Fibromialgia, uma patologia crónica que melhora com o exercício

Vanessa Santos

Fisiologista do Exercício Clinico e Doutorada em Atividade Física e Saúde Investigadora na Faculdade de Motricidade Humana

Caracterizada por manifestação de dor crónica difusa, a fibromialgia é uma síndrome clínica que se manifesta em diferentes pontos do corpo, principalmente, nos músculos e articulações. Conheça os sintomas e a importância do exercício físico numa doença que impacta também a vida de muitas figuras públicas.

 A fibromialgia afeta homens, mulheres e crianças, mas são as mulheres as mais afetadas. Em cada 10 doentes com fibromialgia, 7 a 9 são mulheres.

Em Portugal estima-se que existam cerca a 3,6% casos já diagnosticados, mas devido ao difícil diagnóstico esta percentagem poderá ser superior.

Não se conhecem ao certo as causas que estão na origem desta patologia, mas a literatura demonstra que existem diversos fatores que podem contribuir para o seu desenvolvimento. Alterações dos neurotransmissores e do processamento da dor, tanto a nível do sistema nervoso central e periférico que pode levar ao aumento da sensibilidade à dor. Situações de hipersensibilidade a estímulos externos e o stress psicológico favorecem estes mecanismos, além de aumentar também a tensão que se transmite aos músculos. Esta é uma patologia para a qual não existe cura, e é de difícil diagnóstico, uma vez que não existem exames específicos.

Esta condição clínica apresenta também outros sintomas, como formigueiros, tremores, distúrbios no sono, fadiga em excesso, depressão, ansiedade, dores de cabeça, rigidez muscular, incapacidade funcional e até mesmo complicações intestinais, prejudicando física, psicológica e socialmente a pessoa diagnosticada. A fibromialgia é uma patologia altamente incapacitante / limitante que interfere na qualidade de vida. Muitas vezes devido à limitação e dificuldade de diagnóstico estes doentes acabam por ser incompreendidos e negligenciados na sociedade.

Os sintomas variam muito em intensidade, podem mesmo desaparecer ou diminuir temporariamente e reaparecer mais tarde. Essas alterações podem estar relacionadas com mudanças de tempo, questões hormonais, stress, depressão, ansiedade ou com um esforço maior do que o habitual.

Para além dos tratamentos farmacológicos que podem amenizar a dor, também existe tratamentos não farmacológicos que promovem inúmeros benefícios nesta condição clínica. O exercício físico regular é fundamental para ajudar estes doentes. O estado de imobilização a que muitos doentes com fibromialgia se remetem devido ao medo de desencadear as dores, leva a uma deficiente condição física com redução da força e da funcionalidade muscular.

A prática regular de exercício físico vai promover os seguintes benefícios:

  • Diminuir a tensão muscular, o stress e a ansiedade;
  • Facilitar o sono;
  • Favorecer a recuperação da capacidade aeróbia para um maior aporte de oxigénio ao organismo;
  • Fortalecer a musculatura corporal;
  • Ajudar a recuperar a flexibilidade, equilíbrio, coordenação e agilidade, indispensáveis na realização das tarefas diárias;
  • Promover uma maior eficácia circulatória;
  • Reduzir o risco de quedas e instabilidade articular;
  • Retardar o aparecimento das crises e reduzir o tempo de incidência;
  • Promover melhorias na auto-estima e a qualidade de vida.

O programa de exercício dever ser individualizado para cada doente, dependendo da sua condição física, da fase em que se encontra (com ou sem dor), tendo sempre em conta as suas preferências de forma a facilitar o seu empenho e motivação. Muitos dos doentes relatam maior incidência de rigidez arterial da parte da manhã, devendo privilegiar-se o período da tarde para realizar exercício. Também as condições climatéricas devem ser tidas em conta, evitar realizar exercício em ambiente muito quentes ou muito frios. Em momento de crises agudas de dor o exercício físico deve ser adiado.

O treino inicialmente deve ser de baixa intensidade, procurando progredir gradualmente. Devem ser privilegiadas cargas leves, ou mesmo exercícios sem carga apenas com o peso do corpo, idealmente realizados diariamente, de forma a promover ganhos mais progressivos. Devem ser evitados exercícios com impacto numa fase inicial até garantir que estes não pioram os pontos de dor. Os movimentos não devem ser extenuantes. Estudos têm demonstrado resultados muito eficientes quando combinados exercícios propriocetivos com outros exercícios.

Não deixe que a fibromialgia comande a sua vida, comande você o seu treino!

FIGURAS PÚBLICAS QUE SOFREM DE FIBROMIALGIA

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