenta ao corpo e faz exames com muita regularidade.

Mas algo mudou desde o começo da sua luta contra o cancro da mama e, agora, olha para a vida com um novo significado. “Em momentos que precisas de ter alguma energia, de repente encontras pessoas que estão mil vezes pior do que tu e para quem tudo é mais difícil, e dizes: “Bolas, afinal sou abençoada! Que sorte que eu tenho de estar a conseguir travar esta batalha.” E a vida e a morte ficam muito mais presentes, fica tudo mais vivo”, contou em entrevista à revista Máxima.

Simone de Oliveira não ultrapassou um, mas dois cancros da mama. O primeiro foi-lhe diagnosticado em 1988 – “Foi a minha prenda dos 50”, disse. Já o segundo apareceu em 2007, ao qual também conseguiu vencer. “Recordo muito bem estas duas fases da minha vida. Uma foi um presente dos 50 e a outra foi há quatro anos, no outro peito. Agora estou ótima, maravilhosa e deslumbrante [risos]. Gosto muito de viver e isso talvez tenha ajudado, mas se estou viva, também o devo aos médicos”, contou em 2014, em declarações à revista Caras. Medo da morte? “Não, nem pensar! Era o que faltava! “Não está nada a apetecer-me!” é a minha grande frase”, sublinhou numa outra entrevista, ao Expresso, em 2017.

Há alguém que Simone recorda sempre que pensa na luta contra o cancro, pelo seu exemplo e pela sua força. “Eu estava a fazer uma telenovela com a Fernanda Serrano e, três anos depois, ela ficou ‘mal’ e teve que fazer quimioterapia. Lembro-me sempre dela. É uma mulher com muita coragem.”

Em 2008, a atriz foi diagnosticada com cancro da mama e “apesar do medo inicial de morrer”, nunca ponderou desistir e acabou por vencer a luta contra o cancro.

Atualmente e apesar de lhe ter custado começar a falar sobre o assunto, sente que tem de o fazer para motivar outras pessoas a agirem com a mesma força, de que lhe foi característica – “Nos primeiros anos após ter vivido a doença, reservei-me ao silêncio e não falava disto. Depois achei que era importante contar o meu testemunho, passar uma mensagem de esperança, sem tirar à doença a importância que ela teve e que continua a ter.”, partilhou numa palestra organizada pela Biblioteca Municipal de Setúbal.

Em março deste ano sentiu necessidade de partilhar no Instagram com o seu público aquele que foi “um dos dias mais duros da sua vida”.

Sofia Ribeiro é outro dos grandes exemplos nacionais. Após ter vencido a batalha contra o cancro, em junho de 2016, fez uma publicação no Facebook, refletindo sobre a sua luta. “A 13 de Novembro, quando o meu chão se abriu debaixo dos pés, partilhei que ia fazer parte do grupo de Mulheres guerreiras que ganharam ao cancro”. E, nove meses depois, esse objetivo foi cumprido. Atualmente, Sofia foca-se na sensibilização de outras mulheres para o autoexame e para as consultas de rotina. “Não adies. Entrei nesta luta para ganhar, mas se tivesse deixado para mais tarde, hoje talvez ela estivesse perdida!… Mas não está!!!!!”

A escritora e jornalista Alice Vieira foi diagnosticada com cancro na mama esquerda em 1989, ao que os médicos estimaram que só vivesse mais três anos de vida. No entanto, a autora de contrariou a ciência e, trinta anos depois, recorda outra data muito importante na sua luta contra o cancro.

“Fui operada no dia 14 de fevereiro e nós íamos sempre almoçar ou jantar nesse dia. Não estávamos a comemorar o Dia dos Namorados porque nunca fomos dessas coisas, mas ele oferecia­‑me sempre uma caneta por ter passado mais um ano.”, contou ao Diário de Notícias. Colecionou 13 canetas até à morte do seu marido.

Contudo, mesmo sem novos utensílios auxiliares à sua escrita, não deixa de recordar a sua luta e de recorrer ao IPO, para fazer exames regularmente “Tenho 74 anos, sou vista de três em três meses e ao primeiro sinal marcho logo para lá. Sou doente crónica do IPO. É irónico, mas se não tivesse feito os tratamentos com a rádio há vinte anos se calhar teria morrido.”

A cantora Rebeca, tal como Simone de Oliveira, também venceu dois cancros em menos de dez anos. Depois de ter lutado contra o cancro da tiróide, em 2010, foi-lhe diagnosticado um novo cancro, desta vez da mama, em 2017.

“Achei que estava a ser ainda mais infeliz. Com cancros, quimioterapias, radioterapias e não poder fazer aquilo que eu mais amo que é cantar, estava a ficar com uma depressão”, confessou no programa da SIC ‘Alô Portugal’, como citou a Flash!.

Apesar de ter passado por um período difícil na sua batalha contra o cancro, Rebeca conseguiu continuar a cantar e a encarar, de novo, a vida – “ “Estou muito feliz porque ainda cá estou, não morri”.

Não são só as mulheres a vencer as batalhas contra o cancro da mama. Apesar de ser raro, 1% dos homens são afetados por este tipo de cancro e Marco Paulo entra agora nesse número.

O cantor com 75 anos já tinha ultrapassado o cancro do do abdómen, diagnosticado em 1996. Em dezembro de 2019, outro cancro veio bater-lhe à porta e foi operado um mês depois, no seu dia de aniversário, a 21 de janeiro. “É o meu aniversário, se eu me salvar “desta” eu posso festejar em qualquer altura”, contou à Máxima.

Apesar de ter continuado com os tratamentos de quimioterapia, Marco Paulo nunca desistiu e recorda com alegria o momento em que se despediu do cancro da mama. “Quando me deram alta, parecia que os meus olhos explodiam para ver o mundo, para ver Lisboa, para ver as pessoas. Vim para casa feliz e contente por ter ultrapassado o meu quarto problema de saúde complicado.”

Lá por fora

São muitas as personalidades internacionais que superaram o cancro da mama. Algumas tornaram-se um ícone na luta contra a doença. É o caso de Nancy Reagan, entretanto já falecida, e que teve um grande papel na luta contra o cancro, que lhe foi diagnosticado em 1987, aos 66 anos. A antiga primeira dama norte-americana optou por realizar uma mastectomia, com medo que os tratamentos de quimioterapia e radioterapia e as suas consequências lhe tirassem tempo de trabalho e de acompanhamento do seu marido, e então Presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.

Brigitte Bardot também passou por uma fase bastante difícil na sua vida, quando foi diagnosticada com cancro da mama aos 49 anos. “Foi muito difícil. Estava sozinha e decidi fazer apenas radioterapia e não a terrível quimioterapia, sem perder o meu cabelo”, confessou à revista Paris Match, como citou o jornal The Siver Times.

Cynthia Nixon, popularizada pela série de sucesso “O Sexo e a Cidade” (era a Miranda), também sobreviveu à doença e salienta a necessidade de estarmos atentos ao nosso corpo e de fazermos exames regularmente. “Acho que isto acentua o quão importante é fazermos mamografias, o quão importante é fazê-las regularmente e o quão importante é fazê-las ainda jovens”, afirmou em entrevista à revista Cure.

Dame Maggie Smith, muito conhecida pelo seu papel como Minerva McGonagall, na saga Harry Potter, também lutou contra o cancro da mama, quando este lhe foi diagnosticado aos 73 anos. A atriz teve que fazer quimioterapia e radioterapia, durante as gravações do sexto filme, “Harry Potter e o Príncipe Misterioso”. Não escondeu, no entanto, a dificuldade que é passar pelos tratamentos. “Acho que era da minha idade, na altura em que aconteceu. Aquilo (o cancro) bate-te das duas formas. A recuperação demora mais tempo, não és tão resiliente.”, explicou em entrevista ao The Times.

No caso de Jane Fonda o diagnóstico aconteceu aos 72 anos, numa fase inicial da doença. “Tive muita sorte”, disse a atriz na altura. Já em 2018, voltou a ser atacada pela doença, desta vez no lábio.

Anastacia foi diagnosticada com dois cancros da mama, no espaço de dez anos, submetendo-se a uma dupla mastectomia. Em 2016, posou nua para a revista Fault, onde assumiu a vergonha por trás das cicatrizes. “Incomodava-me o facto de serem tão grandes, mas também tenho de ultrapassar todas estas alterações físicas. As cicatrizes fazem parte da minha vida e são uma recordação de todas coisas que tive de enfrentar antes, durante e depois da mastectomia. Hoje, sinto-me grata por as mostrar ao mundo de uma forma artística (…). Assim posso transformar os defeitos no meu corpo em arte”, confessa a cantora em entrevista, citada pelo Diário de Notícias.

Kylie Minogue foi diagnosticada com cancro da mama, em 2005 e decidui comemorar os 10 anos da sua vitória, com “família, amigos, champanhe e lágrimas” à mistura.

A cantora tinha apenas 36 anos quando enfrentou o cancro da mama e, 14 anos depois, arranja 7 palavras para descrever todo o processo de luta – “A pesquisa, os ensaios clínicos,  os desgostos, a perda, o progresso, o amor e a esperança”, contou à revista Who.

A cantora brasileira Elba Ramalho olhava para o cancro da mama “quase como uma condenação, uma sentença de morte”. “É como se o juiz dissesse ‘está condenado’. Eu não entendi dessa maneira, eu não entendi. Eu falei: ‘eu vou lutar'”, contou no programa “Domingo Espetacular”, da TV Record, citada pelo site da ONG Oncoguia.

Uma outra artista brasileira, Patrícia Pillar, lidou com o cancro da mama, em 2002. Mas esta luta trouxe-lhe algo além dos tratamentos. “Aprender a lidar com o sofrimento na vida traz tranquilidade. Eu lutei. Em nenhum momento perdi o bom astral. A tranquilidade é uma certa resignação do fato de que a vida não é só felicidade. Ter lidado com o sofrimento, a dor e a perda fez-me bem”, confessou à revista Quem.

Todas estas celebridades são diferentes, mas todas são um exemplo. A sua persistência e força são o que melhor as descreve. Mas não apenas na luta contra o cancro, como em todos os entraves que surgem na sua vida.

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