Injeção de insulina salvou a primeira vida há 100 anos

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

Leonard Thompson tinha apenas 14 anos, quando se tornou no primeira pessoa com diabetes a receber uma injeção de insulina. Saiba como este medicamento maravilha salvou a vida deste paciente e pode salvar a sua.

Foi em julho de 1921 que um médico e um estudante de fisiologia e bioquímica da Universidade de Toronto descobriram o tratamento que prolongava a vida das pessoas com diabetes. Frederick Banting and Charles Best isolaram a hormona da insulina e conseguiram reduzir os níveis de açúcar no sangue, ao injetá-la num cão diabético.

Meio ano depois, a 11 de janeiro de 1922, a insulina acabou por salvar a vida de um jovem que estava a morrer de diabetes. Ao tomar uma dose, viu os seus níveis de glicose descerem em apenas 24 horas.

Desde então, a insulina foi produzida em grande escala e exportada para todo o mundo pela empresa farmacêutica Eli Lilly. No entanto, e apesar de prolongar as vidas dos diabéticos, causava certas reações alérgicas a quem a consumia, tendo sofrido alterações.

Atualmente, há diversos tipos de insulina comercializadas, atendendo às diferentes condições de cada paciente. Em Portugal, há quatro tipos predominantes, como mostra este quadro extraído do site da APDP – Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal.

Que a insulina tem, como propósito, reduzir os níveis de glicose no sangue, já se sabe. Mas como é que isso se faz?

A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas, responsável por regular a forma como o nosso organismo armazena o açúcar do sangue. Desta forma, quando comemos, o nosso pâncreas liberta insulina, de forma a reservar a glicose encontrada nos hidratos de carbono ou distribuí-la para as células.

Um paciente com diabetes tipo 1 tem dificuldades em armazenar a glicose, pois o seu pâncreas não produz insulina, sendo obrigado a recorrer à insulinoterapia.

Já no caso das pessoas com diabetes tipo 2, o pâncreas consegue produzir insulina, mas as células são incapazes de absorver a glicose. Nem todos os pacientes com esta condição têm que tomar insulina manualmente, mas alguns acabam por fazê-lo, para controlar os níveis de açúcar do sangue e prevenir outras complicações.

A administração de insulina deve ser abordada com um médico, de forma a adequar os tipos às diferentes necessidades do paciente.

Local de administração de insulina

A insulina é, geralmente, aplicada na região do abdómen, que é o local dedicado à ação rápida. Mas também pode ser administrada nas nádegas, no caso de insulinas de ação média, e nos braços e coxas, no tipo de ação lenta.

No entanto, há que ter em atenção as zonas que requerem um maior esforço, como os braços e as pernas, sendo aconselhado evitar administrar nestes locais, se for fazer algum tipo de exercício físico.

Mas começar a tomar insulina não é um processo fácil e requer algum esforço físico e emocional, para esta mudança de vida. Deste modo, damos-lhe diversas dicas, para o começo da insulinoterapia e para a vivência com diabetes.

Dicas para iniciantes de insulina

  • Controle os níveis de açúcar no sangue regularmente: no início, é muito frequente a verificação dos seus níveis de glicose, de forma a ajustar as doses de insulina às suas necessidades, peso, idade e atividade física;
  • Tente tomar insulina que esteja à temperatura ambiente: embora a insulina fechada tenha que ser armazenada no frigorífico, deixar a que já foi aberta de fora, tornando-se mais confortável a administração da dose. Não reserve a insulina em locais de alta ou baixa temperatura, como no carro ou perto do ar condicionado;
  • Mude de agulha a cada dose: não utilize sempre a mesma agulha, cada vez que injeta insulina, pois dificulta o processo e torna-o mais doloroso;
  • Rode os locais de administração: é muito importante que varie nos sítios onde aplica a injeção, de forma a não ganhar depósitos de gordura debaixo da pele, nomeada de lipohipertrofia;
  • Não massaje o local da injeção;
  • Distinga bem as canetas de injeção: tenha muito cuidado, para não confundir as canetas injetoras, que, por suas vez, contêm insulinas diferentes;
  • Arrefeça o local de injeção: passe um cubo de gelo ou arranje outra forma de tornar a superfície onde vai enfiar a agulha mais fria, de modo a facilitar o processo;
  • Distraia-se da injeção: se não gosta de agulhas, faça algo que o abstraia de de ter uma enfiada no seu corpo, como cantar ou outras atividades;
  • Tenha atenção ao prazo de validade: mesmo que tenha comprado a insulina recentemente, é sempre importante verificar se se encontra dentro do prazo e se parece normal;
  • Tenha refeições mais cuidadas e regulares: uma das primeiras alterações a fazer neste novo estilo de vida é a alimentação. Coma de forma mais saudável, de forma a não criar instabilidades na glicemia, e tente fazer refeições sempre no mesmo horário;
  • Tenha sempre um snack à mão: é muito importante que tenha sempre um alimento consigo, em caso de alguma emergência;
  • Recorra às tecnologias para o ajudar: já há aplicações capazes de apresentar os níveis de açúcar no sangue e alertar para as horas em que as doses de insulina devem ser administradas;
  • Nas viagens, transporte a insulina na bagagem de mão: desta forma, previne riscos de extravio das malas de porão e que acabe por se estragar, devido às temperaturas baixas.

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