O que conseguimos ver quando olhamos para dentro de nós?

Lara Constante

Psicóloga Clínica. Inscrita na Ordem dos Psicólogos Portugueses com o nº 9084

Que relação temos entre o físico e a mente? De que forma devemos preocupar-nos com isso? Quais os sinais a que devemos estar atentos. Num tempo em que, por causa da pandemia, nunca se falou tanto de saúde mental como agora, o Escolher Viver abre as portas à reflexão sobre o nosso “Eu”, através da psicóloga clínica Lara Constante.

A propósito do corpo, uma das poucas certezas que temos em qualquer momento é da existência dos nossos corpos físicos. Os nossos corpos estão presentes em tudo o que fazemos. O corpo é o lugar a partir do qual experimentamos sensações, sentimentos, os nossos sentidos, a nossa mente, interações com outros corpos e o nosso ambiente. É através desta mistura complexa de fatores que criamos e desenvolvemos a nossa perceção de ‘corpo’ – a nossa imagem corporal.

As questões da imagem corporal e os comportamentos por nós utilizados para aliviar as angústias que nos invadem – ansiedade, desilusão, vergonha, dor, medo, tristeza, culpa, ressentimento – podem ser complexas e, ainda fazer parte de outras questões de saúde mental, como distúrbios alimentares, trauma, ansiedade social e dismorfia corporal.

Ao observar e ver o seu corpo refletido de volta, emergem emoções que pouco têm a ver com o seu corpo físico real e mais com a forma como o seu cérebro perceciona o seu corpo. Desta forma, é reconhecer que embora tenhamos um corpo, somos mais do que um corpo, e mais do que uma coleção de experiências. É fundamental compreender e, por conseguinte, lidar com os fatores subjacentes que alimentam as questões da imagem corporal. Assim, no processo de crescimento da relação com o nosso corpo é vital abordar a componente mental, emocional e social.

Existem emoções que a pessoa não se apercebe, logo não as resolve, podendo tornar-se assim crónicas, afetando de forma destrutiva o nosso corpo. Articulando a emoção, devemos experimentar o seu reconhecimento e consciência, desenvolvendo com mestria a capacidade individual da leitura dos afectos e emoções.

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