O que é o Ferro e qual a sua importância para a circulação, músculos e nervos?

João Rodrigues

Nutricionista inscrito na Ordem dos Nutricionistas com a cédula 3657N

O ferro é um micronutrimento que pertence à classe dos minerais. Encontra-se presente em diversos alimentos, pelo que adotando uma alimentação equilibrada e variada é possível, na maior parte dos casos, ingerir uma quantidade suficiente para atingir as necessidades diárias do mesmo.


O ferro desempenha várias funções muito importantes no nosso corpo. É um dos constituintes de uma proteína chamada hemoglobina, que tem como principal função transportar o oxigénio no sangue (é a proteína que dá a cor vermelha ao sangue). Portanto, o ferro é indispensável para o funcionamento do sistema circulatório. Além disso, é também muito importante para o funcionamento dos músculos, bem como para o desenvolvimento do sistema nervoso. Está ainda envolvido na produção de várias hormonas, e é fundamental para as células conseguirem obter energia a partir dos hidratos de carbono, gorduras e proteínas.

Em média existem 3-4g de ferro no nosso corpo. A maior parte encontra-se nos glóbulos vermelhos, sendo que também é encontrado em quantidades significativas no fígado, baço e medula óssea. Devido a isto, nem sempre é fácil ter uma noção rigorosa dos níveis de ferro de uma pessoa, pois há outras variáveis que podem afetar a distribuição de ferro pelos diferentes locais, nomeadamente problemas no funcionamento do sistema circulatório. A avaliação da quantidade de ferro que é ingerida na alimentação é, por isso, algo que deve ser valorizado, principalmente em casos de suspeita de carência desse mineral.


Neste contexto, é importante referir que a absorção intestinal de ferro é diminuída pelo cálcio. Ou seja, deve-se evitar consumir alimentos ricos em cálcio ao mesmo tempo que se consome alimentos ricos em ferro. Um caso evidente no qual esta situação ocorre é na utilização de iogurtes como sobremesa ao almoço e/ou ao jantar. Apesar do iogurte ser um alimento fantástico, com vários benefícios para quem o consome, na minha opinião não deve ser consumido nessa altura, mas sim nos intervalos entre as chamadas “refeições principais” (almoço e jantar), para não comprometer a absorção de ferro nas alturas do dia nas quais tradicionalmente se ingere uma maior quantidade desse mineral.


A ingestão de ferro depende de várias características, nomeadamente da idade e do sexo, conforme se pode verificar na tabela seguinte:

Para terminar, convém referir que o ferro pode interferir com a atuação de alguns medicamentos, bem como alguns medicamentos podem afetar os níveis de ferro, pelo que o consumo de suplementos que contêm este mineral deve ser sempre supervisionado por um profissional de saúde devidamente qualificado. Por exemplo, há dados que sugerem que o ferro pode diminuir a absorção do medicamento usado no tratamento da doença de Parkinson (levodopa), bem como do medicamento usado em casos de hipotiroidismo (levotiroxina). Por outro lado, o consumo de medicamentos como o omeprazol, esomeprazol ou lansoprazol (inibidores da bomba de protões) pode provocar uma diminuição na capacidade de se absorver o ferro proveniente da alimentação.

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