Nada de confusões – episódio 2: cefaleias e enxaquecas

Diana Rosa

Jornalista

No nosso dia a dia, há palavras que utilizamos sem pensar. Todas têm um peso específico, mas, por vezes, usamo-las indiscriminadamente, como se fosse tudo a mesma coisa. Não é. As palavras e a medicina cruzam-se todos os dias e é bom dissipar as dúvidas. Hoje falamos-lhe de dores de cabeça. Mas atenção: Nada de confusões!

– Estou cá com uma enxaqueca!

– Então, dói-te a cabeça? Toma um comprimido que isso já passa

– Sim, não é costume…

Atenção, se assim for, não está com enxaqueca. Está com uma cefaleia. Na verdade, há quem utilize o termo enxaqueca para qualquer dor de cabeça, mas não é assim. Mas… sabe a diferença entre as duas? E se lhe explicarmos? Vamos a isso!

Cefaleia

Normalmente chamada como “dor de cabeça”, a cefaleia é um sintoma que pode ocorrer por vários motivos. Pode ser que esteja doente com uma infeção ou inflamação e a dor de cabeça vem por arrasto (como por exemplo nas gripes, constipações, etc), mas também pode ser consequência de stress, ansiedade, cansaço, por ter estado sem comer ou sem se hidratar durante muitas horas, entre outras coisas. Existem 150 tipos diferentes de cefaleia, mas abordamos aqui os mais comuns.

A cefaleia de tensão é representada por uma dor ligeira que normalmente afeta dos dois lados da cabeça, mas que não sofre com a movimentação do corpo e permite-lhe fazer um dia perfeitamente normal, apesar do incómodo. Regra geral, é uma dor suportável que acaba por desaparecer passado pouco tempo, e que se consegue controlar facilmente com paracetamol.

Já a cefaleia em salvas é menos frequente, mas mais intensa, manifestando-se de forma unilateral, em que geralmente atinge a têmpora ou a zona à volta do olho. Pode ainda vir com outros sintomas associados como congestão nasal, olhos avermelhados e lágrimas, ou mesmo a pálpebra inchada.

Enxaqueca

A enxaqueca é uma alteração do cérebro que, podendo ser hereditária, é uma situação crónica. Esta dor normalmente inicia-se de um dos lados da cabeça e vai aumentando com o tempo, podendo durar até 72 horas. Há outros sintomas podem anteceder a enxaqueca nas horas prévias (ou mesmo dias), como cansaço, alterações de humor, défice de atenção ou concentração, sede anormal ou desejo por alimentos doces. Já quando a enxaqueca ganha terreno, para além da dor latejante, que dá a sensação que o coração está a bater na cabeça, é comum que sinta também sensibilidade à luz e ao som, visão turva, náuseas, vómitos ou mesmo dormência na cara ou num dos membros. Quando vem acompanhada com a chamada “aura”, o quadro agrava-se mais ainda, pois pode sentir dificuldade em falar, ver fenómenos visuais como linhas, pontos ou luzes, perder a visão temporariamente, ou mesmo ouvir sons ou ruídos que na realidade não existem. Passadas as 72 horas, poderá sentir-se exausto durante um ou dois dias, como se estivesse de ressaca, em que precisa de um tempo de recuperação.

Estas crises podem ser desencadeadas por fatores hormonais, ingestão de alimentos em demasia como álcool ou café, queijos secos e alimentos processados, cheiros muito fortes como perfumes, detergentes ou tabaco ou alterações do sono.

Tratamento

Antes do tratamento, é importante a prevenção. No que diz respeito à enxaqueca principalmente. Se tem estes sintomas, convém visitar o seu médico assistente para que possa ser traçado um plano preventivo de forma que estas crises não se agudizem. Ainda assim, existem vários medicamentos que ajudam a combater estes sintomas (com prescrição médica), mas é importante que os alie a um estilo de vida saudável. Faça exercício físico com regularidade, dê primazia a legumes, frutas e verduras à sua mesa, e consulte o nosso artigo sobre os alimentos que provocam e aliviam as dores de cabeça.

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