DIÁRIO DE UMA EX-OBESA – III

Sofia Grangeio

Uma história de superação. Confissões, vitórias e derrotas contadas na primeira pessoa. Todas as semanas, Sofia escreve uma crónica no site Escolher Viver.

Mais uma semana e mais um pedacinho do meu percurso para alcançar uma vida saudável e um “bom viver”. Desta vez, vamos mesmo lá atrás, aos meus 20, 21 anos. Uma espécie de viagem ao passado, para recordar como correu uma das primeiras dietas de que me lembro de ter feito mais a sério e com consciência! É importante esta viagem, acreditem. É a soma destas experiências que nos moldam, que nos ajudaram a criar força para um combate duro, que nunca está concluído.

E esta crónica semanal que aqui vos trago é sempre uma forma de conversar convosco, de vos contar a minha história e de, com ela, poder ajudar outras pessoas. Ajudar sobretudo a não desistir. Esse é o objetivo principal. E se me permitem o conselho, esse é o único que tenho para vos dar: nunca desistam.

Bem, voltemos ao passado. Já vos dei conta aqui dos resultados de cada uma das minhas tentativas para perder peso: de início tudo corria às mil maravilhas, sentia-me uma vencedora focada a 100% no meu objetivo e cada grama ou centímetro a menos chegava para levantar o meu astral!! O “balão” do meu ego enchia… mas, mais uma vez, era tão lento este processo, mas mesmo tão lento, que ao fim de algum tempo já estava toda baralhada e “desfocada”! E lá voltava ao disparate total, às refeições de conforto, às “minhas amigas”. Porque é disso que se trata: há momentos em que a comida parece ser a salvação, a nossa principal aliada. Racionalmente, sabemos bem que não é assim, mas naqueles momentos, não queremos saber da Razão para nada. Mas, como me considero guerreira e persistente, lá renascia a vontade de recomeçar. E recomeçava tudo de novo.

Quem já passou por tudo isto sabe bem do que falo, e conhece um termo muito popular entre nós: o das dietas iô-iô, de estica e encolhe. Foi assim grande parte da minha vida. Uma das primeiras tentativas “a sério” que fiz foi… a dieta da sopa. Eu não gostava de sopa, nem pintada, mas naquele tempo havia a “crença” de que uma dieta feita à base de sopa era muito eficaz. Confesso que não sei quem ma “receitou”, ou que estudos científicos li. Muito francamente, talvez tenha ouvido alguém dizer que era o que dava mesmo resultado e que garantia uma redução de peso em apenas uma semana. Ora, palavras mágicas para um gordo. ‘Bora lá arregaçar as mangas e seguir esta dieta à risca! Lá estavam quatro refeições feitas só com sopa, sem batata, por vezes fria porque fora de casa o mais provável era não haver onde aquecer. Como vos disse, sopa não era a minha praia. Mas se era para emagrecer, todos os sacrifícios eram legítimos. É sopa que querem? Vamos lá à sopa: engolia-a de nariz tapado.

Escusado será dizer que aguentei a primeira semana da praxe. Só que a redução de peso e volume foi tão insignificante que… mandei as sopas às urtigas e voltava ao meu menu de sempre! Foi o primeiro falhanço. O primeiro de muitos. Mas, como sempre, assumia a derrota, renascia a vontade de voltar a tentar outra dieta milagrosa.

Até para a semana!

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