O exercício físico não tem idade. Os seniores também podem fazê-lo. Podem e devem

Vanessa Santos

Fisiologista do Exercício Clinico e Doutorada em Atividade Física e Saúde Investigadora na Faculdade de Motricidade Humana

“Ah, isso já não é para a minha idade. Quando era mais nova, sim, ninguém me parava”. Deixe de pensar assim. Mesmo que as suas forças já não sejam as mesmas de outrora, há seguramente coisas que pode fazer. Consulte o seu médico e veja com ele de que forma pode melhorar a sua qualidade de vida, aumentar as suas forças, combater problemas musculares e, sobretudo, “arejar” a cabeça.

O envelhecimento sempre foi uma preocupação de todos, tendo sido encarado das mais diversas formas. Alguns julgam existir uma diminuição geral das capacidades físicas e cognitivas, outros consideram ser uma fase de vulnerabilidade constante causando uma maior dependência familiar. Por outro lado, existe quem o veja como o período mais alto da sabedoria. Mas, qual será a verdade?

O termo idoso, segundo o American College of Sports Medicine (ACSM) 2017, aplica-se a qualquer indivíduo com idade igual ou superior a 65 anos. Em Portugal, são cada vez mais visíveis alterações nas diferentes faixas etárias da população, revelando um aumento do envelhecimento demográfico ocorrido nos últimos anos. Devido à redução dos níveis de natalidade e um aumento da longevidade, verificou-se o decréscimo da população jovem e da população em idade ativa (0-14 anos e dos 15 aos 64 anos, respetivamente) a par do aumento da população idosa (65 ou mais anos). E os níveis de sedentarismo são superiores na população mais idosa.

A vontade de partilhar momentos únicos com as pessoas que mais amam fica muitas vezes em suspenso por dores musculares ou falta de mobilidade e degradação da força muscular. E a inatividade é um forte aliado a esses acontecimentos. À medida que a idade avança, surgem alterações no padrão de marcha, falta de equilíbrio, fraqueza muscular e problemas de visão que podem levar a quedas e consequentes internamentos, podendo ser indicativas de um declínio na capacidade funcional do idoso, contribuindo para uma perda gradual da sua independência.

Quando pensamos nos nossos idosos, uma grande parte da nossa população acha que não podem fazer exercício físico, “é melhor se ficarem quietinhos”, não se colocando em risco. Outros pensam que apenas podem fazer caminhadas, atividades muito leves… Não senhor! O exercício físico não tem idade, deve ser realizado, sim, de forma segura e segundo as capacidades e limitações de cada um, sempre com o grande objetivo de melhorar e ultrapassar barreiras.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma prática regular de atividade física e de acordo com o ACSM, existem evidências científicas que suportam os benefícios do exercício físico na população sénior. O exercício realizado de forma regular promove o bem-estar físico e psicológico, ajuda a retardar o declínio físico da idade, promove a manutenção e aumento da massa muscular, ajuda a prevenir/reabilitar doenças crónicas, aumenta a longevidade e a qualidade de vida. Um estudo realizado por investigadores Irlandeses demonstrou uma redução de 22% da mortalidade por todas as causas quando realizam exercícios moderados a vigorosos, e também uma redução de 34% em quedas. O declínio cognitivo destes idosos reduziu cerca de 26 a 38%, e o risco de desenvolver Alzheimer diminuiu também cerca de 14 a 21%. Demonstrando assim os inúmeros benefícios que o exercício físico promove.

Para retardar ao máximo as limitações da idade, é fundamental realizar exercício físico de uma forma regular (idealmente 2x a 3x por semana) e para tal, anteriormente deve ser realizar uma consulta de exercício onde deverá ser feita uma avaliação física funcional de forma a identificar as capacidades e limitações presentes. O exercício deve ser prescrito de forma individualizada e segundo os resultados dessa avaliação física por forma a potencializar o treino para os objetivos definidos.

Seja feliz fazendo mais por si e pela sua saúde. Seja ativa(o)!

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