“Isso é genético!” O peso da família no filme dos quilos a mais

Diana Rosa

Jornalista

No que diz respeito ao peso, todos nós conhecemos dois tipos de pessoas: as que comem tudo o que querem e são magras, e as que passam a vida a contar calorias e mesmo assim permanecem eternas roliças. A prática diária de cada um é importante, mas às vezes a família influencia. E a família, já sabemos, não se escolhe…

Não é só na cor dos olhos ou do cabelo que a genética tem influência quando nascemos. Há muitas características ocultas que são influenciadas pela herança dos nossos pais. O nosso ADN tem, de facto, um papel importante na forma como o nosso metabolismo reage ao que comemos, e é por isso que é tão importante ter a possibilidade de procurar, junto de profissionais, a fórmula certa para que consigamos contornar a genética e atingir os resultados que tanto desejamos, e com saúde. Os nossos genes são aqueles que têm a informação necessária para definir a estratégia de uma vida saudável e equilibrada. A mesma dieta não dá para todos, e é por este motivo que alguns de nós embarca em planos alimentares publicados nas mais variadas plataformas, que até nos podem fazer emagrecer ou engordar, mas assim que relaxamos um pouco, rapidamente voltamos ao ponto de partida. São os chamados planos iô-iô.

Simplificando, se o seu metabolismo for acelerado, pode comer praticamente o que lhe der na gana que irá sempre ter dificuldades em engordar, e o oposto serve para quem não consegue emagrecer. A obesidade é uma doença que, tal como tantas outras, também é vítima do fator hereditário e pode manifestar-se logo desde os primeiros anos de vida.

Ainda assim, estima-se que a hereditariedade seja responsável em 40% nas hipóteses de desenvolver obesidade e também o nosso contexto sociocultural tem muita influência no desenvolvimento desta patologia. A nossa relação com o meio-ambiente que nos rodeia pode ser um fator decisivo na forma como a nossa genética se desenvolve, e é também com base neste aspeto que o seu nutricionista deverá compor o plano alimentar de cada paciente.

Os nossos hábitos de exercício, alimentação e bem-estar psicológico têm, por sua vez, cerca de 60% de responsabilidade pela nossa forma física e também pelo estado da nossa saúde. Ou seja, se cada um de nós tiver costumes saudáveis, atividade física de forma regular, e não nos deixarmos levar pelo stress e ansiedade, é possível contornar as questões genéticas. Talvez mais exigente, mas possível.

Mas a magreza extrema também é um problema e disso poucos falam. Não é só quem luta contra o excesso de peso que tem desafios relativamente à saúde, à autoestima e à aceitação social. É certo que gordura afinal não é formosura, mas défice dela também não.

Para não falar do maior perigo à espreita no caso dos mais magros, que talvez torne o cenário ainda mais grave. É que podem abusar de certos alimentos que causam enormes malefícios sem que os sinais se traduzam no espelho. Traduzem-se na saúde, e muitas vezes de forma silenciosa. Por isso mesmo, se padece desta condição fique a saber que não é pelo facto de não engordar que deve comer doces à vontade, beber álcool e comer fritos como se não houvesse amanhã, ou poderá estar a caminhar para um precipício. A genética pode fazer de nós pessoas magras, mas não pessoas saudáveis. Esse papel é nosso, e das nossas escolhas. Doenças cardiovasculares ou diabetes não são só para gordos.

E por isso mesmo vamos listar aqui alguns conselhos para ambos os casos, e hoje começamos pelas estratégias de quem precisa de engordar.

Para ganhar peso de forma saudável:

  • Faça mais refeições ao longo do dia. Não salte as três principais e inclua pequenos lanches nos intervalos. Ao aumentar o número de refeições, não está a permitir que o corpo vá buscar energia às reservas acumuladas e desacelera o metabolismo. Dê primazia a alimentos que contenham fibra e proteínas magras.
  • Consuma gorduras boas para a saúde, que constam em alimentos como o abacate, peixes como salmão e sardinha, azeite, frutos secos como castanhas, nozes e amêndoas, ou sementes como chia e linhaça. As gorduras presentes nestes alimentos são importantes para a regulação do metabolismo e para fazer a síntese das hormonas.
  • Aposte na proteína, preferencialmente nas que não contenham um elevado teor de gordura saturada. Prefira as carnes brancas consumidas de forma grelhada, assada ou frita em azeite, ovos e queijo magro. Para os vegetarianos ou pessoas que queiram encontrar proteínas no reino vegetal, as leguminosas como lentilhas, grão e feijão são boas fontes proteicas, assim como quinoa, cogumelos e sementes como as de abóbora.
  • Prefira hidratos de carbono complexos. Não é porque não engorda que vai desatar a comer alimentos que contribuem para uma rápida absorção de açúcares, pelo contrário. Se preserva a sua saúde, escolha as versões mais saudáveis como arroz e pão integral, batata-doce, aveia ou quinoa.

Já para perder peso de forma saudável:

  • Tenha horários fixos para as refeições. Comer consecutivamente a horas desreguladas vai criar instabilidade no seu organismo e reduz a sensação de saciedade quando come, e, por outro lado, dar uma ideia de fome ou fraqueza nos intervalos das refeições. Evite comer antes de ir para cama e, se não for diabético, aposte em fazer alguns períodos de jejum ou um dia detox por semana. Vai permitir limpar o organismo e acelerar o metabolismo.
  • Beba 2 litros de água por dia. É o conselho mais velho de todos para todas as questões de saúde mas a verdade é que funciona mesmo. Não só à refeição como fora dela, a água promove a saciedade, ajuda na circulação sanguínea, na digestão, permite desintoxicar o organismo e é fulcral no funcionamento do trânsito intestinal.
  • Faça exercício físico. É uma das grandes armas para acelerar o metabolismo e conseguir emagrecer. Mantenha um ritmo de atividade física regular, nomeadamente no que diz respeito a exercícios aeróbios como correr, saltar à corda, subir e descer escadas, bicicleta ou treinos personalizados. Não abdique de 30 minutos de atividade por dia.
  • Aposte na toma de chás que ajudam a desbloquear a retenção de líquidos e melhoram o funcionamento intestinal, como chá verde, matcha, gengibre, hibisco ou alcachofra.
  • Evite açúcar, gorduras saturadas e álcool.

Mais uma vez, estes conselhos não dispensam o aconselhamento com um profissional de saúde, que tem todas as ferramentas para descobrir, segundo o seu mapa genético, a forma mais eficaz e saudável de atingir os resultados que pretende, não só a nível de peso, como também a nível de saúde.

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