Jejum intermitente: prós e contras do regime de que toda a gente fala

Diana Rosa

Jornalista

O jejum intermitente é uma prática cada vez mais comum para quem quer perder peso. No entanto, é um método que ainda não reúne consenso entre os especialistas. Na verdade, muitos são aqueles que fazem vénias aos resultados obtidos com esta dieta, mas nem todos podem fazê-la.

O que é o jejum intermitente?

Esta prática não é propriamente uma novidade. Antigamente, costumava chamar-se ao jejum intermitente “período de desintoxicação”, “depuração” ou “limpeza do organismo”. Consiste em definir um período específico de ingestão de alimentos, e um período de jejum que pode ter diferentes métodos. Durante o tempo de jejum, o organismo vai recorrer às reservas de gordura e transformá-la em energia, promovendo o emagrecimento.

Vejamos os 4 métodos mais comuns que são adotados para esta prática:

– Jejum de 12h

Esta é a opção mais fácil para quem inicia a prática do jejum intermitente. Começamos já por clarificar que, se quiser, as horas de sono contam como jejum. Portanto é relativamente fácil adotar este método de 50/50. Como o próprio nome indica, consiste em ingerir alimentos durante 12h, e não o fazer durante as horas restantes. Ao longo do período de jejum, pode sempre beber água, café sem açúcar ou chá.

Jejum 16/8

É provavelmente o método de jejum intermitente mais utilizado. Consiste em permanecer em jejum durante 16h, e fazer as suas refeições nas restantes 8h do dia. Mais uma vez, se dormir 8h, tem metade do período de jejum conseguido. Exemplificando, se jantar por volta das 20h, poderá fazer a sua primeira refeição do dia seguinte pela hora do almoço.

Método 5:2

Consiste em fazer jejum 2 dias por semana, sendo que é recomendado que sejam alternados, e que se faça a ingestão de aproximadamente 600kcal/dia durante esse período.

Jejum 24h/semana

É uma prática comum noutros pontos do mundo e até em algumas religiões. Consiste em fazer jejum 1 dia por semana para desintoxicar o organismo. Durante o dia de jejum pode beber qualquer bebida sem teor calórico como água, chá de ervas e café sem açúcar. Este tipo de jejum pode provocar cansaço ou fraqueza no início, no entanto o organismo habitua-se a recorrer aos depósitos de gordura e açúcar acumulado para gerar energia.

Quais são os benefícios?

Promove a perda de peso

– Desintoxica o organismo

– Previne a flacidez e o envelhecimento

– Previne doenças cardiovasculares

– Aumenta o metabolismo

– Regula os níveis de colesterol e triglicéridos

O que acontece ao corpo depois do jejum

Quando nos alimentamos, o nosso organismo retém reservas dos açúcares que ingerimos, e transforma-os em gordura, ou seja, glicose. Podemos acumular cerca de 40.000 calorias de gordura nos músculos, que o corpo nunca chega a utilizar caso estejamos sempre a comer.

Nas primeiras horas do jejum, o nosso corpo está a recorrer à gordura consumida na refeição anterior para transformar em energia. Mas a magia dá-se quando se prolonga o jejum, em que o organismo vai à procura dessa gordura em excesso que temos armazenada, e é nesse momento que começa o processo de emagrecimento e desintoxicação.

O que comer no período livre de consumo?

Desengane-se quem pensa que depois de um longo jejum pode comer tudo o que estiver à mão. Convém que a janela horária de alimentação seja composta por refeições saudáveis e que não sejam repletas de açúcar e gorduras saturadas, ou estará a deitar por terra o esforço que fez durante as horas em que esteve sem comer.

Contraindicações

Não há bela sem senão, e por isso o jejum intermitente não é aconselhado a quem sofre de algumas patologias ou outras situações específicas.

– Mulheres grávidas ou que estejam a amamentar

– Diabéticos, doentes hepáticos ou renais

– Crianças, adolescentes e idosos

– Pessoas que sofram de enxaquecas ou ansiedade

– Pessoas com IMC > 18,5 e com défice de peso

– Pessoas com cardiopatias

O que dizem os especialistas

Apesar de o jejum intermitente ainda ser objeto de alguma discórdia entre alguns especialistas, esta prática ganha cada vez mais terreno na comunidade científica.

É o caso de Alexandra Vasconcelos, naturopata e autora do livro “O Poder do Jejum Intermitente”, que em entrevista ao Diário de Notícias incentiva os iniciantes deste modelo alimentar. “É inacreditável como a maioria das pessoas, depois de a primeira reação ser logo que não conseguem, ao fim de 3 ou 4 dias dizem que é mágico, não têm fome e é fácil. Isto põe-lhes a autoestima lá em cima, porque conseguiram ultrapassar uma fragilidade, sentem-se seguras e em controlo. Passado o impacto inicial, toda a gente consegue e todos se sentem bem.” indicando que não há contraindicações para quem queira fazer 12 ou 14 horas de jejum.

A naturopata relembra ainda que o jejum “faz parte do nosso ADN há milhares de anos. O nosso corpo está preparado para a privação de comida, não está é preparado para o excesso! Para o aporte contínuo de comida, que muitas vezes nem é comida. Isso é que provoca todas as doenças crónicas que temos hoje”.

Para além da perda de peso e da prevenção de doenças como o cancro, Alexandra Vasconcelos defenda ainda os benefícios que o jejum intermitente apresentam no reforço da imunidade.

“Hoje sabemos que podemos e devemos ajustar a alimentação à nossa genética. Se eu fizer isso, e se ao mesmo tempo fizer jejum de 12, 14 ou 16 horas, isso tem um efeito mágico! Por exemplo, uma pessoa que sofra de uma doença autoimune, se conseguir fazer um jejum de 24h por semana, faz um reset ao sistema imunitário, que produz uma reparação brutal, graças à autofagia e à regeneração das células”.

As celebridades que adotaram o jejum intermitente

São muitos os famosos que assumem publicamente que, depois de muitas dietas e períodos iô-iô, recorreram ao jejum intermitente e estão completamente rendidas.

É o caso de Cristina Ferreira, que já referiu várias vezes como perdeu 8 kilos, passando dos 68 para os 60. A diretora de programas da TVI há muito que é acompanhada pela nutricionista Iara Rodrigues e que tem como princípio uma alimentação saudável, mas não conseguia perder todo o peso desejado. No seu programa Cristina Comvida, a apresentadora referiu que “o corpo habitua-se à comida que lhe damos!”, revelando ainda quanto tempo demorou a chegar ao peso que considera ideal: “Em cinco meses, perdi 8 quilos sem ter noção nenhuma!”

Já por terras dos Estados Unidos, Jennifer Aniston, conhecida também pela sua excelente forma física, revelou numa entrevista à “Radio Times” ser fã do jejum intermitente.

A atriz comenta que adota o método 16/8, e diz ainda que notou uma grande diferença em não ingerir comida sólida durante as 16 horas. Tal como Cristina Ferreira, Aniston faz a sua última refeição do dia por volta das 18h e adianta que é muito fácil fazê-lo: “Basta atrasar o pequeno-almoço até às 10 da manhã!”

Consulte um nutricionista

Tal como nas dietas, também o método do jejum intermitente requer aconselhamento profissional. Sugerimos que antes de começar qualquer método de perda de peso ou de alterações nos hábitos alimentares, recorra a um especialista que o ajude a adotar a prática mais adequada ao seu organismo.

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