Exercício físico em busca da felicidade. Cinco benefícios para a saúde mental

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

A ansiedade afeta cerca de 10% da população mundial e prevalece nas mulheres, em relação aos homens. A prática de exercício físico reduz o risco de desenvolver essas perturbações em 60%. Por isso, mexa-se! Não só pelo seu corpo, mas pela sua saúde mental.

Não é uma novidade, porque empiricamente todos sabemos que o exercício físico faz bem. Não só ao corpo, mas também à mente. Os estudos, porém, têm-se multiplicado e caminham todos na mesma direção, com provas que sustentam aquilo que empiricamente já sabíamos: a importância do exercício físico.

Um deles é um estudo publicado pela revista Frontiers, realizado por um grupo de investigadores da Universidade de Lund, na Suécia, a mais de 400 mil atletas de esqui da Corrida de Vasa. Os participantes foram acompanhados entre 1989 e 2010 e verificou-se uma redução significativa dos níveis de ansiedade, em quase 60%.

Embora esta amostra não seja representativa de toda a população, por se tratar da análise de um desporto em específico, há outros estudos a comprovar os benefícios do exercício físico para a saúde mental.

Uma investigação liderada pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos da América, realizada a mais de 1,2 milhões de adultos, comprovou que estas pessoas tinham uma média de 3,4 dias de problemas ligados à saúde mental, por mês. De acordo com as conclusões publicadas no The Lancet Psychiatry, esta média decaía 1,5 dias, quando praticavam exercício físico.

Além disso, os resultados também verificaram a influência dos diferentes tipos de exercício físico para a saúde mental. Os exercícios de mindfulness, como o ioga, reduziam em 23% os dias de perturbações, os desportos coletivos e o ciclismo em 22%, e os exercícios aeróbicos em 21%.

Mas, se não gosta da prática de exercício físico, saiba que, apenas ao fazer as suas tarefas domésticas, está a diminuir os dias de problemas de saúde mental em 9,7%.

Afinal, o que tem o exercício físico de tão positivo para a nossa saúde mental?

Benefícios do exercício físico para a saúde mental

Libertação de endorfinas

Também chamadas de “hormonas da felicidade”, as endorfinas são neurotransmissores que agem em resposta ao stress e medo responsáveis por bloquear a dor e controlar as emoções. Estas substâncias estão associadas ao prazer, motivadas pela comida, relações sexuais e exercício físico.

Os resultados são prevalentes nos exercícios aeróbicos, como correr, nadar ou dançar, e é aconselhada a prática de 30 a 45 minutos, com um nível de intensidade leve a médio.

A duração dos efeitos das endorfinas no nosso corpo ainda não é certo, mas pode variar entre uma ou duas horas até 72 horas após o exercício,

No entanto, não se sinta obrigado a praticar exercícios de aeróbica apenas porque são mais eficazes na libertação de endorfinas. Uma das causas de bem-estar, no que diz respeito à prática de exercício físico, é encontrar a modalidade que mais o fascina.

Produção de serotonina, dopamina e oxitocina

Embora a endorfina esteja mais ligada ao stress e à ansiedade, não é a única “hormona da felicidade” a prevenir as perturbações mentais.

A serotonina também é o neurotransmissor responsável por aumentar a nossa autoestima, trazendo uma sensação de positividade ao nosso organismo. Para isso, os exercícios aeróbicos são os que trazem mais efeitos na produção desta substância, mas todos os tipos de atividade física a estimulam.

A dopamina é a hormona responsável pela motivação e pela sensação de prazer, quando atingimos algo pelo qual ambicionávamos. A produção desta substância é ampliada na atividade física, sendo recomendada a prática de exercícios físicos de que realmente gosta.

Por fim, para completar o quarteto da felicidade, temos a “hormona do amor”. Apesar de não ser a mais estimulada pelo exercício físico, a sua prática também tem grandes efeitos, por aumentar a confiança e a sensação de bem-estar.

Para isto, pode praticar qualquer atividade física e a meditação também é recomendada. E, para aumentar a produção desta substância, poderá também levar companhia, gerando empatia capaz de combater o stress.

Redução dos níveis de cortisol

A “hormona do stress” é produzida pelas glândulas suprarrenais, localizadas acima dos rins, e, apesar de ter este nome, é fundamental para o nosso organismo. Além de agir como um anti-inflamatório, o cortisol ajuda a controlar o stress e a fortalecer o sistema imunitário.

No entanto, quando existe excesso, é prejudicial para a nossa saúde, atrasando o metabolismo, aumentando o apetite, piorando a memória e a concentração e muitos outros danos. Deste modo, também pode contribuir para o aumento do peso, devido ao desejo por doces gorduras e outros alimentos extremamente calóricos.

Em contrapartida, os níveis baixos de cortisol também trazem outros problemas para o nosso corpo, como o cansaço e a fraqueza. Por isso, é necessário haver um equilíbrio.

O exercício físico, assim como atividades de mindfulness, como o yoga e meditação, são responsáveis por diminuir os níveis de cortisol e, por isso, é recomendado a prática de 30 a 45 minutos diários.

Aumento da temperatura corporal

O aumento da temperatura do nosso corpo, motivada pela prática de exercício físico, está diretamente relacionada com a perda de apetite. Mas como?

As regiões cerebrais associadas ao stress e à depressão também sofrem um aquecimento, devido à produção das “hormonas da felicidade”. Isto traduz-se na diminuição dos valores de depressão, prevenindo perturbações da saúde mental.

Melhoria da qualidade do sono

Associados às perturbações mentais estão também os distúrbios do sono. O ritmo circadiano é influenciado pela luz e pelo exercício físico, sendo uma das principais influências do sono, estando também relacionado com os níveis de cortisol.

Deste modo, é preferível realizar exercício físico de manhã ou de tarde, de modo a permitir que a temperatura do corpo volte a baixar, depois de aumentada com a atividade física, e de reduzir os níveis de cortisol.

Além disso, a prática de exercício à noite também está associada a locais iluminados artificialmente, como ginásios, e com uma grande intensidade de luz, que leva ao bloqueio da melatonina (“hormona do sono”), atrasando o adormecimento.

Outras histórias que vai querer ler

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.