Cuidado! 10 mitos sobre a diabetes

Há muito preconceito e desconhecimento em relação à diabetes. Crenças, mitos e ideias erradas são a causa dessa ignorância sobre uma doença que, devidamente controlada, não é o bicho-papão de que muitos falam. Mas sim, não facilite. A diabetes não é uma coisa pequena que dá para ignorar. Não dá. Mas há formas claras de manter a doença debaixo de olho. O conhecimento é a principal. Leia aqui dez mitos que preparámos para si. E se quer saber mais, consulte a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal. No seu site encontra muita informação útil e credível.

1) Uma vez diabético, toda a vez diabético

Nem sempre isso corresponde à verdade. Sobretudo, no caso da Diabetes Tipo 2. Uma reeducação alimentar, uma perda de peso efetiva, a medicação adequada e exercício físico regular podem reduzir em permanência os níveis de açúcar no sangue e reverter a situação. Mas não pense já nisso. Encare isto como uma doença crónica e que será um parceiro para a vida. Faça o melhor que puder. E sempre que tropeçar, pense que “amanhã será melhor”. Não se recrimine. Mas também não se desresponsabilize.

2) A diabetes é um problema de gordos

Não, não é. É verdade que a obesidade e o sedentarismo são importantes condições favoráveis para que a diabetes se desenvolva, mas sendo uma doença hereditária, pode não estar relacionada com a obesidade. Há muitos magros diabéticos. Portanto, cuidado com essas certezas absolutas do tipo “eu não sou gordo, portanto posso tudo”. Não, não pode.

3) Os diabéticos só podem comer coisas para diabéticos

Já aqui temos falado muito desta matéria. Não é verdade. Os diabéticos podem comer tudo. Há umas que não devem (e têm de ter consciência disso), mas podem. Os regimes alimentares dos diabéticos não são tão restritivos como as pessoas pensam, ou como eram há alguns anos. Controlar a ingestão de hidratos de carbono, sobretudo os açúcares, é o mais importante. A alimentação de um diabético deve ser como a de uma pessoa saudável: o mais variada possível, com legumes e saladas em quantidade e menos gordura e sódio (sal). Atenção aos alimentos processados, que têm “aditivos” para manterem prazos de validade mais duradouros. Mas essa não é uma preocupação exclusiva dos diabéticos.

4) Os diabéticos não podem comer açúcar

Claro que podem. E devem. A glicose (açúcar no sangue) é essencial à vida. O nosso organismo utiliza o açúcar para produzir energia indispensável ao funcionamento normal dos vários órgãos e tecidos. É evidente que o açúcar em demasia provoca excesso de peso, concorrendo para a Diabetes, mas não se pode dizer que os diabéticos não podem comer açúcar. Tal como não se pode dizer que “os diabéticos não podem comer doces ou sobremesas”. Podem, desde que inseridos num plano alimentar controlado. Tal como acontece com qualquer pessoa saudável: se comer arroz doce, molotof, baba de camelo, pudim abade de priscos, ovos moles, bolo de bolacha, torta de chocolate, leite creme, tarte de amêndoa, tiramisu, mousse de chocolate, sericaia, farófias e pudim de caramelo em cada uma das 14 sobremesas de uma semana, é capaz de não ficar bem tratado.

5) Os sumos naturais, sem gás, não fazem mal. São naturais.

É um dos maiores mitos e uma das maiores armadilhas para diabéticos. Atenção aos sumos naturais acabados de espremer. Tomar ao pequeno almoço um sumo de laranja natural feito na hora é uma injeção de açúcar brutal. Em primeiro lugar, porque a fruta tem açúcar (frutose). Em segundo, porque um sumo contém quatro ou cinco laranjas. Em terceiro lugar, porque quando esprememos as laranjas estamos a deixar de parte o mais importante, a sua fibra, que ajuda a frutose a ser absorvida mais lentamente. Um sumo de laranja natural pode ter uma bela dose de vitaminas, mas pode corresponder a quatro ou cinco pacotes de açúcar de uma só vez. E se lhe juntar açúcar, porque o sumo está amargo, então… pior ainda.

6) Os diabéticos não podem comer fruta.

Ora essa? Não podem? Podem, podem Podem e devem, porque a fruta faz parte de um regime alimentar adequado e variado. Segundo os especialistas, um regime adequado deve conter duas a três peças de fruta por dia. Mas, porque a fruta tem frutose, açúcar de absorção rápida, deve ser sempre acompanhada da ingestão de fibra. Então é assim: sempre que possível, lave a peça de fruta e coma-a com casca (é na casca que se concentra a maior parte da fibra). Acompanhe a ingestão da peça de fruta com duas bolachas sem açúcar ou duas tostas ricas e fibra.

7) Os diabéticos não podem comer bolachas.

Podem. Não convém andar a comer Oreos a torto e a direito, mas os diabéticos devem ter consigo bolachas de baixo índice glicémico e de alto teor de fibra. Atenção às bolachas light, que para intensificar o sabor, têm mais gordura, ou seja, contribuem para aumentar o peso. Não é isso que queremos Mas há no mercado hoje uma gama variadíssima de bolachas que podem ser comidas por diabéticos: com baixo valor glicémico, sem açúcar adicionado, e com alto teor de fibra. Cuidado, porém, com a gordura, por vezes superior a outro tipo de bolachas.

8) Nunca mais vou poder comer pizza na vida!

Não? Então porquê? Fez alguma promessa? É claro que vai poder comer pizza na vida. E massas e arrozes. E fast food. Não vai poder comer isso todos os dias, nem todas as semanas. Mas uma vez por outra não tem mal. Compense no dia seguinte. Vigie os seus valores de açúcar do sangue, cumpra a lei das equivalências. Comi hidratos a mais ontem? Hoje tenho de compensar.

9) Não te chegues a mim, tenho diabetes

A diabetes não é contagiosa, ok? Os diabos não saltam de um corpo para o outro. As causas são genéticas e, no caso do Tipo 2, associadas ao estilo de vida (alimentação, obesidade, sedentarismo), mas não é uma doença contagiosa.

10) Vou passar a injetar-me todos os dias com insulina.

Disparate. A insulina ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue normais mas não é a única medida eficaz para que o diabético evite complicações a longo prazo, tal como não é o passaporte para a cura da doença. Os diabéticos tipo 2 podem não necessitar de administrar insulina para o tratamento da doença. Na maior dos casos, os antidiabéticos orais, uma reeducação alimentar e exercício físico adequado podem ser suficiente em grande parte da vida para manter a glicemia controlada. Com o avançar da idade, o corpo produz menos insulina e aí pode acontecer ser necessário administrar insulina.

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