Já experimentou vinho vegan? O sabor é o mesmo, o que muda é a produção

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

“Mas o que é isto de vinho vegan? Não são todos, supostamente?” Temos já uma resposta para si: não! Apesar de o vinho tradicional não ter nenhum ingrediente de origem animal na sua composição, é durante a sua produção que estes são utilizados.

Como o nome indica, o vinho vegan exclui tudo o que seja de origem animal, e está cada vez mais a ganhar espaço nos nossos supermercados.

Falamos de vinhos que, quer na sua composição, como na sua produção, “desde o crescimento da vinha, à colheita, maturação, desengace e esmagamento, prensagem, fermentação, trasfega, clarificação e estabilização, amadurecimento e engarrafamento” apenas utilizam ingredientes de origem vegetal, como a Associação Vegetariana Portuguesa (AVP) refere.

Da plantação da uva, à fermentação do sumo, todo o vinho é vegan, não sendo acrescentados quaisquer componentes de origem animal durante o chamado “mosto”.

No entanto, quando se chega à clarificação e/ou filtragem do líquido é que isso muda. Geralmente, são usadas proteínas de origem animal, de forma a retirar os restos sólidos que ficam do processo de fermentação.

Para isso, recorre-se a ingredientes como “a albumina, muito presente na clara do ovo, a caseína (proteína do leite) ou até gelatinas que podem ter origem em peixe (ou porco)”, como explicita a AVP.

É aqui que o vinho vegan difere e inova. Com o mesmo propósito, utiliza proteínas de ervilhas, uma novidade no mercado, visto que, antigamente, nenhuma proteína de origem vegetal conseguia substituir a animal.

Além disso, também são usados minerais neste processo, e o vinho vegan só requer das matérias-prima de origem vegetal, como a “pedra calcária, caulino e argilas, caseína de plantas, gel de sílica e placas vegetais”.

Tipos de vinho vegan

Não é só aos vinhos tradicionais que lhes são atribuídas “castas”. Os vinhos de origem vegetal também têm diferentes tipos, entre eles:

Vinho orgânico

Não utiliza agrotóxicos no seu cultivo, como pesticidas, herbicidas e fertilizantes sintéticos. Apesar disso, não estão completamente isentos destas substâncias, havendo uma quantidade regulada para a presença das mesmas na sua composição.

Tal garante mais sabor ao vinho, pela riqueza do solo que provoca uma maior quantidade de matérias orgânicas e minerais nas bagas. Além disso, também promove uma boa qualidade do vinho durante um maior período de tempo.

Vinho biodinâmico

Além de não usar produtos químicos para a conservação do solo, o vinho biodinâmico rege a sua produção segundo o equilíbrio do ecossistema local. Por exemplo, realiza a poda de acordo com as fases da lua e a posição dos astros, e usa apenas elementos naturais para enriquecer o solo, como casca de carvalho e urtiga

Vinho natural

Este tipo de vinho é o cúmulo dos acima apresentados, sendo que não há qualquer tipo de intervenção durante a sua produção. “A levedura utilizada é a da própria uva (geralmente, é adicionada pelo produtor), o vinho não é clarificado (logo, fica mais turvo) e só recebe enxofre (conservante natural) de vez em quando e em quantidades mínimas”, explicita o Agroportal.

Marcas Portuguesas de Vinho Vegan

Já se dizia “o que é nacional é bom”, e, neste caso, é mesmo. Já existem algumas marcas portuguesas a apostar no vinho vegan, e já estão disponíveis em muitos supermercados.

À exceção das marcas que iremos apresentar em seguida, há uma maneira simples de encontrar estes produtos no meio das centenas de vinhos tradicionais. Basta procurar pelos selos V-Label ou Vegan Flower. Em Portugal, é mais utilizado o primeiro.

Aqui, ficam alguns exemplos de marcas portuguesas certificadas pelo V-Label:

Pouca Roupa – João Portugal Ramos

Mainova Verdelho (E), Branco (C) e Tinto (D), Mainova

Vinhos Tinto e Branco Indelével

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