Dia Mundial da Saúde Oral. Só um terço dos portugueses tem a dentição completa

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

A boca é o motor para ingerirmos tudo aquilo que influencia o resto do nosso corpo. Por isso mesmo, é importante manter uma higiene ideal e evitar as complicações. Neste Dia Mundial da Saúde Oral (20 de março), descubra algumas delas e como evitá-las!

A ligação entre a saúde oral e a saúde geral ainda é muito pouco debatida entre as sociedades. Assim como pacientes com doenças crónicas podem ser mais propensos a desenvolverem doenças orais, pessoas que já sofrem com infeções orais, podem vir a desenvolver inflamações no resto do corpo.

De acordo com o Barómetro da Saúde Oral, publicado em 2021, apenas 31.5% dos portugueses possuem dentição completa e 39% não possuem entre 1 a 5 dentes. Sendo que mais de metade das pessoas que sofre com a falta de dentes naturais também não possui dentes de substituição.

Entre os fatores que mais contribuem para o desenvolvimento de doenças orais, estão os maus hábitos alimentares, o consumo excessivo de açúcar, o tabagismo e a falta de higiene oral.

A nossa boca contém cerca de 700 bactérias, sendo que a maioria são inofensivas. Porém, os fatores referidos acima podem ajudar no desenvolvimento das mesmas e, consequentemente, no surgimento de diversas complicações. Conheça algumas:

Cárie

É a mais conhecida e mais comum entre as doenças orais. Afeta 90% da população global, sendo considerado um problema de saúde pública. É o resultado do desenvolvimento de bactérias preexistentes na boca que causam infeções e, posteriormente, deterioração do esmalte do dente.

Esse processo ocorre através da decomposição de hidratos de carbono (presentes nos alimentos que consumimos) por parte das bactérias que auxiliam na formação de ácidos. Estes serão os responsáveis pela destruição parcial ou total do dente.

O consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares é considerado um dos fatores de riscos principais, assim como a ingestão destes alimentos à noite, antes de deitar, e a falta de uma higienização correta.

Numa fase inicial, pode ser complicado detetar a cárie sem a ajuda de um profissional. Na maioria dos casos, esta só é reconhecida pelas pessoas que sofrem com o problema quando sentem um desconforto, principalmente quando comem alimentos açucarados, ou na mudança da coloração do dente.

Doenças periodontais

São caracterizadas por doenças que atingem o periodonto, isto é, as gengivas, os ossos e ligamentos responsáveis por manter os dentes na posição correta. As doenças periodontais estão entre as dez mais frequentes doenças em adultos e é a principal causa quando o assunto é a perda de dentes.

A sua primeira fase é nomeada de gengivite, sendo definida pela instalação de bactérias na gengiva. Essas irão produzir toxinas que causarão a inflamação da gengiva, que irá responder com inchaço, causando desconforto na boca.

Se não for tratada, a gengivite progride para uma fase mais grave, nomeada de periodontite. Esta é definida como uma doença inflamatória crónica que, rapidamente, afeta as estruturas ao redor do dente e gradualmente causa a sua queda.

Pode ser tratada através de antibióticos, limpezas feitas por profissionais ou, em casos mais greves, cirurgias.

Herpangina

É um tipo de doença exantemática, isto é, infeções caracterizadas por manchas e erupções na zona afetada.  Afeta principalmente crianças menores de cinco anos, sendo os sintomas iniciais muito semelhantes aos de uma gripe.

Contudo, o que distingue a doença de um simples estado gripal é a presença de manchas avermelhadas na parte posterior da boca, próximo da garganta, e o desenvolvimento de aftas ou úlceras. Essas são responsáveis por causar a perda de apetite, dores de garganta e no pescoço e, em certos casos, problemas intestinais.

É considerada altamente contagiosa, sendo que, apesar de a doença poder desaparecer entre 7 a 10 dias, o período de contaminação pode estender-se por mais de seis semanas.

Não há um tratamento específico, porém, alguns profissionais de saúde podem recomendar medicamentos para aliviar os sintomas.

Herpes

É uma infeção viral bastante conhecida, sendo estimado que 90% da população tenha o vírus no organismo. Não há nenhuma cura que retire o vírus quando este é detetado e são muitos os surtos que podem ocorrer ao longo da vida, sendo o primeiro, na maioria das vezes, o pior.

Caracteriza-se pela formação de bolhas, tanto nos lábios, quanto na área ao seu redor. É, também, altamente contagiosa, sendo que o contacto direto com pessoas contaminadas ou com objetos que as mesmas estiveram em contato é suficiente para a propagação do vírus.

Há diversos fatores que podem influenciar a sua manifestação, entre os quais: alguns alimentos, alergias, stress e impactos no sistema imunitário.

Halitose

Popularmente conhecida como “mau hálito”, a halitose pode ser definida por diversos fatores. O nosso hálito é um gás complexo e, na sua composição, estão os compostos voláteis, presentes no ar expirado. Estes são sujeitos a alterações que vão desde fatores ambientais, como a poluição, até os problemas na saúde geral.

É estimado que cerca de 30% da população em geral possa ter esse problema. Contudo, esse número tem diminuído nos últimos anos, devido ao aumento da sensibilização sobre a importância de uma higiene oral correta, sendo esta o principal tratamento para este problema.

Dicas para uma saúde oral ideal

De acordo com o Barómetro da Saúde Oral, já referido anteriormente, cerca de 60% dos portugueses percecionam a medicina dentária como a área médica mais cara no país e 41% já não vão ao consultório há mais de um ano.

Apesar dos check-ups serem importantes e deverem ocorrer anualmente, há diversos hábitos que podemos adotar no nosso quotidiano para promovermos a nossa saúde oral e, consequentemente, a saúde geral.

A primeira é óbvia, porém, sempre é bom lembrarmos: devemos escovar os dentes após todas as refeições. Contudo, se não for possível, o mínimo de vezes por dia deve ser duas, sendo uma na parte da manhã e outra antes de se deitar.

Em relação ao tipo de escova, há dois requisitos fundamentais: a sua cabeça tem que permitir o acesso a todas as partes da boca e as cerdas devem ser suaves o suficiente para não magoarmos a gengiva. Deve utilizá-las por, no mínimo, dois minutos e não se deve esquecer de higienizar a língua, pois nesta ocorre uma acumulação de bactérias que podem auxiliar no surgimento de complicações.

O uso do fio dental também é importante para mantermos a saúde dos dentes. Quando comemos, alguns fragmentos dos alimentos ficam presos entre os dentes, e, na maioria das vezes, apenas o uso da escova não é suficiente para limpar totalmente. Devido a isso, todos os médicos dentistas defendem o uso regular do fio dental após a escovagem dos dentes para evitar o desenvolvimento de doenças. É um objeto leve e pequeno o suficiente para carregar na bolsa e utilizar quando quiser.

Além disso, é importante balancear esses hábitos com uma boa alimentação. É recomendado o consumo diário de frutas e legumes para fortalecer os dentes e combater a sua deterioração.

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