Obesidade, menopausa e tabaco entre fatores de risco da incontinência urinária

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

A incontinência urinária afeta negativamente o dia-a-dia de 600 mil portugueses, em especial as mulheres, e nem metade procura ajuda médica. Apesar de conhecida, ainda é necessário um longo caminho para aumentar a sensibilização dessa patologia e apoiar mais amplamente os doentes.

O Dia Mundial da Incontinência Urinária assinala-se nesta segunda feira, 14 de março, e tem o intuito de sensibilizar a população para esta patologia que afeta a vida profissional e pessoal de milhões de pessoas.

A incontinência caracteriza-se pela incapacidade em armazenar e controlar a saída da urina, seja como resultado de patologias já existentes ou por enfraquecimento dos músculos e nervos do pavimento pélvico. Pode ser definida como temporária, quando é consequência do uso de determinados fármacos ou maus hábitos alimentares, ou permanente, quando esta se desenvolve devido a problemas crónicos.

No global, as mulheres correspondem a 85% dos casos existentes. Isso deve-se às diferenças anatómicas, em relação aos homens, e às mudanças que ocorrem no organismo durante a gravidez, o parto e a menopausa.

Em Portugal, a Associação Portuguesa de Urologia (APU) estima que 600 mil pessoas vivem com algum tipo de incontinência. A patologia afeta cerca de 33% das mulheres e 16% dos homens do país.

É uma patologia muito pouco debatida e as pessoas que sofrem com a mesma muitas vezes enfrentam a doença sozinhas. Em Portugal, os números falam por si só: apenas 10% dos doentes procuram ajuda médica. Estas vivem com o medo constante de serem ridicularizadas pelas pessoas ao seu redor, que podem acabar por perceber as perdas involuntárias ou sentirem o cheiro de urina.

O Escolher Viver reuniu (quase) tudo o que precisa saber sobre a patologia, seja para procurar ajuda médica ou para apoiar aqueles próximos de si.

Tipos de incontinência

Para armazenarmos e eliminarmos a urina, o nosso organismo precisa trabalhar em conjunto. O cérebro, a uretra, a bexiga, os músculos e os nervos do pavimento pélvico precisam estar em sincronia para que ambos processos aconteçam.

Contudo, isso nem sempre acontece, e a “avaria” de um desses mecanismos resultam em diferentes tipos de incontinências urinárias:

            Incontinência por esforço

Ocorre quando a perda urinária é o resultado de algum esforço muscular, como durante a atividade física, em especial, no decorrer de exercícios que pressionam o abdómen. Pode também ocorrer após tossirmos, espirrarmos ou rirmos.

            Incontinência urinária de urgência

É caracterizada pela vontade urgente de urinar, que acaba por causar a perda involuntária. Pode ser associada a outros problemas físicos, como infeções urinárias, ou mentais, como a ansiedade.

Em certos casos, este ocorre simultaneamente com a incontinência por esforço. Quando isso acontece, a patologia leva o nome de incontinência urinária mista.

            Incontinência por extravasamento

A perda ocorre quando a bexiga não consegue se esvaziar por completo, deixando restos de urina armazenados. Na maioria dos casos, é o resultado de uma obstrução urinária, que ocorre, maioritariamente, quando há um aumento da próstata. As doenças neurológicas que possam a vir provocar a perda de força dos músculos da bexiga ou o seu estiramento, também podem ser uma causa.

            Incontinência funcional

É um resultado de outras patologias e pode ocorrer mesmo que a bexiga esteja a funcionar normalmente. Isso deve-se ao facto de esse tipo de incontinência ocorre em doentes incapacitados, seja fisicamente, como pacientes com a mobilidade reduzida, ou mentalmente, com pessoas que sofrem com algum tipo de demência, como o Alzheimer.

            Incontinência noturna

Define-se pela perda involuntária da urina durante o sono. Apesar de ser mais comum em crianças, também pode ocorrer em adultos.

Causas e fatores de riscos

Não há uma causa em específico, mas sim, uma variedade delas. As principais são as patologias como bexiga hiperativa, malformações do trato urogenital, doenças neurológicas e psiquiátricas.

A idade, a obesidade, a menopausa, medicações crónicas, o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e cafeínadas são os fatores de riscos mais comuns.

Nos homens, é mais comum surgirem após cirurgias à próstata. A prostatectomia radical, cirurgia caracterizada pela remoção da glândula prostática, é a mais comum para o desenvolvimento de incontinência urinária. Contudo, na maioria dos casos, dura apenas nos dias iniciais da recuperação da cirurgia.

Já nas mulheres, há mais diversidade nos fatores de riscos e causas. As mudanças hormonais que ocorrem durante a gravidez, a diminuição de estrogénios durante a menopausa e o parto são algumas das mais comuns. Mulheres com antecedentes de multípara, isto é, múltiplos partos, são mais propicias a desenvolverem a incontinência de esforço.

Tratamentos

Podem ser divididos em cirúrgicos ou não-cirúrgicos e a idade é um fator importante para determinar o agravamento da doença.

Na primeira abordagem, está presente as mudanças no estilo de vida, como a perda de peso e a redução do consumo de bebidas alcoólicas, e também exercícios para fortalecer os músculos do pavimento pélvico.

Já a segunda, consiste, primeiramente, numa análise para que seja definido o tipo de incontinência. No caso da incontinência de urgência, é aconselhado a implantação de um dispositivo responsável por estimular o nervo que controla o músculo detrusor (presente na parede da bexiga).

Já na incontinência de esforço, o procedimento mais comum é o nomeado de sling. Este é definido como uma fita suburetral, implantada debaixo da uretra, que tem o objetivo de dar suporte aos músculos do pavimento pélvico e auxiliar a uretra quando ocorrer pressão na bexiga, devido ao excesso de urina.

Como prevenir?

Assim como em todas as outras patologias, a mudança nos hábitos alimentares é fundamental. É aconselhado reduzir a ingestão excessiva de chocolate, adoçantes artificiais e de alimentos doces, picantes e ácidos. A desidratação também pode ser uma causadora da patologia e, por isso, é importante beber quantidades adequadas de líquidos, em especial, água.

Além disso, é importante estar atento aos medicamentos responsáveis por regular a pressão arterial, sedativos e relaxantes musculares, pois podem auxiliar no desenvolvimento de incontinência urinária temporária.

Os hábitos diários também devem ser levados em conta. É importante não segurar a urina, pois a retenção pode lesar os músculos da bexiga.  Procure utilizar a casa de banho sempre que tiver vontade.

Por fim, a atividade física também pode auxiliar na prevenção. Os conhecidos como “exercícios de Kegel” são essenciais para fortalecer o pavimento pélvico e evitar o seu enfraquecimento. Além disso, podem ser feitos facilmente em casa.

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