Comprimidos para dormir: aliados ou inimigos?

Hospital Cruz Vermelha

Quem nunca tomou nada para dormir? “Uma coisinha para dormir”, um “comprimidinho milagroso”, “uma ajuda para descansar”. Chamemos-lhe o que quisermos, mas os indutores de sono são cada vez mais usados pelos portugueses. O Hospital Cruz Vermelha dispõe de consultas e exames na área da medicina do sono.

Os distúrbios do sono e/ou a sua má qualidade são problemas comuns na sociedade e tomar comprimidos para dormir está a tornar-se um hábito cada vez mais frequente entre os portugueses.

Pode definir-se insónia como a dificuldade em adormecer, em manter-se a dormir ou em ter um sono reparador. Pode-se classificá-la como inicial, quando há dificuldade em adormecer, intermédia, se há dificuldade em manter o sono, ou terminal se há despertar precoce e caracterizá-la com base na sua duração: aguda, ou crónica se for superior a quatro semanas. 

De acordo com alguns estudos realizados em Portugal, cerca de 28% da população com mais 18 anos sofre de insónia, pelo menos, três noites por semana e nas pessoas com mais de 65 anos as queixas de insónias podem chegar aos 50%.

Quais as causas?

A insónia tem uma origem multifactorial onde os aspetos físicos, psicológicos e sociais estão interligados e são determinantes.

Habitualmente, estão relacionadas com situações de stress continuado, ansiedade e depressão. Mas também podem ter origem em maus hábitos de sono, como trabalhar ou ver televisão na cama, em conflitos ou problemas familiares e/ou profissionais, em efeitos secundários de medicação habitual ou em doenças pré-existentes, como a síndrome das pernas inquietas, a apneia do sono, a doença pulmonar obstrutiva crónica, doenças da tiroide, neurológicas ou gastrointestinais, etc.

Como se pode ultrapassar?

A insónia é um sintoma e, para a abordar clinicamente, é necessário tentar perceber qual a causa primária que a desencadeia.

Muito mais frequentemente do que seria desejável, são prescritos, ou tomados por automedicação, os chamados comprimidos para dormir, que ajudam a tratar o sintoma, mas que não atuam na raiz do problema.

Os medicamentos mais prescritos ou usados são os ansiolíticos benzodiazepínicos, como o alprazolam, o lorazepam, o diazepam. Também se prescrevem hipnóticos não benzodiazepínicos, como por exemplo o zolpidem.

Estes medicamentos pertencem à categoria dos psicofármacos e o seu consumo tem vindo a aumentar e Portugal é um dos países europeus da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com maior consumo de ansiolíticos, hipnóticos e sedativos.

Os medicamentos são perigosos?

A utilização deste tipo de medicamentos, em tratamentos de curta duração, é segura e eficaz no combate às insónias, mas se forem tomados por períodos mais longos, superiores a quatro semanas, podem acarretar riscos para a saúde e não resolvem, por si só, o problema na origem das insónias.

Tal como outros medicamentos, os comprimidos para dormir não são isentos de riscos ou de efeitos secundários.

Alguns desses efeitos e riscos podem ser:

  • Sonolência, confusão e descoordenação motora;
  • Agravamento das insónias;
  • Diminuição da atenção, do tempo e velocidade de reação;
  • Tolerância progressiva, o que obriga ao aumento das tomas ou das doses;
  • Dependência ou habituação;
  • Potencial de abuso;
  • Síndrome de abstinência caraterizado por tremores, agitação psicomotora, suores, palpitações, náuseas, vómitos, desorientação, alucinações e convulsões;
  • Défices cognitivos e síndromes demenciais;
  • Interação com bebidas alcoólicas, potenciando o efeito sedativo dos medicamentos, podendo provocar perda de consciência e depressão respiratória;
  • Interação com outros medicamentos;
  • Maior risco de acidentes de trabalho ou acidentes de viação por sonolência excessiva.

Quem sofre de insónias deve colocar abertamente o problema ao seu médico de família ou médico assistente, para se analisar e investigar os fatores que podem estar na sua origem, sendo quase sempre possível encontrar alternativas aos comprimidos para dormir.

Que outras soluções há?

Uma correta higiene do sono, a alteração de hábitos e estilos de vida, bem como pequenas alterações comportamentais, podem por si só fazer voltar o sono natural, sem necessidade de comprimidos.

Estas são algumas das estratégias que podem ajudar a um sono natural e reparador:

  • Criar uma rotina de sono, tentando deitar-se e levantar-se à mesma hora;
  • Não usar aparelhos eletrónicos no quarto, como telemóvel, TV, computador, a luz desses aparelhos pode dificultar a preparação do nosso organismo para dormir;
  • Evitar excitantes, como a nicotina a cafeína ou bebidas alcoólicas, até 6 horas antes de se deitar e não fazer um jantar pesado;
  • Praticar exercício físico de manhã ou à tarde;
  • Tentar relaxar antes de se deitar, tomando um banho quente, lendo alguma coisa agradável, ouvindo música calma ou bebendo uma infusão quente, por exemplo de tília, camomila ou cidreira.

Nunca tome comprimidos para dormir por automedicação, nem porque um familiar ou vizinho está a tomar e se deu bem e se forem prescritos pelo seu médico, cumpra com rigor as indicações que lhe forem dadas. 

Não esqueça que “há riscos nos comprimidos para dormir”.

E se estiver com problemas a domir, maquer uma consulta para junto do médico, ver qual é o melhor tratamento para si.

Pode marcar a sua consulta aqui.

Este artigo, publicado originalmente na Visão Saúde, foi publicado no site Escolher Viver no âmbito da parceria editorial com o Hospital Cruz Vermelha

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