Metade dos europeus começou a comer mais alternativas à carne na pandemia

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

Um estudo conduzido pela Amcor provou que 50% dos europeus reduziram o consumo da carne desde o surgimento da Covid-19. Entre as razões estão a preocupação com a origem dos produtos, a diminuição do impacto ambiental e o aumento do sistema imunitário.

Através de um questionário efetuado a mil pessoas de cinco países europeus, Alemanha, França, Itália, Países Baixos e Reino Unido, comprovou-se que “cerca de 60% dos consumidores que preferem produtos de origem vegetal, estão a comer alternativas à carne todas as semanas”, sendo que 32% admitem fazê-lo mais do que uma vez por semana.

Este estudo organizado pela Amcor, cujo nome é “Packaging and meat-alternative lovers: How an eye for detail is shaping purchase behaviour in Europe”, vai ao encontro de um projeto realizado pela “Smart Protein”, que demonstrou que o setor de alimentos de origem vegetal cresceu 49% nos últimos dois anos, traduzindo-se num aumento de 3,6 mil milhões de euros. Mas estima-se que este crescimento não fique por aqui, sendo esperado que a Taxa de Crescimento Anual Composta cresça 28,67%, nos anos 2020-2027.

Dos países analisados, a Itália é quem tem a maior percentagem de consumidores que aderiram às alternativas à carne, com 43% dos inquiridos. No entanto, é o Reino Unido quem lidera o abandono total da carne, “indicando que 12% dos participantes tiveram esta mudança alimentar”.

Quanto às razões que levam os consumidores a optar por alternativas à carne, 25% dos europeus afirmam que o bem-estar animal é o que tem maior importância. Contudo, a dieta é outro fator que leva a adoção deste estilo de vida alimentar, principalmente em Itália, onde 42% dos consumidores afirmam ter sido motivados por esta razão, face aos 17% que se preocupam mais com os animais.

As embalagens e a sua influência na escolha do consumidor

Sendo a Amcor, autora do estudo, uma empresa de produção de embalagens para alimentos, bebidas, produtos farmacêuticos, entre outros, um dos seus grandes focos com este estudo era perceber o que atraía os consumidores às alternativas à carne.

Desde o começo da pandemia que os consumidores procuram uma maior transparência dos alimentos e que as suas embalagens sejam sustentáveis. Destes, “89% acreditam que a visibilidade do produto é o critério mais importante, quando se trata de embalagens de alternativas à carne”, e isto deve-se ao desconhecimento por detrás dos alimentos e das suas respetivas proteínas, preferido saber, de imediato, com é o produto antes de o comprarem.

Face a esta exigência por parte dos clientes, as próprias marcas viram-se obrigadas a mudar as suas embalagens. Enquanto que antes preferiam os tons verdes e castanhos, de forma a indicar de que se tratava de produtos de origem vegetal, “agora, estão a adotar visuais idênticos aos da carne, imitando suas as embalagens transparentes e incluindo os seus absorventes”.

No entanto, não é apenas no design das embalagens que as marcas sentem a necessidade de corresponder ao pedido dos clientes, mas também na sua sustentabilidade.

Muitos dos consumidores não estão interessados nos fatores ambientais apenas no que comem, mas também onde a sua comida é embalada, sendo que 72% dos europeus estão dispostos a pagar mais 5%, se isso significar que as embalagens são sustentáveis.

E essa sustentabilidade traduz-se essencialmente na reciclagem e na carência de plástico, onde 30% e 25% dos inquiridos colocam maior importância, respetivamente.

Além disso, a rotulagem das embalagens é essencial para os consumidores, sendo que 95% desejam ser capazes de perceber todos os detalhes acerca dos produtos que consomem, e 20% afirma querer mais informação, de forma a estar consciente da sua compra.

Este último desejo deve-se ao facto de “39% dos produtos que apoiam uma dieta à base de vegetais não especificam ser limpos, simples, sustentáveis ou livres de ingredientes artificiais, nos seus rótulos alimentares”. Segundo os autores do estudo, isto é “uma oportunidade desperdiçada”, pois as embalagens podiam educar o consumidor no que diz respeito aos produtos de origem vegetal, “ao apresentar informações mais detalhadas sobre o porquê dos produtos se adequarem ao estilo de vida e à saúde que os consumidores procuram”.

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