Dia Mundial do Sono: um em cada quatro portugueses dorme mal. É o seu caso?

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

Apesar de o motivo para precisamos de dormir ser desconhecido, uma coisa é certa: não funcionamos bem sem uma boa noite de sono. Ainda assim, as perturbações do sono são cada vez mais comuns e é necessário estarmos atentos a elas. A Covid-19 agravou o problema.

Estamos cada vez mais habituados a dormir menos. A correria do dia-a-dia, a falta de tempo, os maus hábitos alimentares, o stress e a ansiedade são alguns dos fatores mais comuns que vivenciamos diariamente e que influenciam na hora de dormir. Além disso, também auxiliam no desenvolvimento de distúrbios do sono. E nesse particular, os dois últimos anos, com a pandemia de Covid-19, piorou a situação.

De acordo com um estudo revelado no ano passado, uma em cada quatro portugueses assumem ter problemas com o sono. Um número crescente, já que os dados de 2019 apontavam para uma proporção de uma em cada seis pessoas.

O sono, ou as perturbações à sua volta, são um tema de todos. Para consciencializar a população sobre a importância do sono, um grupo de médicos e cientistas assinalou no calendário o Dia Mundial do Sono. A data é celebrada, anualmente, na sexta-feira anterior ao equinócio de primavera. Este ano, leva o tema de “Sono de qualidade, Mente sã, Mundo feliz”. Esse dia é esta sexta-feira. Hoje, portanto.

No caso dos adultos, é aconselhado dormir de sete a oito horas por noite. Além de dar energia ao nosso corpo e mente, mantendo o equilíbrio das funções, um sono de qualidade é, também, responsável por um amplo leque de benefícios. Quando descansamos corretamente, o risco de desenvolvermos diabetes, hipertensão, excesso de peso, depressão e diversas outras doenças, é muito mais reduzido.

Por outro lado, a sua privação pode potencializar o surgimento das doenças referidas. Além disso, o cansaço também afeta intensamente a nossa rotina. Quando não dormimos, o nosso corpo não recarrega as energias e, consequentemente, precisa de poupar restantes.

Sem energia, a nossa concentração é afetada e pode resultar em falhas de memória ou, até mesmo, em acidentes. O risco de acidente de viação é três vezes maior para pessoas que dormem menos de seis horas por dia.

É necessário estarmos cientes dos problemas que a privação de sono pode causar. Já partilhámos algumas estratégias para conseguir dormir melhor, agora, vamos conhecer mais sobre como ele funciona e quais perturbações estão associadas ao mesmo.

Ciclo do sono

Uma das características principais do sono é que este é caracterizado por dois tipos: sono com movimentos oculares rápidos (REM, sigla em inglês) ou sono com movimentos oculares não rápidos (NREM).

O NREM é o que tem maior duração e é o primeiro a surgir quando dormimos, sendo responsável por cerca de 80% do tempo total de sono de um adulto. É dividido em três fases que são caracterizadas pelo grau de intensidade do sono, sendo a primeira, a mais leve, e a terceira, a mais profunda e responsável por garantir um sono de qualidade.

Já o REM, que acontece em alternância com o anterior, é caracterizado pelo movimento dos nossos olhos sob as pálpebras, pela paralisação do resto do nosso corpo e por uma respiração mais acelerada.

Durante este ciclo, as memórias declarativas (dos factos) são consolidadas e as emocionais são processadas pelo nosso cérebro. É, também, nessa fase que o nosso cérebro se livra de memórias que considera desnecessárias.

Distúrbios do sono

São caracterizados pelas perturbações que afetam a nossa capacidade de dormir, sejam estes causados por fatores físicos, como problemas respiratórios, ou mentais, como o stresse.

Os diagnósticos podem ser complicados, tendo em conta que alguns deles acontecem quando estamos inconscientes. Porém, quando há a suspeita, o paciente é submetido a análises que vão desde simples questionários até à polissonografia, um exame feito enquanto dormimos para analisar as funções cerebrais. Este pode ser feito num laboratório ou em casa.

            Insónia

Caracterizada por um sono de qualidade limitada, sendo dividida em diversas fases. A inicial é definida pela incapacidade de iniciar o sono, a intermédia, pela dificuldade em mantê-lo e a terminal, pelo seu tempo curto.

É estimado que mais de metade da população global já tenha tido esse problema em alguma fase da vida. Em Portugal, quase 30% da população com mais de 18 anos sofre de sintomas de insónia. Além disso, esta é considerada um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

            Hipersónia

Ao contrário da referida anteriormente, esta é definida por episódios de sonolência excessiva, incluindo em momentos inapropriados. Podem ser diurnas ou noturnas e, mesmo depois de uma noite bem dormida, as pessoas com este problema apresentam sonolência no decorrer do dia.

É considerado um distúrbio raro, afetando cerca de 2% a 5% da população global. Entre as causas principais estão a genética, distúrbios do ritmo cardíaco, o hipotiroidismo, a anemia e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

É diagnosticado através de uma análise feita em laboratório nomeada de “teste de latência múltipla do sono”, que consiste numa polissonografia com 4 a 5 registos dos comportamentos neurológicos, realizados num intervalo de 2 horas.

            Apneia do sono

Caracterizada por episódios de falência respiratória que provocam uma diminuição na oxigenação do sangue e despertares inconscientes. É mais frequente na faixa etária dos 40 aos 60 anos e, apesar das pessoas conseguirem dormir a noite toda, o cérebro não consegue descansar.

            Parassónias

São caracterizadas por um grupo de distúrbios definidos por comportamentos ou eventos psicológicos anormais durante o sono. É responsável por interromper os ciclos de sono, existindo momentos onde a pessoa não está nem totalmente dormindo, nem totalmente acordada.

Podem ocorrer tanto durante o sono REM, quanto do sono NREM.  Enquanto os pesadelos são os distúrbios mais comuns do sono REM, o sonambulismo é uma das principais parassónias do NREM.

            Paralisia do sono

Ocorre durante o sono REM e é definida pela falta de sincronia entre o cérebro e o corpo, causando fraqueza muscular completa e resultando numa paralisia temporária. Além da falta de ar, o indivíduo pode, também, apresentar alucinações de pessoas ou vozes.

É o resultado de diversos fatores, como o stress, a ansiedade, sono irregular, consumo excessivo de álcool ou distúrbios já existentes, como a narcolepsia, um tipo de hipersónia. É estimado que uma em cada quatro pessoas irá sofrer de paralisia do sono pelo menos uma vez durante a vida.

            Bruxismo

Consiste no ranger involuntário dos dentes. Pode acontecer em qualquer período do dia, porém, quando ocorre durante o sono, é definido como bruxismo noturno. Não se sabe ao certo o que causa os movimentos de mastigação. Contudo, causam tensões ao nível das articulações temporomaxilares, desgastando-as e causando dores de cabeça.

Por tal acontecer quando estamos inconscientes, muitas pessoas que sofrem do problema não o diagnosticam rapidamente. Alguns sintomas posteriores como desgaste dos dentes e as dores de cabeça e na nuca constantes, são o que ajudam na descoberta do problema.

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