Cancro da próstata afeta anualmente quase 2 mil portugueses. Como se explica?

Hospital Cruz Vermelha

Em Portugal, todos os anos, surgem entre 3 mil a 4 mil novos casos de cancro da próstata, vitimando anualmente 1.800 portugueses. Sendo um dos cancros com maior incidência nos homens é, por isso, fundamental a sua prevenção. É recomendado uma vigilância a partir dos 50 anos, pois quando detetado precocemente a taxa de cura é de 85 por cento. A prevenção é a melhor opção. Compreenda melhor esta doença.

A próstata é uma glândula com a dimensão semelhante à de uma noz e que está localizada na pélvis, por baixo da bexiga e à frente do reto. Em conjunto com as vesículas seminais, a próstata é o órgão responsável por produzir o sémen, o líquido esbranquiçado e viscoso que transporta os espermatozoides do interior para o exterior do pénis.

 Como se explica o cancro da próstata?

Para a compreensão desta doença é importante perceber que a próstata, tal como todos os outros órgãos, é composta por diferentes tipos de células. No seu estado normal, estas células realizam a regeneração celular, isto é, crescem e dividem-se de forma organizada de maneira a substituir outras células que estão envelhecidas ou mortas.

Esta regeneração celular é realizada por alguns genes encarregadas de enviar informação às células para se dividirem ou iniciarem a sua própria destruição. Quando esses genes sofrem mutações dão origem a uma transmissão errada da informação, fazendo com que as células não morram quando envelhecem ou se danificam e produzem novas células de forma descontrolada que não são necessárias.

O cancro da próstata é, por isso, um crescimento anormal e desordenado de determinadas células na próstata que acabam por formar massas, as quais são designadas por tumores. Os tumores malignos, conhecidos como cancro, caracterizam-se pelo seu crescimento incontrolado, invadindo não só os tecidos mais próximos como os tecidos circundantes e podem espalhar-se para outras partes do organismo. Este processo de proliferação denomina-se por metastização.

Quais são os fatores de risco?

  • Idade – mais de 70% dos cancros detetados afetam homens com mais de 65 anos;
  • Fatores genéticos – Os homens que tenham um familiar com cancro da próstata têm uma maior probabilidade de sofrer desta doença;
  • Fatores hormonais – Alguns estudos indicam que há fatores hormonais que contribuem para o desenvolvimento de cancro da próstata;
  • Alimentação – Uma alimentação rica em gorduras animais pode aumentar o risco de desenvolvimento de cancro da próstata.

Quais são os sintomas?

O cancro da próstata diferencia-se de outros tumores malignos pela lenta evolução observada na maioria dos casos, o que faz com que, por vezes, alguns sintomas se manifestem apenas em fases avançadas da doença como a dor óssea ou a obstrução urinária.

Como se diagnostica?

Os exames complementares de diagnóstico para o cancro da próstata são:

  • Toque retal – O exame é feito através da introdução de um dedo no reto. Este procedimento permite ao médico detetar a existência de uma área irregular que poderá ser indício de cancro. No entanto, não é um exame suficiente. É apenas um auxílio numa fase inicial;
  • Antígeno prostático específico (PSA) – O exame consiste na recolha de sangue para detetar a existência de uma proteína produzida pela próstata chamada antigénio específico da próstata ou PSA. Quando os resultados do exame apresentam um elevado nível desta substância, existe uma maior probabilidade de se sofrer de cancro da próstata. Apesar da eficácia do teste de PSA, o diagnóstico desta doença só pode ser confirmado pelo resultado da biopsia da próstata;
  • Biópsia da próstata – O exame é realizado através de uma colheita de tecido da próstata para ser posteriormente estudada em laboratório. A técnica é executada através da introdução de uma agulha pelo reto até à próstata onde é, então, recolhido o tecido.

Como se trata?

Para o tratamento do cancro da próstata existem diferentes opções terapêuticas que terão de ser avaliadas e ponderadas entre o médico e o doente, atendendo, por exemplo, aos efeitos secundários do tratamento, a qualidade de vida do doente ou o estado da patologia.

  • Prostatectomia Radical – Consiste na extração da totalidade da glândula prostática e dos tecidos à sua volta;
  • Prostatectomia laparoscópica (cirurgia minimamente invasiva) – Trata-se de uma forma mais avançada de prostatectomia, menos agressiva que a tradicional, realizada através de pequenas incisões, reduzindo a possibilidade de perdas de sangue, o internamento hospitalar e o tempo de recuperação;
  • Radioterapia externa – Consiste na utilização de raios de elevada energia para matar as células cancerígenas;
  • Braquiterapia – Este tratamento consiste em colocar “sementes” de caráter radioativo na próstata, através do períneo, com fins curativos do cancro da próstata;
  • Crioterapia – Consiste na congelação do tecido da próstata para eliminar as células cancerígenas;
  • Hormonoterapia – Reservado a um estado avançado da doença, este tratamento consiste numa terapêutica hormonal, com recurso a fármacos, que impede as células cancerígenas “tenham acesso” às hormonas naturais do nosso organismo, das quais necessitam para se desenvolverem.
  • Quimioterapia – Reservado a um estado avançado da doença, esta opção terapêutica, com recurso a medicamentos, é utilizada quando o tumor deixa de ser sensível aos tratamentos hormonais e que este se tenha disseminado para outros órgãos.

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