O que é a doença renal crónica? Como tratar e como prevenir?

Ana Sofia Veiga

Aluna de Jornalismo e Comunicação da ETIC

Voltamos hoje aos rins, até porque as doenças do foro renal estão no topo das prioridades dos portugueses. E não devia ser assim. A doença renal crónica pode ser muito grave e impactar de forma decisiva a vida dos pacientes. O melhor é sempre prevenir.

Os rins são os principais órgãos responsáveis pelo metabolismo dos nutrientes e equilíbrio nutricional do organismo. Para além disso, têm outras funções muito importantes, como a eliminação de resíduos e o controlo dos fluidos corporais e da pressão arterial. Quando existe uma degradação lenta e irreversível da função renal, está-se perante uma doença renal crónica (DRC).

Edgar Almeida, o atual presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN) e diretor clínico do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, admite que “há uma certa desvalorização da doença renal, porque não tem repercussões imediatas, mas é irreversível, portanto quanto mais cedo interviermos, melhor”.

2022 é considerado o ano da “Saúde Renal Para Todos”, pela comissão de organização do Dia Mundial do Rim – que se celebrou no passado dia 10 de março. Nesse dia, o Escolher Viver publicou um texto precisamente sobre a importância dos rins e as principais doenças a ele associados. Agora, voltamos ao assunto, fornecendo-lhe mais informações que precisa de saber no que respeita à doença renal crónica. “Aumentar o Conhecimento para Um Melhor Cuidado Renal” é o que defende a Sociedade Portuguesa de Nefrologia. E nós também.

O que é?

A doença renal crónica abrange todas as idades e géneros, embora a sua incidência seja maior nos adultos e idosos.

A nível mundial, milhões de pessoas padecem deste problema. Calcula-se que 1 em cada 10 adultos em todo o mundo possam sofrer de doença renal crónica que, se não for tratada, pode ser mortal. Em Portugal, cerca de 10% da população tem esta doença. Aliás, prevê-se que, em 2040, possa ser a quinta principal causa de morte.

Quando há essa perda progressiva e irreversível da função renal, os rins vão perdendo a capacidade de filtrar resíduos, acumulando-se eletrólitos e substâncias tóxicas na corrente sanguínea.

Neste caso, a saúde e o bem-estar do paciente ficam comprometidos. A anemia, as doenças ósseas, as alterações do sono e as alterações gastrointestinais são consequências que podem advir.

Os sintomas

Nos primeiros estádios da doença, há uma ausência de sintomas. Isto acontece, porque os rins se vão adaptando à perda progressiva da sua função. Ou seja, os sinais só aparecem quando a patologia já é muito grave.

Os sintomas mais frequentes são:

  • Ardor ou dificuldade em urinar;
  • Urinar constantemente, sobretudo durante a noite;
  • Sangue na urina;
  • Olhos, mãos e/ou pés inchados, especialmente em crianças;
  • Dor por baixo das costelas;
  • Tensão arterial elevada;
  • Cansaço gradual;
  • Fraqueza generalizada;
  • Insónias progressivas;
  • Perda do apetite;
  • Náuseas;
  • Vómitos.

As causas

A diabetes e a hipertensão arterial são as maiores responsáveis pela doença renal crónica. As outras causas também vulgares são: a glomerulonefrite, a pielonefrite, os rins poliquísticos, doenças que afetem o sistema imunitário (como a lúpus) ou infeções urinárias recorrentes graves.

Por outro lado, o fator hereditário também tem um papel relevante. Há uma maior tendência para a doença renal crónica, se houver um histórico familiar de doença renal.

O tratamento

Se é detetada no começo, a medicação e as mudanças na alimentação e no estilo de vida possibilitam o prolongamento da “vida” dos rins e, deste modo, o paciente continua a sentir-se bem por mais tempo.

Logo, o tipo de tratamento tem em consideração a fase da doença. O objetivo é corrigir os problemas originados pelo mau funcionamento dos rins e impedir que estes deixem de funcionar – o que corresponde à insuficiência renal – ou, pelo menos, adiar a sua degradação.

É preciso tomar medicação, para controlar a pressão arterial, reduzir os níveis de colesterol, corrigir anemias, repor os níveis de cálcio e de fósforo e fornecer as hormonas que o rim não é capaz de produzir.

O regime alimentar também é fundamental. Ajuda a regular a tensão arterial e a diminuir a concentração de substâncias – como a ureia, o fósforo ou o potássio – que os rins doentes não conseguem eliminar em quantidade suficiente. Relativamente ao fósforo alimentar, o consumo de refrigerantes com fósforo, refeições pré-cozinhadas e outros alimentos processados com aditivos com fósforo deve ser evitado.

Quando o doente tem tensão arterial alta, deve-se eliminar o sal e não comer enchidos ou conservas. Nas pessoas diabéticas, deve-se vigiar as gorduras e o açúcar.

No caso de os rins estarem a funcionar a menos de metade do normal, é recomendada a redução da ingestão de proteínas, como a carne e o peixe (dado que os rins já não conseguem eliminar as substâncias que resultam desse consumo).

A dieta vegetariana é uma forma de retardar a progressão da doença renal. Ao substituir apenas uma porção diária de carne vermelha por soja e legumes, poderá diminuir o risco de doença renal final (estádio 5) em 50%.

Contudo, cada doente deve ter um plano alimentar próprio, de acordo com a sua situação clínica e necessidades individuais.

Numa fase mais avançada, que se verifica quando se atinge uma função renal inferior a 15% do normal, torna-se necessário recorrer a uma técnica de substituição da função renal: a diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou o transplante.

Porém, é importante mencionar que um único rim saudável é suficiente para assegurar uma função renal completamente normal.

A prevenção

As seguintes recomendações ajudam a reduzir o risco de doença renal crónica:

  • Manter um peso normal;
  • Evitar o tabaco e o álcool;
  • Praticar exercício físico com regularidade;
  • Controlar a diabetes e a hipertensão;
  • Realizar exames periódicos;
  • Seguir uma dieta saudável, pobre em gorduras e sal.

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