Já concretizou alguma das Resoluções de Ano Novo?

Vanessa Santos

Psicóloga Clínica, inscrita na Ordem dos Psicólogos com o n.º 24323

Já lá vai um mês e meio desde o final do ano passado. Em que ponto está em relação às resoluções que fez? Já deu por si a pensar em desistir? Não tem conseguido ser consistente? Ainda não começou a trabalhar sobre elas?

A verdade é que a palavra resolução é um pouco como ter um sonho: é importante no sentido de olhar para o futuro mas é tendencialmente abstrato. Para que se concretize, temos de tornar os sonhos em objetivos. O mesmo se aplica às resoluções.

Verifica-se com frequência a vontade de implementar novos hábitos: alimentação saudável, exercício, ler mais… Muitas vezes, estas intenções saem frustradas porque acabam por ser definidas de forma impulsiva, porque sentimos que é o mais correto, embora, em boa verdade, possa não ser algo assim tão prioritário neste momento. Ou, por outro lado, por serem passos demasiado grandes, necessitando de uma mudança estrutural na rotina, o que acaba por ser desmotivante.

Antes de mais, pare e reflita sobre o que realmente quer, o que lhe faz sentido e sobre quais são os seus valores. Pode até chegar à conclusão de que neste momento não quer mudar nada na sua vida e está tudo bem com isso! Lá porque se dá o início de um novo ano, não significa que haja necessidade de mudança.

No entanto, se tiver este desejo de mudar, tal só será possível se parar um momento para olhar para dentro. Acima de tudo, o autoconhecimento é a base da mudança. Se não nos conhecemos, não estamos conscientes dos nossos comportamentos, não temos bem definido o que queremos, logo não será possível mudar. Este processo para além da reflexão individual, poderá ser potenciado por um acompanhamento psicológico ou psicoterapêutico.

Qualquer que seja o objetivo que lhe faça sentido definir, este tem de estar assente em dois pilares: planeamento e consistência. E, de uma forma transversal, tem de ser realista. O que estou a querer dizer é que, muitas vezes, não basta pensar “esta semana começo a ir ao ginásio”. Sabia que ao planear e saber exatamente o que vai fazer, onde, como e quando, marcando na agenda como se de um compromisso profissional se tratasse, aumenta as probabilidades de realmente cumprir com o que definiu? Pois é, ao tornarmos esta resolução num objetivo concreto e bem definido estamos a aumentar o nosso compromisso. É também importante definir um plano alternativo, afinal a vida acontece e contratempos surgem.

Mas tenha atenção, defina objetivos realistas. Uma vez que está a tentar implementar um novo hábito, será pouco provável que o consiga realizar diariamente, durante longos períodos de tempo. Comece devagar, o importante nesta primeira fase é começar a criar consistência. Se sentir que está a cumprir com o objetivo que definiu, vai criar motivação ao perceber que é capaz e, assim, gradualmente vai aumentando a exigência, quer seja ao nível da frequência ou da duração. Lembre-se, começamos sempre por andar antes de correr.

Não defina demasiados objetivos, nem tente implementar várias mudanças ao mesmo tempo, isso pode gerar sentimentos de frustração. Defina prioridades, comece pelo que considera mais importante.

Para finalizar, é essencial reconhecer que a mudança é um processo e, como tal, é provável que se verifiquem retrocessos. Seja compreensivo consigo, afinal de contas, se for algo que realmente deseja, estará a dar o seu melhor. Também as ondas do mar avançam e recuam e nem por isso deixamos de as comtemplar.

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