Hiperidrose. Um palavrão que significa suar em excesso. Sofre deste mal?

Diana Rosa

Jornalista

Sua tanto que tem de andar sempre a trocar de roupa? Anda com as mãos e os pés sempre desconfortáveis com tanta transpiração? Se tem de ter sempre um guardanapo perto de si para secar as mãos enquanto escreve, este texto é para si, mas também para todos aqueles que suspeitam ou vivem de perto con alguém que tenha hiperidrose.

Estima-se que pelo menos 150 mil portugueses vivam com esta condição de transpirar em excesso.

A quantidade de suor libertado depende do organismo de cada um. Os fatores responsáveis por este fenómeno podem ser de várias ordens, como stresse, alterações hormonais, gravidez, menopausa, entre outros.

Já a nicotina, o álcool e o café, por serem estimulantes, favorecem ainda mais o aumento desta substância.

Isto pode afetar a autoestima de quem sofre desta patologia, que muitas vezes tem vergonha do que está a acontecer, assim como normalmente força-se a alterar as suas relações sociais. É comum que se sinta embaraçado por não conseguir controlar o suor e que possa até parecer menos dada à higiene, quando não é verdade. Além disso, quem sofre deste problema evita escrever porque molha a folha de papel, foge a apertos de mão e outros cumprimentos em geral, não pega em objetos de outras pessoas com medo de os deixar molhados, e até o uso de sapatos abertos é algo a evitar para que não se notem as manchas da transpiração. A condução também é afetada, pois muitas vezes o volante acaba por escorregar das mãos dado o elevado fluxo de transpiração. Portanto, o que parece ser um mal menor, acaba por se tornar altamente limitativo no que diz respeito às tarefas diárias mais simples.

Há dois tipos de Hiperdriose, a primária e a secundária.

Quanto à primária, costuma aparecer na altura da infância ou adolescência, com maior incidência em mãos, pés, cabeça, axilas e rosto, podendo estar associado a questões genéticas.

Já relativamente à secundária, aparece já em vida adulta e está normalmente associada a outras doenças como diabetes, obesidade, gota, gravidez, ansiedade, infeções como HIV, Parkinson, hipertiroidismo, excesso de álcool, entre outras, e manifesta-se na maior parte das zonas do corpo.

Para diagnosticar a hiperdriose há um conjunto de análises que se podem fazer, nomeadamente para descartar a presença de hipertiroidismo ou hiperglicemia. Os pacientes têm também de fazer uma espécie de mapa da sua transpiração para se definir quais os momentos mais agudos da transpiração, que também podem ocorrer durante o sono. Além disso, é realizado o teste termorregulatório de suor, que passa pela aplicação de um pó em alguns locais para ver a reação da pele, uma vez que é um composto sensível à humidade. Quando a transpiração excessiva se agudiza, o pó muda de cor. Este teste também é útil para determinar o grau da doença.

Há tratamento? Sim.

A primeira opção avançada pelos ginecologistas é, normalmente, o uso de anti-transpirantes. Mas é provável que, numa situação aguda, isso para si não seja o suficiente. Por isso, existe um tratamento que consiste em pequenas injeções de botox (toxina botulínica) e a cirurgia propriamente dita.

Nesta cirurgia, o médico cirurgião vai fazer dois pequenos cortes junto às axilas, para encontrar o gânglio responsável pela transpiração exacerbada, e com uma microcâmara são aplicados os chamados clipes de titânio, que vão fazer com que os gânglios deixem de produzir suor. É uma cirurgia em ambulatório que não requer internamento, e o processo todo dura cerca de oito horas desde o momento em que entra  no hospital até ao momento em que sai. Os resultados são visíveis de imediato, e o período de recuperação é quase inexistente.

Para prevenir…

Há dicas úteis para tentar minimizar os sintomas da doença, nomeadamente no que diz respeito ao que veste. Tente vestir peças de tecidos leves e respiráveis, como algodão. Já as meias devem ser de lã merino para evitar a transpiração. Quanto à higiene, é essencial o banho diário com gel antibacteriano, e não se esqueça de secar muito bem a pele depois de sair do banho. Use anti-transpirante em vez de desodorizante, e à mesa evite alimentos picantes, bebidas quentes e álcool, que são estimulantes da produção de suor.

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