Não tenho boas notícias para vos dar. Mas não vou desistir

Nuno Azinheira

Diretor do Escolher Viver

Esta semana não emagreci. Nem um quilo para amostra. Aliás, a balança até me atirou à cara mais 900 gramas. Durante os dois minutos que se seguiram a este exercício dominical matinal, disse vários palavrões. Aqueles que me saíram na casa de banho vazia. Olhei-me ao espelho e falei comigo. Primeiro, foi um ralhete, dedo indicador espetado. “Ai, ai, ai, ai. O menino portou-se mal”. Depois, levantei a cabeça. Amanhã é um novo dia.

Se algum dia, nos meus textos por aqui, ou nas redes sociais – Instagram e Facebook – vos dei sinal de que isto era fácil, menti-vos. Menti-vos sem intenção de prejudicar ou iludir, mas menti. Perder peso não e fácil, é um caminho sinuoso, cheio de obstáculos e tentações. Só para os que não têm excesso de peso é que emagrecer é uma questão de “fechar a boca”.

O excesso de peso e a obesidade são uma doença e têm muitas causas. Claro, os disparates alimentares são uma dessas causas. E em muitas ocasiões, assumamos, são a principal. Mas podem não ser a única. O metabolismo, questões hereditárias, ansiedade, depressão, outras doenças, enfim, pode haver um conjunto de razões para que homens e mulheres acumulem quilos e gordura para além do que a saúde recomenda.

Esta semana não emagreci. Nem um quilo para amostra. Vinha a um bom ritmo, embora não radical e com altos e baixos, já com quase 20 quilos perdidos. Parece fácil, mas não é. Exige muito esforço, muita determinação, e uma férrea força de vontade, que eu, apesar de parecer, nem sempre tenho. E esta semana não tive. Não quero arranjar desculpas de mau pagador, mas foi uma semana dura. Muito incomodado com uma cervicalgia que, ao fim de 15 dias começa finalmente a ceder. Noites mal dormidas, dores muito fortes e incapacitantes em alguns momentos do dia, analgésicos e antiinflamatórios poderosos no bucho impediram-me de treinar convenientemente. Num dos dias de treino ainda fui ter com o meu PT e amigo Luís Gonçalo Martins, mas limitei-me a uns alongamentos. Nos outros dois dias da semana, preferi não ir, que as dores eram muitas. Nem ginásio nem caminhadas.

Apesar de eu andar mal, a vida continuou, porém, a andar bem. Foi uma semana cheia de reuniões, algumas muito proveitosas com projetos para o futuro próximo do Escolher Viver. Mas também reuniões com clientes da minha empresa, com aulas e com a Passadeira Vermelha. Talvez tenha sido a semana em que passei menos tempo em casa desde a pandemia.

Estão mesmo a ver onde isto nos vai levar, não estão? Menos tempo em casa, mais comida fora. Mais comida fora, menos controlo de qualidade, de gordura e de hidratos de carbono. Menos treino, menos calorias queimadas. Dor e mau-estar geral, por causa da cervicalgia, mais vontade de compensar com coisas boas e que fazem mal. Sim, houve de tudo no campo das tentações: salgados na pastelaria, fast food e guloseimas em casa.

Não há milagres. Quando esta manhã de domingo a balança me devolveu o peso que eu não queria ver, fiquei irritado. Irritado comigo. Disse palavrões, senti um desânimo que, tenho a certeza, muitos de vós conhecem. Olhei-me ao espelho, repreendi-me, envergonhei-me. E levantei a cabeça. Amanhã é mesmo outro dia. Este é o único procedimento possível: o mal está feito e o maior prejudicado com o mal feito sou eu.

Agora que a dor na cervical, ombros e braços começa a passar, é tempo de me voltar a focar, até porque a semana vai ser novamente uma loucura. Retomo o ginásio três vezes por semana logo amanhã e tentarei entrar na ordem. Tenho a certeza que não estou sozinho nesta caminhada. Vou dando notícias…

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