Diabéticos e imunodeprimidos mais vulneráveis à tuberculose

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

É estimado que a tuberculose esteja presente na humanidade há mais de 4 mil anos e, ainda assim, continua a ser uma das doenças infeciosas mais mortais do mundo. Na semana em que se assinalou a luta contra a tuberculose, ajudamo-lo a descobrir mais sobre essa doença que afeta mais de 1.000 portugueses por ano.

A tuberculose é considerada um dos principais problemas de saúde pública do mundo, sendo estimado que, anualmente, surgem 9 milhões de novos casos, entre os quais cerca de 1,8 milhões acabam por morrer.  É uma doença infecciosa que afeta, maioritariamente, os pulmões e o grande responsável é um bacilo (um tipo de bactéria) nomeado Mycobacterium tuberculosis.

A taxa em Portugal é de 14,2 casos de tuberculose por 100 mil habitantes, com maior incidência nas regiões de Lisboa e Norte.

Assinalado a 24 de março, o Dia Mundial da Tuberculose visa conscientizar as pessoas sobre os riscos e consequências da doença para a saúde. A data foi definida em 1982, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para homenagear os 100 anos desde a descoberta da bactéria causadora da doença em 1882, pelo alemão Robert Koch.

Na Europa, a tuberculose foi uma das doenças contagiosas mais famosas durante a idade média e os séculos XIX e XX, ficando popularmente conhecida como “peste branca”. Em Portugal, em 1899, após um dos maiores surtos de tuberculose no país, foi criada a Assistência Nacional aos Tuberculosos pela Rainha Dona Amélia.  A entidade foi essencial para o início do combate à doença a nível nacional.

Contudo, apesar de os números de infetados e mortes terem diminuído nos últimos anos, a pandemia de COVID-19 acabou por retroceder o processo. De acordo com o relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2021, pela primeira vez em dez anos as mortes por tuberculose aumentaram. Isso resultou, principalmente, da diminuição nos gastos gerais para o tratamento da doença e a dificuldade de agendar atendimento durante o confinamento.

Por outro lado, de acordo com o mesmo relatório, os líderes de todos os Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) pretendem “acabar com a epidemia global de tuberculose” até o ano de 2030.  

Porém, até lá, é importante estarmos atentos a essa doença. O Escolher Viver ajuda-o com as informações essenciais:

Tipos

A conhecida como “tuberculose primária” acontece quando há o primeiro contacto com o bacilo. Nessa fase, as bactérias podem ser travadas pelo sistema imunitário que impede a propagação da doença.

Nesse caso, acontece a chamada tuberculose latente ou inativa, onde há a presença de infeção por tuberculose, porém as bactérias estão inativas. É a fase ideal para iniciar o tratamento, em especial porque além de estar numa fase inicial, também não há o risco de contagiar outros indivíduos. Porém, é difícil de ser diagnosticada pois é assintomática.

A latente pode vir a desenvolver-se e a transformar-se na chamada tuberculose ativa, quando a doença já se torna contagiosa e os primeiros sintomas começam a aparecer.

A tuberculose pode também ser definida como pulmonar, quando afeta o pulmão, ou extrapulmonar, quando esta se propaga pela corrente sanguínea e afeta outros órgãos. Enquanto a primeira pode ser contagiosa, a segunda não apresenta risco. Entre os mais comuns tipos de tuberculose extrapulmonar estão:

  • Tuberculose pleural: atinge a pleura, a membrana responsável por revestir a superfície exterior do pulmão. Caracteriza-se pela dor pleurítica e afeta, maioritariamente, adolescentes e jovens adultos;
  • Tuberculose ganglionar: provoca um aumento dos gânglios linfáticos, causando inchaços notáveis na região do pescoço. Pode afetar qualquer grupo etário, mas é mais comum em crianças e jovens adultos;
  • Tuberculose óssea: ocorre quando esta se instala nos ossos e nas articulações, em especial nos joelhos, quadril e coluna. Os sintomas mais comuns são dores nas áreas afetas, dificuldade no movimento e a diminuição da massa muscular. É mais comum em crianças e idosos;
  • Tuberculose do sistema nervoso: também conhecida como neurotuberculose, édefinida pela inflamação das membranas que cobrem o cérebro, as meninges;

Sintomas e diagnósticos

Na tuberculose pulmonar, os principais e mais comuns sintomas são tosse persistente há mais de duas semanas (podendo ou não conter secreções e sangue), perda de peso, febre, cansaço e suores noturnos.  Já na extrapulmonar, existe uma diversidade deles que dependem do órgão afetado.

O diagnóstico consiste na realização de exames bacteriológicos para analisar se há a presença da bactéria Mycobacterium tuberculosis nos tecidos afetados. Uma das ferramentas mais comuns é a prova de Mantoux, que consiste na aplicação de uma substância, a PPD tuberculina, na pele do antebraço.

Caso o resultado seja positivo, para um diagnóstico definitivo de tuberculose pulmonar, ainda será requisitado uma radiografia do tórax. Um diagnóstico precoce é fundamental para diminuir o risco de contágio e a taxa de mortalidade da doença.

Tratamento

É composto pela administração, por via oral, de antibióticos com o intuito de eliminar a bactéria do organismo. O período de tempo depende da fase em que a doença se encontra, podendo demorar entre 6 meses a 2 anos até que a cura completa aconteça.

Além disso, os medicamentos variam de acordo com diversos fatores como a idade, o tipo de tuberculose e a fase em que se encontra (latente ou ativa). Os primeiros efeitos de melhoria como a diminuição da febre e do cansaço, podem começar a surgir após duas semanas.

Contudo, em casos mais avançados, nas duas primeiras semanas o paciente pode apresentar agravamento dos sintomas. Devido a isso, deve ser constantemente acompanhado por um profissional de saúde.

Fatores de risco

Por ser definida como uma doença que depende, maioritariamente, da atuação do sistema imunitário, os indivíduos mais propícios de desenvolver a doença envolvem dois extremos: os mais novos e os mais velhos.

Isso deve-se ao facto de o sistema imunitário desses grupos etários estar mais enfraquecido em relação aos dos adultos, que já possuem as defesas mais bem definidas.

A presença de doenças pré-existentes, como a diabetes e a SIDA, que acabam por alterar a capacidade imunorreativa dos indivíduos, também pode ser considerada um fator de risco para o desenvolvimento da doença.

Contudo, os hábitos diários também desempenham um papel perigoso. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o tabagismo e a ingestão de drogas ilícitas podem auxiliar na sua propagação.

Como prevenir?

A primeira forma de prevenção existente é a vacina que leva o nome do bacilo responsável pela tuberculose, o Bacillus Calmette-Guérin (BCG). Esta é administrada nos bebés logo após o nascimento e pode ser essencial para diminuir o risco de desenvolvimento da doença e auxiliar o organismo na luta contra a bactéria, caso o contágio aconteça.

Manter o ambiente onde vive limpo pode parecer simples, mas é essencial para travar a propagação da doença caso esta venha se manifestar em alguém próximo de si.

Além disso, é importante ter um estilo de vida saudável, equilibrando uma boa alimentação com atividades físicas e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o tabagismo para assim, darmos ao nosso sistema imunitário tudo o que precisa para lutar contra agentes que possam vir a causar complicações como a tuberculose.

Outras histórias que vai querer ler

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.