DIABETES: DESAFIO GLOBAL

Jose Manuel Boavida

Médico e Presidente da APDP - Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal

Neste ano de 2021, que se aproxima do fim e em que também se comemoram os 100 anos da descoberta da insulina, gostaríamos de poder testemunhar o início de um investimento nacional e coordenado de combate à diabetes, tal como clama a Organização Mundial de Saúde (OMS), pois a diabetes continua a ser uma pandemia cuja dimensão e impacto não tem precedentes.

A Federação Internacional da Diabetes divulgou recentemente novos dados que mostram que 537 milhões de adultos vivem atualmente com diabetes em todo o mundo, um aumento de 16% face às estimativas de 2019. Prevê-se que o número total aumente para 643 milhões (11,3%) até 2030 e para 783 milhões (12,2%) até 2045.

Estes números são bem elucidativos do crescimento alarmante da prevalência da diabetes e confirmam a diabetes como um desafio global significativo para a saúde e para o bem estar das pessoas, das famílias e dos países. O aumento do número de pessoas com diabetes tipo 2 é motivado, em grande parte, por determinantes sociais que incluem a urbanização, o envelhecimento da população, o aumento do sedentarismo e, consequentemente, o aumento do excesso de peso e da obesidade.

Para além da importância crucial do combate a estas causas da diabetes, há lacunas a que é preciso dar resposta imediata. O acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoces, o acesso a programas educativos e ao apoio psicológico, o acesso a alimentos saudáveis e a espaços para a atividade física são apenas alguns dos exemplos que necessitam de ser considerados como prioritários na agenda política nacional e local.

A importância da disponibilidade e do acesso a diagnósticos de qualidade ganhou especial atenção recentemente, em grande parte devido à pandemia de covid-19. Os rastreios e as consultas são essenciais para a saúde das populações e o aprimoramento da capacidade de diagnóstico da diabetes é fundamental.

A resposta de proximidade é a resposta certa para as doenças crónicas. As pessoas clamam por mais acesso e por mais recursos. Investir no acesso e na indispensabilidade da relação humana entre profissional de saúde e pessoa com doença é fundamental. As autarquias e os cuidados de saúde primários, funcionando em articulação, são a solução que pode conseguir que as pessoas com diabetes não sejam tão prejudicadas no acesso aos cuidados de saúde, como o foram durante a pandemia da covid-19.

Se não for agora, quando será?

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