Menopausa e diabetes. O que há a saber e como lidar com ela

Escolher Viver

Não há volta a dar e não há como evitar. Na vida da mulher, a menopausa acabará por chegar mais cedo ou mais tarde. A menopausa – período que se segue à idade fértil na mulher – surge em média por volta dos 50 anos, mas existem variações. Pode ser um processo de transição fisiológico (normal) ou surgir em consequência de uma intervenção cirúrgica e, aí, ser mais abrupta. Se é diabética, então saiba que há cuidados especiais que deve ter.

Os sintomas mais frequentes são os “afrontamentos”, os “calores/transpiração noturnos”, as alterações do humor e a diminuição da lubrificação vaginal – “sentir-se seca nas relações sexuais”. O aumento de peso associado ao aumento de deposição de tecido adiposo abdominal, leia-se “barriguinha” que não existia antes, e a alteração da qualidade do sono – “dormir mal, acordar cansada” – são outros dos sintomas frequentemente sentidos, mas subestimados. A menopausa pode ter ainda uma complicação acrescida: com ela vem um risco acrescido de desenvolver diabetes tipo 2.

Primeiro que tudo, expliquemos porquê. Depois do fim do período menstrual, sinal de que a idade fértil da mulher chegou ao fim, o organismo mudo e as mulheres passam a ter um metabolismo menos eficiente dos açúcares. A menopausa provoca uma redução de hormonas, que leva a uma diminuição da sensibilidade à insulina. Esta altura da vida da mulher provoca, igualmente, um aumento de massa gorda e acumulação de gordura abdominal, fatores que conduzem a um aumento do açúcar no sangue (glicemia). Esta é, aliás, a mesma razão que justifica que as mulheres diabéticas possam agravar a doença quando entram na menopausa, se não redobrarem os cuidados.

Aqui chegados, o primeiro passo é o diagnóstico. Na Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), pode fazer os exames suficientes e ter acesso à terapia adequada por médicos especialistas. Se não estiver em Lisboa, o seu médico de família vai ajudá-la e prescrever os exames necessários. Em caso positivo, não entre em stress. Mas também não desvalorize. Com a ajuda de um/a diabetologista ou endocrinologista, tenha atenção aos seus hábitos de vida. Mudar algumas rotinas, a par dos medicamentos que lhe possam ser receitados, pode vir a ser decisivo.

Aqui ficam alguns sinais de alerta a que deve estar atenta:

Descontrolo dos níveis de açúcar no sangue

O estrogénio e a progesterona afetam a resposta do corpo à insulina. Como já dissemos atrás, a menopausa reduz os níveis destas hormonas sofrem alterações. É por isso quase inevitável que os níveis de açúcar no sangue também mudam mais frequentemente. Tenha cuidado com o que come, porque é muito provável haver um descontrolo, momentâneo ou frequente dos níveis de açúcar no sangue.

Aumento de peso

A pré-menopausa e a menopausa são alturas em que é normal o aumento de peso. O seu médico vai pedir-lhe para controlar e disciplinar a sua alimentação. E verá ser introduzida ou ajudada medicação para a diabetes.

Predisposição para infeções

Qualquer diabético sabe que elevados níveis de açúcar no sangue aumentam o risco de ter infeções. No caso das mulheres, as infeções urinárias e vaginais são mais frequentes. Se isso já acontece antes da menopausa, essa predisposição agrava-se na menopausa. A já falada redução do estrogénio facilita a entrada de bactérias no trato urinário e na vagina.

Perturbações de sono

A menopausa transporta consigo os conhecidos afrontamentos. Essa indisposição e os “calores” podem impedi-la de dormir e mantê-la acordada durante grande parte da noite. Se antes dormia bem e de um sono só, essa realidade muda frequentemente nas mulheres em menopausa. Atenção que a privação do sono, não medicada nem reportada aos médicos, pode dificultar o controlo dos níveis de açúcar no sangue.

Problemas sexuais

Menos desejo, maior dificuldade em atingir o orgasmo, a secura vaginal e a dor nas relações sexuais é algo que já acontece, por vezes, na menopausa. Numa mulher diabética nesta fase da vida as probabilidades aumentam muito.

O que fazer então?

Os afrontamentos, a diminuição da lubrificação vaginal (às vezes já com dor nas relações sexuais), de humor e do ritmo de sono, podem ser facilmente tratadas com terapêutica hormonal. A forma de o fazer tem de ser definida em consulta, com base na história clínica e em alguns exames. Não existem “truques” ou terapêuticas que resultem com todas as mulheres. Mas hoje em dia já existem muitas opções de tratamento que resultam numa melhoria da qualidade de vida e na modificação destes sintomas.

Não se renda. Hoje em dia, com uma esperança de vida de mais de 80 anos, uma mulher em menopausa tem ainda muitos anos de vida pela frente. Aceitar a menopausa como uma etapa da vida. Mudar o que é preciso mudar. Marcar uma consulta para discutir de forma individualizada o que fazer. A APDP pode ajudá-la.

Este texto foi escrito ao abrigo da parceria editorial entre a APDP e o Escolher Viver

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