Mais de dois milhões de portugueses precisam de apoio psicológico. Covid-19 agravou números

Nuno Azinheira

Diretor do Escolher Viver

No Dia Mundial da Saúde Mental tiramos o retrato ao problema em Portugal. Em ano de pandemia, a situação agravou-se, alerta a Ordem dos Psicólogos. Mulheres e jovens foram os mais afetados.

Portugal tem 2,3 milhões de cidadãos que necessitam de apoio psicológico, revelou este domingo a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), no dia em que se assinala o Dia Mundial da Saúde Mental, acrescentando que um em cada cinco portugueses sofre de um problema de saúde psicológica.

Os números da OPP são alarmantes e revelam que Portugal é o segundo país europeu com maior prevalência de problemas de saúde psicológica e é o quinto país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com o consumo mais elevado de ansiolíticos e antidepressivos.

O peso das doenças mentais é de 22,5% no total das patologias, relativamente aos anos vividos com incapacidade, adianta a OPP, que adverte que, à semelhança do que aconteceu em crises socioeconómicas anteriores, espera-se que a crise atual tenha também como consequência um aumento das dificuldades e problemas de saúde psicológica e uma diminuição do bem-estar.

Mulheres mais penalizadas

A situação que já era preocupante em todo o mundo, tornou-se ainda mais com a pandemia de covid-19, que afetou desproporcionalmente a saúde mental das mulheres (83%), face aos homens (36%), de acordo com os resultados de um estudo divulgado recentemente e citado pela Lusa. Os dados obtidos a partir do “Índice de Saúde Mental Headway 2023” refletem também o impacto dos distúrbios de saúde mental nas crianças, revelando “uma possível associação entre doenças psicológicas e o abandono escolar”. Um em cada três adolescentes que desiste da escola também experiencia uma perturbação mental, de acordo com os autores do trabalho.

O inquérito indica que 20% da população em idade ativa “experiencia transtornos mentais de forma leve a moderada em algum momento da sua vida”.

Em documento divulgado com o estudo, frisa-se que o contexto da saúde mental na Europa “já era preocupante” muito antes da pandemia, com mais de 84 milhões de pessoas com problemas de saúde mental e 165.000 mortes anuais devido a doença mental ou suicídio.

“O suicídio é a sexta causa de morte na população, em geral, e a quarta causa de morte na população jovem. Em alguns países, o impacto dos transtornos mentais em jovens é maior do que o de todos os outros problemas de saúde juntos”, lê-se no documento divulgado.

Mulheres grávidas, no período pós-parto ou vítimas de traumas, como aborto espontâneo ou abuso de parceiros, foram consideradas as mais suscetíveis aos impactos psicológicos da pandemia.

O peso das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos também teve um impacto significativo no bem-estar mental das mulheres, com 44% das mulheres com filhos menores de 12 anos a relatar dificuldades nas responsabilidades domésticas, em comparação com apenas 20% dos homens.

* Com Agência Lusa

No Escolher Viver preocupamo-nos com a saúda física e mental de todos. Por isso, entre os nossos colaboradores e parceiros estão também psicólogos. Aproveite para ler ou reler este artigo da psicóloga clínica Lara Constante.

Outras histórias que vai querer ler

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.