Comer melhor, poupar mais. 7 dicas infalíveis para o seu orçamento familiar

Diana Rosa

Jornalista

É possível comer melhor e poupar? Sim, é possível. E este texto tem como objetivo orientá-lo nessa caminhada. Lutar contra os desperdícios alimentares é uma obrigação de todos. E há pequenos gestos que fazem mesmo a diferença. Ora veja.

Neste Dia Mundial da Poupança, falar de desperdício alimentar é absolutamente essencial. É um tema em discussão à escala global, sobre o qual todos devemos refletir. Com a indústria alimentar a produzir a toda a velocidade, estima-se que a comida que é produzida é suficiente para alimentar toda a população mundial. Ainda assim, a verdade é que cerca de um terço do que é produzido é desperdiçado, enquanto há aproximadamente 925 milhões de pessoas em situação de subnutrição, segundo a Food & Agruculture Organization (FOA) das Nações Unidas. Para ter uma ideia mais aproximada, é o mesmo que haver 9 países do tamanho de Portugal em que toda a população não tem nada para comer.

Este resultado não provém apenas do fator do consumo, mas de todas as fases da cadeia, desde a colheita, produção e distribuição, até chegar à nossa mesa. Já por cá, segundo a mesma organização, cada português deita fora cerca de 132 quilos de comida por ano. São números extremamente preocupantes, não só no que diz respeito ao desperdício de dinheiro, como ao impacto ambiental, ao respeito pela natureza e pela condição da restante população mundial que não tem a sorte de colocar comida na mesa. Este é um tema sério de consciencialização coletiva, além de individual.

Existem algumas iniciativas a nível nacional, principalmente nas grandes cidades, que preveem que os restaurantes possam doar os alimentos que não foram vendidos a organizações que tratam de fazer a distribuição por quem mais precisa, assim como já estão disponíveis aplicações de telemóvel onde pode encontrar informação sobre como comprar comida que iria ser desperdiçada por restaurantes, a preços acessíveis, como é o caso da Too Good To Go .

Não conseguimos mudar o mundo sozinhos, mas se cada um de nós mudar o seu pequeno mundo, as melhorias vão começar a acontecer. O nosso contributo individual pode mudar o caminho respeitante à preservação do ambiente e ter um grande impacto na luta contra a fome. E por isso, hoje vamos começar pelo que controlamos com mais facilidade, focar-nos na nossa casa e na nossa carteira.  

Segundo os conselhos da Comissão Europeia, para reduzirmos o desperdício alimentar e pouparmos muito ao final do mês, eis o que devemos fazer:

  • Faça uma lista de compras antes de ir ao supermercado

Planeie as suas refeições semanais de forma a não cozinhar mais que o necessário. Vá até à sua despensa e veja o que realmente precisa para a sua semana, para que evite ter stocks desnecessários.

  • Faça compras mais vezes

Isto permite-lhe ir comprando à medida que vai precisando. Fazer as compras mensalmente não é boa ideia e faz com que traga para casa excesso de coisas que no final não sabe se vai necessitar. Vai acabar por deitar alimentos para o lixo e gastar mais dinheiro. Dê preferência aos mercados perto de si, onde pode encontrar produtos de maior qualidade e ajudar a economia local. Aposte na qualidade, em vez da quantidade.

  • Saiba arrumar os alimentos

Verifique a validade dos produtos e coloque os que estão mais perto de expirar à frente dos outros, de forma a ir consumindo os mais antigos e não correr o risco de ter que deitar algum para o lixo. Faça ainda uma lista dos alimentos que tem no congelador par não se esquecer do que já comprou e duplicar o stock.

  • Não vá em qualquer promoção

O objetivo das promoções é despachar produtos em grande quantidade. É uma estratégia de marketing que vai influenciar o consumidor a comprar mais do que precisa, o que acaba por gerar mais desperdício e, quando vai a ver, gasta mais do que previa. Aproveite as promoções para trazer para casa alimentos que já gosta de consumir e não multiplique as quantidades.

  • Aproveite as sobras e os alimentos na sua totalidade

Recicle pratos já confecionados. Além de poupar dinheiro, há imensas receitas disponíveis na internet que lhe vão dar ideias para reaproveitar alimentos e comer refeições muito saborosas. Outra opção é congelar. Praticamente tudo o que é cozinhado dá para levar ao congelador separado por caixas que, mais tarde, num dia em que tenha menos tempo para estar na cozinha, vai poder aquecer e assim poupar tempo!

Além disso, toca a aproveitar as cascas dos alimentos, nomeadamente hortícolas e frutas como laranja, limão, cebola, entre outros, para fazer chás ou compotas.

Quanto à água onde coze os legumes, aproveite-a e guarde-a em frasquinhos para ter um caldo de legumes saboroso e muito mais saudáveis do que os que compra industrializados que, como já explicámos em outros artigos, só fazem mal. Já às cascas dos legumes, podem ser aproveitadas para fazer aperitivos, batidos, purés ou suflés. Os talos podem ser utilizados em tartes ou sopas.

  • Conserve corretamente

Se analisar os rótulos dos produtos, cada um deles menciona como deve ser feita a sua conservação. Alguns podem ficar à temperatura ambiente e outros têm de ser colocados no frigorífico. Este deve ser mantido a uma temperatura entre 1º e os 5ºC enquanto o congelador deverá rondar os -18ºC.

  • Partilhe

Nada mais correto e altruísta do que partilhar os excedentes alimentares com colegas, amigos, família ou vizinhos! Além de ser um gesto generoso, vai evitar deitar comida para o lixo.

Quanto tempo duram os alimentos?

Para se organizar melhor, vamos saber a duração dos principais grupos de alimentos que costumamos ter nas nossas casas.

Frutas, legumes e verduras

Normalmente estes alimentos duram cerca de 5 dias a 1 semana no frigorífico. No entanto, há frutos tropicais, como o abacate e a banana, que vão escurecer mais rapidamente se os sujeitar ao frio.

Queijos

Depende da cura e da textura. O queijo fresco pode durar apenas 2 ou 3 dias. Queijos como ricota ou mozarela podem durar 5 dias e à medida que forem sendo mais secos, como o caso dos alentejanos ou do parmesão, os queijos podem durar até 1 mês no frigorífico.

Leite

Seja de vaca UHT ou bebidas vegetais, têm a duração aproximada de 3 a 5 dias. Se for leite pasteurizado tipo Vigor, deve consumi-lo no próprio dia.

Manteiga

Por ter um elevado teor de gordura, a manteiga aguenta cerca de 3 meses no frigorífico. No entanto, se não consumir com regularidade, pode ganhar uma membrana mais escura à superfície, que deve ser retirada quando for consumir novamente.

Carnes

O ideal é consumi-la no próprio dia ou, no limite, no dia seguinte. A carne tem um processo rápido de decomposição, por isso se não pretende cozinhá-la assim que a compra, o melhor é mesmo congelar.

Comida feita

As sobras das refeições que confecionou devem ser comidas no prazo de 3 dias. Caso contrário, deverá separar em porções mais pequenas e ir retirando do congelador à medida que for precisando.

Enlatados

Duram cerca de 5 dias depois de abertos, sendo que deve consumir preferivelmente no momento em que abre a lata.

Vinhos

O vinho reage ao oxigénio e, portanto, se for para beber deve consumi-lo no momento. Já se for para cozinhar, apesar de oxidar o vinho pode durar até 1 mês. Se pretender estender este período, pode congelar o vinho em sacos de gelo (por exemplo) e ir retirando à medida das suas necessidades para poder utilizá-lo nos seus cozinhados.

É hora de agir e começar a dar mais sentido ao seu tempo e à sua carteira. Lembre-se que todas as nossas ações têm repercussões na economia, no nosso mundo, mas também na natureza. E é com pequenos gestos e com preocupações individuais que conseguimos mudar o futuro.

Agora, vá até à cozinha e comece desde já a poupar uns euros!

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