É preciso falar da Esclerose Múltipla. Conheça os sintomas, o diagnóstico e o tratamento

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

É uma doença que afeta mais de 2 milhões de pessoas no mundo e 8 mil em Portugal. Incapacitante e dolorosa, a esclerose múltipla permite, ainda assim, uma vida normal, quando devidamente diagnosticada.

A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune, isto é, o sistema imunitário é acionado para atacar tecidos saudáveis do próprio corpo. Esta atinge os componentes do sistema nervoso central, nomeadamente o cérebro e a medula espinhal, responsáveis por controlar tudo o que fazemos.

É partir desse ataque que ocorre a destruição ou dano da mielina (substância protetora das fibras nervosas), dos nervos ópticos e da medula espinhal. Porém, ao contrário de muitos mitos, é possível viver uma vida normal quando diagnosticado com esta doença.

Sintomas

Por afetar o sistema nervoso central, os sintomas podem ocorrer em qualquer parte do corpo onde houve a destruição ou dano da mielina. Também se manifestam de diversas maneiras mediante ao tipo da esclerose múltipla. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • dormência, formigueiro e/ou fadiga muscular
  • perda da sensibilidade
  • problemas de memória
  • tremores
  • tontura
  • problemas intestinais
  • infeções urinárias
  • perda total ou parcial da visão

Além disso, apesar de não serem tão comuns, o paciente ainda pode apresentar dores de cabeça, problemas de audição, problemas respiratórios e convulsões.

Fatores de risco

Os primeiros sintomas da EM começam a se manifestar entre os 20 e 40 anos e pessoas do sexo feminino são mais propícias a desenvolverem a doença. A deficiência de vitaminas, nomeadamente a D (responsável por fortalecer o sistema imunitário) e a B12 (auxiliar na produção de mielina), também podem influenciar no aparecimento da mesma.

Além disso, os fatores ambientais podem ser considerados um fator de risco. Pessoas que vivem em climas temperados com pouca exposição a luz solar e, consequentemente, um menor nível de vitamina D no organismo, têm mais probabilidade de desenvolver EM. Outros fatores de risco incluem também o tabagismo e o contacto com tóxicos ambientais.

Diagnóstico

Embora não exista um teste específico, os casos de EM são geralmente detetados por exames neurológicos como a ressonância magnética. Porém, podem demorar para serem diagnosticados por apresentarem sintomas semelhantes a outras doenças como a SIDA e a doença de Lyme. Devido a isso, muitos médicos optam por fazer exames que excluam o diagnóstico dessas doenças até a devida confirmação.  Por outro lado, em casos que os sintomas não são comuns, o seu diagnóstico pode demorar ainda mais tempo.

Tratamento

Ainda não há uma cura específica para a esclerose múltipla. Os medicamentos e terapias disponíveis apenas modificam e/ou retardam o processo evolutivo da doença, reduzindo a frequência dos sintomas e possibilitando uma vida normal. O Serviço Nacional de Saúde assegura esses medicamentes gratuitamente para pacientes de EM sob prescrição do neurologista responsável. Por outro lado, pacientes que apresentam sintomas leves e menos frequentes não precisam de recorrer a medicamentos.

Como viver com Esclerose Múltipla?

  • Ter um estilo de vida saudável

Todos devemos ter um estilo de vida saudável, mas essa necessidade é ainda mais importante para os indivíduos com EM. Uma alimentação inadequada e atividades como fumar regularmente podem piorar o estado clínico do paciente.

Portanto, uma dieta equilibrada, diversa e saudável é fundamental para amenizar os sintomas da EM, nomeadamente a degradação da massa muscular, os problemas intestinais e as infeções urinárias. Deixar de fumar é essencial para diminuir o risco de desenvolver a EM e problemas respiratórios que também podem afetar a saúde do paciente e o agravamento dos sintomas.

  • Partilhar o diagnóstico com familiares, amigos e conhecidos

Apesar de ser um tópico sensível é importante partilhar o diagnóstico da doença, os medos, as dúvidas e adaptação com amigos, familiares e colegas de trabalho. Muitos doentes sentem-se apreensivos em contar para os filhos, nomeadamente para as crianças menores, com medo da reação dos mesmos.

É fundamental adequar a forma de contar de acordo com a idade e lembrar que informar as crianças menores é melhor do que a desinformação, pois esta pode afetar negativamente o desenvolvimento das mesmas e também, o relacionamento com o indivíduo. Lembre-se que os filhos, independentemente da idade, amam os pais incondicionalmente e estarão prontos para os apoiar!

Esta partilha pode auxiliar em um maior suporte físico e mental por parte das pessoas ao redor do paciente e uma maior adaptação ao meio.  Porém, é importante ressaltar que esta deve ser feita no seu próprio tempo e quando o paciente se sentir confortável.

  • Aumentar a consciencialização da sociedade

Esse ponto não diz respeito, em particular, dos doentes com EM. Cabe a todos nós consumir informações para auxiliar uma maior inclusão desses indivíduos na sociedade. O Movimento EM, baseado em testemunhos e experiências citado pela Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, enumera sete princípios para melhorar a qualidade de vida dos doentes. Estes vão desde a inclusão desses indivíduos nas decisões que afetam a sua vida até atitudes que promovam a igualdade e lutem contra a discriminação.

Além disso, a SPEM também disponibiliza diversos suportes aos pacientes com esclerose múltipla em Portugal, desde grupos de apoios até consultas com nutricionistas para a elaboração de dietas adequadas.

Outras histórias que vai querer ler

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.