Fiambre ou mortadela: o que é melhor para pôr no pão?

João Rodrigues

Nutricionista inscrito na Ordem dos Nutricionistas com a cédula 3657N

Na hora de comer uma sandes, o que usa: queijo, fiambre ou ambos? Mas há também quem opte pela mortadela em vez do fiambre. Será uma boa alternativa? Será nutricionalmente mais equilibrado? O nutricionista João Rodrigues arbitra este duelo do nosso quotidiano.

Na grande maioria das vezes, quando se come pão, coloca-se algum recheio no seu interior, sendo que atualmente há inúmeras opções de alimentos que podem ser utilizados para esse fim. Para quem gosta mais de doces, as compotas, geleias, marmelada, mel, ou cremes de chocolate (com ou sem avelãs) são normalmente os eleitos. Para quem prefere os salgados, a manteiga, o queijo, os fumados ou os enchidos são frequentemente a primeira opção.

O duelo de hoje vai colocar frente a frente dois alimentos que pertencem a esta segunda categoria e que são obtidos a partir de carnes processadas. O fiambre é preparado a partir da gelatinização (cozedura a baixas temperaturas) de pedaços de carne. Já a mortadela é o resultado da trituração/moagem de pedaços de carne, e só depois é que se dá a cozedura a baixas temperaturas. Claro que os temperos são diferentes, bem como a qualidade das carnes utilizadas, mas do ponto de vista tecnológico a principal diferença está na ocorrência (ou não) da trituração da carne.

Que comece o combate…

Analisando a tabela a tabela verifica-se que o fiambre é menos calórico, não só porque contém menos hidratos de carbono mas essencialmente devido ao menor teor de gordura. A quantidade de proteína e de colesterol é semelhante em ambos os alimentos. Quanto às vitaminas, existe mais vitamina B1, B6 e E no fiambre, mas mais vitamina B3, ácido fólico e B12 na mortadela. Em relação aos minerais, os níveis de sódio são menos elevados na mortadela. Esta apresenta ainda mais cálcio, ferro e fósforo, ao passo que a quantidade de potássio, zinco e magnésio é superior no fiambre.

Concluindo, o vencedor deste duelo acaba por ser o fiambre. Esta vitória deve-se sobretudo ao facto do fiambre ter um potencial energético inferior, e uma composição em macronutrientes mais favorável (principalmente no que diz respeito à gordura).

Já em relação aos micronutrientes, o duelo foi muito equilibrado, tanto no caso das vitaminas como no caso dos minerais. A comparação destes dois alimentos permite destacar alguns dados importantes.

Em primeiro lugar, ambos os alimentos contêm quantidades elevadíssimas de sódio, que é o mineral relacionado com a hipertensão arterial, pelo que, só por isso, o consumo dos mesmos deve ser efetuado com muita moderação. Em segundo lugar, este duelo permite perceber que na realidade o fiambre e a mortadela são até bastante parecidos do  ponto de vista nutricional.

Na hora de optar por qualquer um deles, um dos critérios que mais deve prevalecer é a preferência individual de cada um. Ou seja, a regra deve ser comer qualquer um deles com pouca regularidade, mas de acordo com o seu gosto. Claro que há vários tipos de fiambre e vários tipos de mortadela, e essas variantes podem e devem ser consideradas. De uma maneira geral os fiambres de aves e a mortadela de aves são as melhores opções.

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