Deixe de fumar, pela sua saúde! Treinar não compensa os malefícios do tabaco

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“Ano novo, novos hábitos, não é verdade? Prometeu a si mesmo deixar de fumar este ano e, até agora, nada feito? Então faça o favor de pousar esse cigarro ou de convencer o seu amigo fumador a fazê-lo. Apesar de ser comum em todo o mundo, sendo mesmo um fator cultural em determinadas nações, o tabagismo é um dos maiores atentados à saúde.

Seja um hábito diário ou pontual, recente ou já de longa data, “fumar deve ser sempre considerado um fator de risco”, começa por alertar o médico Luís Baquero, cirurgião cardiotorácico e coordenador do Heart Center do Hospital Cruz Vermelha. E não é difícil perceber o porquê, aliás, os próprios maços de tabaco fazem questão de lembrar tudo e todos.

Mesmo com todos os alertas existentes e com factos cientificamente provados e que se multiplicam de ano para ano, deixar de fumar continua a ser uma das tarefas mais complexas de todas, seja pelo prazer, pelo lado social, pelo próprio vício adquirido ou até mesmo pelo medo de engordar assim que cessar o hábito. Mas não é por ser difícil que é impossível.

Segundo o nutricionista Ricardo de Castro, “o ganho de peso acontece em 84% dos fumadores em cessação e 13% a 14% ganham mesmo mais de 10 kg”. Mas isso não deve (de todo) ser motivo para continuar de fumar, até porque a alimentação é capaz de tornar todo o processo menos penoso… e pesado. Diz o especialista que a alimentação é uma aliada a hora de deixar de fumar, sendo certo que o primeiro passo está em reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, carnes ou bebidas com cafeína, pois realçam o sabor do tabaco, aumentando a vontade de fumar. Por seu turno, esclarece, “o consumo de fruta, hortícolas, e produtos lácteos torna o sabor do tabaco mais desagradável”, podendo, por isso, ajudar muito na hora de deixar de fumar. Como se não bastasse, nota o especialista, “é possível que o consumo de fruta, hortícolas e frutos gordos deem às pessoas uma maior sensação de saciedade ou plenitude, de modo que sentem menor necessidade de fumar” e oferecem “elevadas doses de vitaminas, minerais e antioxidantes que auxiliarão o combate aos danos causados pelo tabaco”.

Ser fit e saudável. Sim, se deixar de fumar

É certo e sabido que a prática de exercício físico é um trampolim para se ter mais saúde, mas será que um fumador consegue ser tão fit como um não fumador? Muito dificilmente. “Os danos que o tabaco provoca no sistema cardiovascular e respiratório são graves e [por isso] a prática desportiva saudável precisa de um coração e de um pulmão igualmente saudável”, refere o médico Luís Baquero. Deste modo, continua a personal trainer Raquel Antunes, “um fumador não deve cair no erro de pensar que ao praticar exercício está a anular os malefícios do tabaco”, mas o certo, diz, é que treinar é sempre um cenário mais saudável do que ser sedentário.

Ainda segundo a especialista em exercício físico, a performance fica comprometida quando se fuma, pois, “para um fumador, a prática desportiva será sempre fisicamente mais difícil”, uma vez que há uma menor resistência, “o que significa menor capacidade física e respiratória”, mais cansaço, “uma vez que aumenta os batimentos cardíacos e faz que haja uma redução na quantidade de oxigénio presente no sangue que é mobilizada para os músculos” e “dificulta o aumento de massa muscular, uma vez que inibe a síntese proteica e prejudica o sono”. No entanto, esclarece, ser fisicamente ativo “ajuda sobretudo na melhoria da aptidão cardiorrespiratória e cardiovascular, na diminuição do stress e da ansiedade (também responsáveis pelo aumento do consumo de tabaco), de doenças cardíacas e radicais livres”. Embora não aniquile os males causados pelo tabagismo, o médico Luís Baquero defende que “a prática de exercício físico é sempre aconselhável, o que os fumadores podem ter condicionada é a intensidade e a frequência com que o exercício físico deve ser realizado. Será ainda aconselhável realizar exames médicos completos antes de iniciar a prática de desportos e os fumadores devem ser orientados”.

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