“É o 38 ou o 40?” Não deixe que a etiqueta da roupa lhe baixe a autoestima

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

Está no provador. Pega no par de calças que escolheu. É um 38, o número que tem usado. Começa a vesti-las e a ter dificuldades em passá-las pelas pernas. Não servem, tem que ser o número acima. “Mas eu visto o 38. Será que engordei?”. Nós respondemos por si: Não! E dizemos-lhe mais: isto não é vaidade, é saúde. Saúde mental.

Não importa se veste o tamanho 34 ou o 44. Saiba que não está sozinha/o nesta situação. Perca ou ganhe peso por uma questão de saúde, não por causa da moda. Não deixe que o simples número de uma etiqueta de roupa lhe altere o seu bem-estar, a sua confiança.

Nos últimos meses, têm surgido milhares de queixas em todo o mundo sobre a bipolaridade dos tamanho de calças estipulados nas principais marcas de fast fashion. Mulheres em todo o mundo partilham o seu testemunho, após experimentarem diversos pares da mesma loja e aperceberem-se que não existe semelhança entre os mesmos.

Nicole Burton, uma cidadã inglesa, partilhou no grupo de Facebook “MrsGloss&TheGoss” uma fotografia a abordar este problema.

Como explicou o jornal The Sun, Nicole terá experimentado o tamanho 12 (equivalente ao 40, em Portugal), de três lojas diferentes, situadas em Stafford, a cidade onde vive: New Look, Pull & Bear e Topshop. Contudo, a compradora deparou-se com a desigualdade presente nos três pares de calças. “São todas do mesmo tamanho!!! Isto confunde-me”, afirmou Nicole, na publicação.

“Fazer compras torna-se, definitivamente, frustrante. Tamanhos não me definem, mas afetam-me mentalmente a 100%”, acrescentou ainda, abordando a raiz do problema.

Pois, embora isto pareça uma questão fútil, vai para além da dificuldade em vestir umas calças. Não é o número que importa, mas sim o que ele representa.

Quando experimentamos 10 pares de calças, para comprar apenas um, sentimo-nos mal, por causa do pensamento de que algo está errado connosco”, sublinhou Mary Alderete, Vice-presidente da secção feminina de marketing global da marca Levi’s, ao The New York Times.

Os tamanhos estão associados a padrões corporais. Padrões esses que muitas mulheres esperam seguir. Quando têm a necessidade de ir procurar um número acima do “seu”, tal pode originar impactos na saúde mental e na maneira como a mulher vê o seu corpo. Isso leva, muitas vezes, a distúrbios alimentares, tais como anorexia e bulimia.

Como explicou Steff Hansen, também de nacionalidade inglesa, ao jornal Metro News, os tamanhos das roupas tiveram um grande impacto na maneira como as compradoras se sentiam no seu corpo – “Acabei por ter anorexia, porque a minha mente me pregava partidas. Ia a uma loja e pegava no meu tamanho habitual, mas não servia”.

Sophie Chung, médica e fundadora da plataforma de saúde Qunomedical, confirmou, ao mesmo jornal, o motivo de surgirem tais problemas – “Somos bombardeados com a ideia de que ser magro é igual a ser bonito e de que ser bonito é igual a ser magro. Se as pessoas não tivessem esta ideia presente na sua mente, não haveria pânico nenhum com o facto de vestir um ou dois tamanhos acima, na loja”.

No entanto, algumas marcas de roupa já estão a tentar combater este estereótipo, adotando estratégias de inclusão, tais como um maior número de tamanhos e modelos apropriados às curvas de cada mulher. O principal objetivo é fazer com que a mulher se sinta confortável ao vestir o número com que se sente melhor e mais confortável. Sendo esse um 34 ou um 44.

A verdade é que um só número é incapaz de definir múltiplos corpos e as suas diferentes particularidades. Não se deixe enganar por uma etiqueta. “Seria agradável apenas pegar num par de calças, olhar para a etiqueta e dizer ‘Isto deve servir-me.’”, concluiu a Marie-Eve Faust, Diretora do Programa de Merchandising de Moda da Universidade de Philadelphia, ao New York Times.

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