Cuidado com o fígado gordo! Conheça causas, sintomas e prevenção

Diana Rosa

Jornalista

Quando pensamos em doenças do fígado, a nossa cabeça vai logo para as hepatites, mas o que é certo é que o fígado gordo já é a doença hepática mais prevalente em Portugal. A culpa é da ainda escassa adoção de estilos de vida pouco saudável. O consumo excessivo de gorduras e hidratos de carbono são uma das muitas razões…

Sabe o que é esteatose hepática? Não? E fígado gordo, já ouviu falar? Em traços gerais, e como o próprio nome indica, trata-se de excesso de gordura no fígado, que este órgão foi acumulando ao longo do tempo. É uma situação que tem solução (passando muito pela alimentação) mas inspira cuidados, pois se não for tratado, pode progredir para uma cirrose hepática, que significa um processo inflamatório agudo. Esta patologia é, habitualmente, consequência de maus hábitos alimentares, como uma dieta rica em hidratos de carbono simples, gorduras, doces, álcool e sedentarismo, que dão também origem a outras doenças.

Principais causas

Obesidade e diabetes

O excesso de peso, a obesidade, e a diabetes tipo 2, que é aquela que se adquire ao longo da vida, são doenças que estão ligadas ao consumo excessivo de gorduras, e que desencadeiam um desequilíbrio de triglicéridos, fazendo com que o organismo os envie diretamente para o fígado, armazenando assim esta gordura em demasia.

Excesso de açúcar

Com sabemos, os hidratos, nomeadamente o açúcar, também se transformam em gordura que vai ser absorvida pelo sangue, mas também pelos órgãos, como o caso do fígado, prejudicando o seu bom funcionamento. Juntamente com o sedentarismo, forma-se o cocktail perfeito para provocar a esteatose hepática.

Consumo intensivo de álcool

Naturalmente que um copo de vinho tinto de vez em quando não causa este tipo de patologia, mas o consumo prolongado e excessivo de bebidas alcoólicas é uma das principais causas de um fígado gordo. É considerado excesso quando um indivíduo consome a partir de dois a três copos de álcool por dia. Normalmente, dois nas mulheres, e três nos homens.

Hepatite

Pessoas que sofrem de Hepatite B ou C têm mais probabilidade de desenvolver o fígado gordo. Um fígado com hepatite tem geralmente lesões que prejudicam o seu bom funcionamento, dificultando o filtro de gorduras.

Medicação

A toma de medicação, nomeadamente hormonal, assim como fármacos com cortisona, tamoxifeno ou amiodarona, potenciam o armazenamento de gordura no fígado, uma vez que a utilização destes medicamentos pode provocar lesões neste órgão.

Quais são os sintomas associados?

Normalmente não existem, a não ser que já exista uma inflamação considerável do fígado. Nesse caso poderá sentir cansaço excessivo, dores na região superior direita abdominal, inchaço abdominal, pele e olhos amarelados, perda de apetite, icterícia, dor de cabeça constante ou fezes esbranquiçadas. O que acontece à maior parte das pessoas que são diagnosticadas com esteatose hepática é que o médico descobre este problema depois dos exames de rotina, como TAC ou ecografia abdominal, por exemplo, que geralmente são seguidos de análises específicas para confirmação do diagnóstico.

Tratamento e prevenção

Não existe um tratamento específico para esta patologia, uma vez que a melhor forma de contornar a situação, quer em termos de terapêutica, quer em termos de prevenção, é precisamente a adoção de um estilo de vida saudável, evitando o excesso de peso. É fundamental fazer uma dieta bastante restrita em açúcares e gordura, assim como iniciar ou reforçar a prática de exercício físico. Como já temos vindo a referir, é imprescindível que se dedique pelo menos meia hora por dia a uma caminhada, corrida, ou outro desporto que goste e que se consiga comprometer a fazer diariamente. Ainda que a evolução para cirrose ou cancro seja pouco prevalente nos casos de esteatose hepática, a obesidade e problemas do foro cardiovascular estão diretamente relacionados com esta situação, e portanto, é um erro grave desvalorizar. A boa notícia é que, com compromisso, é uma situação reversível.

Se sofre atualmente com este diagnostico, encare esta fase como uma excelente oportunidade de adquirir um estilo de vida mais saudável, com alimentação cuidada e atividade física, hábitos que já deveria ter adquirido para evitar este tipo de problemas.

Aposte no consumo de fruta e legumes, beba bastante água e esqueça o álcool por uns tempos. Se beber excessivamente então, é melhor esquecer definitivamente. Aposte em alimentos antioxidantes e desintoxicantes como:

– Frutos vermelhos

– Curcuma

– Alho

– Chá verde, alcachofra, dente-de-leão e gengibre

– Limão (aliás, beber um copo de água morna com umas gotas de limão pela manhã pode ser uma boa ajuda)

– Abacate

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