Nunca estamos sozinhos!

Nuno Azinheira

Diretor do Escolher Viver

A empatia é algo que me comove. A sério. Talvez seja da idade e da aparente maturidade, mas este tipo, que sempre foi um lamechas, está hoje mais insuportável do que nunca no que toca à arte de se emocionar. Gosto de coisas bonitas, de gestos bonitos, da ternura entre as pessoas, da entreajuda de todos aqueles que, sem saber como, fazem das suas fraquezas forças para ajudar os outros.

Não sei se é uma particularidade portuguesa, mas sei que somos muitos mais ágeis a criticar, a apontar o dedo e a dizer mal do que a elogiar. Não é de agora, nem creio que estejamos hoje pior do que sempre estivemos. Estamos, talvez, mais atentos porque as redes sociais nos dão palco e capacidade de análise da maldade alheia.

Se há coisa que não faço, porém, é diabolizar as redes sociais. Não são elas que são más, é a natureza humana. Facebook, Instagram e demais redes, quando bem utilizadas, e ao serviço de causas nobres, podem ser esse abraço coletivo de que tanto precisamos. As redes sociais estabelecem pontes, criam oportunidades, estreitam distâncias. E podem ser também um poderoso incentivo para as nossas vidas. E a prova de que nunca estamos sozinhos.

Quando pensei em criar o Escolher Viver, fi-lo porque sabia que, para o meu processo de transformação pessoal, ele seria importante. Trabalho desde os 15 anos, sempre em Comunicação. Tenho 47, portanto, os últimos 32 foram sempre a trabalhar na área. Em jornais, em rádio, em televisão, no digital, em empresas, comunicar, e ajudar os outros a comunicar melhor, é o que sempre fiz. É o que sei fazer.

Criar um site de conteúdos informativos e pedagógicos sobre saúde, alimentação e exercício físico pareceu-me, pois, o normal num momento em que estas três palavras assumem uma importância decisiva na minha vida. Era uma forma de me manter no caminho, focado, centrado nos objetivos. E, ao mesmo tempo, era a possibilidade de, com a minha experiência, poder ajudar os outros.

Esta semana publiquei no Instagram um post de partilha, de orgulho e de felicidade. Desde o início do ano já perdi 25 quilos e vinte e tal centímetros de perímetros abdominal. Muitas roupas que usava já não posso usar mais. As camisas estavam largas, com tecido a mais, como, muito bem, foram notando os espectadores da “Passadeira Vermelha” que me seguem no Instagram. Já me diziam isso há mais de dois meses, mas sem perceberem que, muitas vezes, o facto de aquele número de camisa já ser grande de mais para mim, não significa que o número abaixo já esteja bom. É um equilíbrio difícil. A minha zona mais crítica e resistente é a barriga, a zona abdominal. Se fosse pela minha largura de ombros, vestiria dois números abaixo: o pior é a barriga. Por isso é que nem sempre é líquido que camisas (já) grandes num gordo signifiquem (logo) a possibilidade de compra de números abaixo.

Mas a barriga começa finalmente a ceder e o depósito de gordura a dar de si. Esta nova fase da minha caminhada, de que vos falarei numa das próximas semanas, vai dar, espero, a estocada final em anos de frustrações. E, portanto, foi tempo de reciclar o guarda-fatos. As fotos que publiquei com as camisas que ainda ontem vestira tiveram mais de três mil “likes” e mais de 500 comentários. Todos incríveis, simpáticos, estimulantes, empáticos, quentinhos.

Os vossos comentários são muito mais importantes do que julgam. Não é só porque são um reconhecimento – e toda a gente gosta de ser elogiado, mas porque são um poderoso incentivo para um caminho que ainda nem chegou a meio. Portanto, para todos aqueles e aquelas, muito queridos, que me escreveram a dizer que “o esforço compensou” ou que “agora que atingiu o seu objetivo é só manter”, tenho algo para vos dizer: o tempo verbal a usar não é o passado, ainda é o presente. E sê-lo-á durante muito tempo.

Um obeso mórbido, como é o meu caso, tem 30, 40, 50 quilos para perder. Nunca será alguém magro. Quando muito, será um ex-obeso que terá sempre problemas de peso e que, mesmo se chegar aos 75 ou 80 quilos, tem de exercer uma vigilância de ferro sobre o que come e como come. Que fique claro: não tenho qualquer obsessão com o peso, nem sofro de qualquer tirania da imagem. É tudo uma questão de saúde. Muito obrigado por quem me diz que estou “elegante” e “muito bonito”. Ou mesmo, algumas senhoras mais afoitas e brincalhonas, que dizem que estou “um pão”. A todos e todas, muito obrigado. Mas eu nunca tive problemas de auto-estima. Sempre gostei do que o espelho me devolveu. Sempre me achei um gordo bonito. Agora quero mais: ser um gordo bonito e saudável. É esse o caminho que estou a fazer. E sei que não estou sozinho. Nunca estamos sozinhos.

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1 Comment

  • Obrigado por existir.

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