Dietas ioiô: o segredo dos famosos ou da vizinha não é a receita certa para si

Natália Cavaleiro Costa

Nutricionista inscrita na Ordem dos Nutricionistas com o número 1099N

São uma tentação. Prometem um corpo perfeito, um efeito milagroso, uma perda de peso rápida. Os anúncios entram-nos diariamente pela televisão ou pela rádio, com direito a testemunhos encenados, ou através das páginas das revistas. São muitas as dietas – e para todos os gostos. E muitos desgostos, porque no final tudo volta ao mesmo. São as dietas ioiô.

O efeito ioiô caracteriza-se por dietas hipocalóricas (baixas em calorias), com o objectivo de perda de peso a curto prazo, com efeito ricochete ao final de algum tempo – recuperação de peso.

Quem nunca quis perder uns quilinhos a mais porque o verão está à porta, porque vai a um casamento e quer caber impecavelmente naquele vestido, porque abusou nas épocas festivas e o botão das calças teima em não abotoar?

Procuram-se resultados rápidos num curto espaço de tempo, mas como em tudo na vida a pressa é inimiga da perfeição.

Embarca-se em regimes muito restritos, muitas horas de jejum: basicamente passa-se fome. O nosso organismo, como maquina perfeita que é, vai ajustar-se, e se o défice calórico, isto é a diferença entre as calorias ingeridas e as gastas,  for negativo, o metabolismo vai desacelerar e consumir menos calorias como mecanismo de defesa.

O resultado vai ser realmente uma descida de peso, mas como estes regimes são impossíveis de manter a médio e longo prazo, quando se volta ao regime normal, o metabolismo mantém-se nesse modo de “poupança” e as calorias ingeridas em excesso acabam por ser armazenadas sob a forma de reservas de gordura.

Em consulta, mais de 40% dos meus pacientes já experimentaram o efeito desse tipo de dietas. Falam dessa dieta como se fosse o “el dorado”, um momento feliz nas suas vidas e de como tinham recuperado a auto-estima, mas geralmente  menos de um ano depois acabaram por recuperar o peso, e em alguns casos ganharam mais algum… Aposto que alguns dos leitores já se vão identificando, terão passado pela mesma situação.

Quando um paciente vem à minha consulta para emagrecer, há uma questão que surge frequentemente: Dra, quanto tempo vai levar a atingir o meu objectivo?  A minha resposta em tom de brincadeira é sempre a mesma: não tenho um turbante na cabeça nem uma bola de cristal para adivinhar o futuro. Tudo depende de três factores: adesão ao plano alimentar, prática de exercício físico e resiliência. Não sacrifício, resiliência. De perceber que vai levar o seu tempo, que vai ser preciso mudar hábitos alimentares, fazer cedências, passar a ser mais activo fisicamente, beber mais agua, ter uma boa higiene de sono e, acima de tudo, assumir o compromisso de que, apesar de haver dias festivos em que possamos abusar em alimentos ditos “proibidos”, o foco manter-se-à.

Não há pressas, há um caminho a percorrer. Há a implementação de novos hábitos, para que sinta bem na sua pele no verão, no casamento da melhor amiga ou quando o natal terminar.

Deixo-lhe, pois, este conselho: pela sua saúde, não embarque em dietas dos famosos, da moda ou da vizinha do lado, procure ajuda profissional. Trace objectivos reais com um plano alimentar adaptado a si, aos seus gostos e ao seu estilo de vida.  

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