Dieta low carb para emagrecer? Nutricionistas preferem equilíbrio

Nuno Azinheira

Diretor do Escolher Viver

Os planos alimentares com restrição de hidratos de carbono são uma estratégia muito conhecida para perder peso muito rapidamente. “O pior vem depois”, alertam três nutricionistas consultados pelo Escolher Viver. “Os carboidratos são essenciais para dar energia e não vivemos sem eles”. O equilíbrio parece ser a palavra-chave.

“Dieta mágica? O que é isso? Não há dietas mágicas para perder peso”, afirma Sofia Tomás. A nutricionista de Cascais, que é seguida no Instagram por mais de 40 mil pessoas, não acredita em truques de magia. “Sou muito a favor de dietas equilibradas. Tudo o que sejam grandes restrições leva-nos a resultados rápidos, mas não a resultados duradouros”, conta a nutricionista, que foi capaz, ela própria, de se livrar do excesso de peso de que padeceu no passado. “Perdi 36 quilos e não foi à custa de dietas muito restritivas”, explica.

O segredo, diz Sofia Tomás, “está no balanço calórico diário”. Ou seja, “o que é importante é que no final do dia tenhamos gastado mais calorias do que as que consumimos”.

A nutricionista, que é parceira do Escolher Viver desde novembro do ano passado, assume ter “mixed feelings” em relação às dietas low carb. “Nós precisamos de hidratos de carbono, porque, mesmo quando estamos em regime para perda de peso, continuam a ser a nossa principal fonte energética”. Por isso, defende que o low carb “em determinadas alturas do dia pode ser um grande aliado”, mas não defende um plano alimentar desprovido de hidratos de carbono como base.

Na sua prática diária enquanto nutricionista, defende o equilíbrio como prática correta. “Em minha opinião, não se deve retirar por completo o pão, que é algo que os portugueses gostam, ou retirar o arroz, as massas e a batata, mas determinar horas em que esses alimentos podem ser consumidos”, afirma Sofia Tomás, que diz concordar com um regime low carb ao jantar, “reforçado com sopa, com menos proteína animal e mais legumes”. “À noite não gastamos tanta energia. Ora, se ela não é gasta, os hidratos que comemos são armazenados em forma de gordura”, conclui.

Low carb ou… low fat?

Outro nutricionista, Pedro Carvalho, professor universitário e co-autor de vários livros publicados, admite que as dietas low carb “podem ser uma forma de ganhar créditos calóricos durante a semana, para utilizar nos momentos sociais, quando se costuma comer mais”. “Faz mais sentido ser low fat do que low carb, pela simples razão de que cortando as gorduras se pode comer mais quantidade de comida pelas mesmas calorias do que cortando hidratos”, explica o profissional, que foi nutricionista do FC Porto e é doutorado em Ciências do Consumo Alimentar e Nutrição.

Pedro Carvalho sublinha que “qualquer dieta pode resultar desde que a pessoa se consiga adaptar bem a ela”, mas reforça que “normalmente, os maiores desejos podem estar no pão, coisas com açúcar e hidratos à refeição”, pelo que, insiste, “importante mesmo é baixar as gorduras que se comem ao longo do dia”.

No fundo, o que é absolutamente imprescindível é “aprender a comer de forma saudável”, observa Inês Panão, nutricionista da Casa Fit, o estúdio de exercício físico situado em Alfragide, às portas de Lisboa, e dirigido pelo personal trainer Luís Gonçalo Martins. “A quantidade de hidratos de carbono a ingerir ao longo do dia depende da nossa atividade e é algo que deve ser estimado sempre pelo nutricionista”. Para esta profissional, difícil não é perder massa gorda – e aí as dietas low carb são “uma estratégia muito famosa”. “A grande questão é a manutenção dessa perda”, sublinha. E aí só há uma fórmula: “é tudo uma questão de equilíbrio”.

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