Não deixe que as alergias da primavera tomem conta de si

Ana Sofia Veiga

Aluna de Jornalismo e Comunicação da ETIC

Muitas pessoas anseiam pela chegada da primavera. Ela traz-nos dias mais compridos, sol, flores, temperaturas amenas e (consequentemente) roupa mais leve e fresca. Contudo, é também sinónimo de alergias. Estas, causadas pelos pólenes e pós que andam no ar, fazem com que uma das estações mais bonitas do ano não possa ser bem aproveitada por quem sofre deste problema. Mas porque é que isto acontece?

As alergias ocorrem quando o organismo responde de forma exagerada ao ambiente que nos rodeia. São reações desproporcionais do sistema imunitário, consistindo em processos de defesa excessivos. Certas substâncias são reconhecidas como inimigas pelo organismo – que, na verdade, são consideradas banais no quotidiano. Como é o caso dos pólenes, cuja concentração na atmosfera é mais elevada durante a primavera. Como consequência, surgem muitas queixas, que se podem manifestar em qualquer idade, da infância à vida adulta.

No entanto, as alergias também se fazem sentir ao longo de todo o ano. Os pólenes e os pós circulam no ar o ano inteiro, só que em menor intensidade. Além disso, se não houver um tratamento correto, o sistema imunológico fica ainda mais sensível e, à mínima presença de substâncias que considere agressoras, exterioriza em qualquer altura do ano.

Os genes contam

Na origem das alergias, encontra-se uma base genética. Isto é, a hereditariedade pode ter alguma influência. Porém, o ambiente tem contribuído cada vez mais para o desenvolvimento de casos alérgicos. Nas cidades, a poluição atmosférica é maior, o que faz com que os pólenes se tornem mais agressivos, logo, mais prejudiciais para quem é alérgico.

A alergia aos pólenes – os principais responsáveis pelas alergias na primavera – pode manifestar-se de diversas formas. Asma, rinite, sinusite, conjuntivite, urticária e eczema são algumas delas. Portanto, os sintomas vão depender da doença alérgica em questão, mas grande parte deles são comuns a todas as alergias.

Podem ocorrer isoladamente ou em simultâneo, com maior ou menor intensidade:

  • Corrimento nasal, obstrução nasal e/ou prurido nasal;
  • Espirros;
  • Tosse;
  • Pieira;
  • Olhos vermelhos, lacrimejo e prurido ocular;
  • Sensação de falta de ar e/ou dificuldade em respirar;
  • Pele muito seca, descamativa, com muito prurido e lesões avermelhadas.

Estes sintomas também se podem evidenciar em contacto com ácaros (muito presentes no pó da casa e em cortinados e tapetes, por exemplo) e em mudanças de temperatura.

Em caso de alergias que possam perturbar de forma contínua e persistente as suas atividades diárias (como trabalhar ou estudar), aconselhamos que procure um médico especialista que poderá ajudar a controlar os sintomas alérgicos, através de medicação.

Todavia, os primeiros passos para a prevenção devem partir do doente. Em seguida, apresentamos alguns cuidados e comportamentos que deve praticar para reduzir as alergias.

No interior de casa:

  1. Mantenha a casa limpa e aspirada, para evitar a acumulação de pó, que intensifica os sintomas das alergias – se necessário, utilize uma máscara para limpar. Aliás, o pó doméstico é a fonte mais significativa de alergénios domésticos, de acordo com a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).
  2. Evite alcatifas, carpetes, tapetes, cortinados, peluches e decoração excessiva (que também acumulam pó).
  3. Mantenha a casa adequadamente arejada, mas sem excessos. Abra as janelas apenas ao final do dia (quando há menos concentração de pólenes). Porém, na Primavera, sobretudo nos dias mais quentes, secos e ventosos, evite abrir as janelas.
  4. Utilize colchões e almofadas anti-ácaros.
  5. Prefira lençóis de algodão ou fibras naturais.
  6. Lave a roupa da cama a 60º C para eliminar os ácaros por completo.
  7. Aspire a casa mais frequentemente (pelo menos duas vezes por semana), com um aspirador com filtro de alta eficiência – o HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance).
  8. Evite as mudanças bruscas de temperatura.
  9. Controle a humidade relativa em valor inferior a 50% – através do ar condicionado (no entanto, certifique-se que os filtros são trocados regularmente) ou de um desumidificador.
  10. Quando chega a casa, mude de roupa e limpe bem os pés, pois pode trazer consigo pólenes e pós.
  11. Tome banho à noite, uma vez que vai eliminar o pó e o pólen e, assim, não passa para os lençóis da cama.
  12. Se tiver animais em casa, evite a sua presença no quarto.
  13. Se é fumador, saiba que o fumo do tabaco acentua os sintomas das alergias.

No exterior:

  1. Na mesma linha, evite zonas com fumadores.
  2. Quando viajar de carro, mantenha os vidros fechados.
  3. Se viajar de mota, escolha um capacete integral.
  4. Use óculos para proteger os olhos em dias ventosos.
  5. Planeie viagens em certas alturas do ano e para destinos mais livres de pólenes.
  6. Consulte o Boletim Polínico da sua região para saber qual o nível de concentração dos pólenes.

Outras histórias que vai querer ler

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.