Como prevenir a acumulação de gordura visceral?

João Rodrigues

Nutricionista inscrito na Ordem dos Nutricionistas com a cédula 3657N

Nem todas as gorduras são iguais. A gordura visceral é a mais preocupante, como já aqui explicámos no Escolher Viver. O nutricionista João Rodrigues explica como prevenir esse flagelo.

É inegável que a obesidade é uma doença crónica que corresponde a um gravíssimo problema de saúde pública, que além de afetar a auto-estima e, consequentemente, o bem-estar psicológico de quem sofre da mesma, é também um fator de risco para o aparecimento de muitas doenças crónicas, tais como diabetes tipo 2, vários tipos de cancro, doenças cardiovasculares, entre outras. Apesar de globalmente se falar em obesidade como um todo, o local onde a gordura se acumula varia de pessoa para pessoa, sendo que as consequências dependem também desse local. Dito de uma forma simples, a gordura corporal não é toda igual.

De uma geral, a gordura corporal pode ser dividida em dois tipos principais. A gordura subcutânea é, tal como o próprio nome indica, um tipo de gordura que se acumula debaixo da pele, um pouco por todo o corpo, com particular destaque para as pernas, anca, região abdominal e braços. Apesar de ter consequência óbvias a nível estético, a presença deste tipo de gordura não é potencialmente tão grave como o próximo. 

Fator de risco elevado

A gordura visceral é o outro tipo de gordura e, conforme sugerido pelo próprio nome, diz respeito à gordura que se acumula nas vísceras ou, mais corretamente, nos órgãos. Os principais locais de acumulação da gordura são o fígado, coração, rins e intestino. Apesar desta gordura ser “invisível”, ou seja, não ter grande impacto do ponto de vista estético, é um fator de risco para vários problemas de saúde graves. Obviamente que esta divisão entre os dois tipos de gordura não significa que ambos não possam coexistir, pois infelizmente essa é a realidade. Por isso, de uma maneira geral, as pessoas com mais obesidade abdominal são também aquelas que tendencialmente apresentam mais gordura visceral. A alimentação é, sem dúvida, um dos principais fatores envolvidos na acumulação de gordura visceral, pelo que se torna fundamental perceber de que forma é que esta relação se estabelece.

Recentemente foi publicado um artigo na revista científica The Journal of Nutrition no qual se procurou perceber de que forma a alimentação pode afetar a presença de gordura visceral, em ambos os sexos. Os resultados obtidos indicaram que o consumo de snacks doces provocou um aumento dos níveis de gordura visceral, enquanto que o consumo de fruta, hortícolas, laticínios e gordura vegetal provocou o efeito contrário.

Confesso que não fiquei surpreendido com os resultados deste estudo, ainda que, neste caso em concreto se tenha avaliado a gordura visceral e não a gordura total. Ou seja, este não é mais um trabalho que diz que a adoção de um padrão alimentar saudável contribui não só para uma composição corporal adequada, mas também contribui diretamente para a saúde das pessoas porque diminui o teor de gordura nos órgãos. Devido aos riscos reais que níveis elevados de gordura visceral representam, é fundamental adotar uma alimentação que diminua essa acumulação, de forma a ser possível construir um futuro mais saudável!

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