Olha a lata! São muitos os benefícios das conservas, mas cuidado com o sal e a gordura

Carolina Jesus

Produtora de conteúdos

Começaram por marcar presença nas trincheiras e agora o seu local de eleição são as despensas das famílias portuguesas. São assíduas na lista de compras, por serem versáteis e ainda mais baratas. Mas e dos benefícios para a saúde, ninguém fala?

Idealizadas pelo francês Nicolas Appert, a conservação dos alimentos em boiões de vidro foi desenvolvida em 1795, de forma a colaborar com as campanhas napoleónicas. Mais tarde, em 1810, o inglês Pierre adaptou o método de armazenamento, de forma a facilitar o transporte, até àquele que conhecemos hoje: as latas metálicas.

Em Portugal, as conservas só chegaram na metade do século XIX, trazidas por um empresário espanhol, Sebastián Ramirez, que, em 1853, criou uma empresa de conservação de peixe em Vila Real de Santo António.

Ao longo dos anos, foram sendo criadas outras empresas, sendo que, em 1884, já existiam 18 fábricas de conservas em Portugal, tendo chegado às 400, em 1925.

Mas o amor pelas conservas não ficou pelo século XX e continuam a ser um produto a ser muito usado pelas famílias portuguesas.

Em 2020, a procura de peixe em conserva aumentou cerca de 16%, em Portugal. Segundo José Maria Freitas, presidente da Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP), foram produzidas 72 mil toneladas, mais 11 mil, em relação ao ano anterior, o que se traduziu em 365 milhões de euros, mais 40 milhões do que em 2019.

O peixe em conserva mais consumido pelos portugueses continua a ser o atum, com 86%, seguido da sardinha, com 6%. “Do top 5 das conservas mais consumidas fazem parte ainda a cavala, bacalhau e lulas”, relata José Maria Freitas, citado pelo Dinheiro Vivo.

Não é por acaso que as conservas de peixe têm um sucesso tão grande. Além de serem em conta, há uma grande variedade de produtos, com diferentes tipos de peixe, conservados numa infinidade de molhos.

Mas o que falta falar das conversas é sobre o seu super poder, que é o facto de trazerem múltiplos benefícios para a nossa saúde.

Benefícios das conversas de peixe

Manutenção dos nutrientes

Um dos tópicos mais discutidos quando falamos de produtos conservados é em relação aos seus nutrientes. Atualmente, os alimentos são conservados ainda frescos, o que faz com que mantenham a maioria das suas vitaminas e minerais.

A esterilização e o tratamento térmico das conservas de peixe são processos muito rápidos, permitindo que o peixe mantenha 70% das suas vitaminas, entre as quais a A, do complexo B e a D.

Estas vitaminas também são protegidas pela lata de alumínio, que acaba por protegê-las da luz e por preservar a ómega 3.

Apesar de o processo de conserva manter todos os lípidos, hidratos de carbono e proteínas, as últimas são hidrolisadas, que se traduz num melhor funcionamento da digestão.

Riqueza em cálcio

O processo de cozedura do peixe faz com que grande parte do cálcio presente na espinha seja transportado para o músculo. Desta forma, e a acrescentar o facto de a espinha poder ser comestível na conserva, temos um produto rico em cálcio e que traz grandes benefícios para os nossos ossos.

Baixo valor energético, quando conservadas ao natural

Para quem quer perder peso, as conservas podem ser uma grande ajuda, pois têm poucas calorias e muitas proteínas.

No entanto, isso não acontece em todas as latas de peixe, estando dependente do líquido em que é conservado, podendo ser em: água, azeite, óleo vegetal, molho de tomate, entre outros.

São estes líquidos que fazem oscilar o número de calorias por porção. Por exemplo, um peixe conservado em água poderá ter apenas 100 calorias, por 100 g, enquanto que um preservado em óleo vegetal, poderá ir até às 215 calorias.

Desta forma, é necessário ter atenção aos rótulos das embalagens e optar pelas conservas com os líquidos mais naturais, como a água e o azeite.

Mas, apesar de trazerem benefícios para a saúde, o consumo de conservas não deve ser algo frequente. Como referimos anteriormente, a adição de molhos, para melhorar o sabor ou o processo de conservação, está diretamente relacionada com o aumento de sal, açúcar e gordura.

Desta forma, aconselha-se a que escorra o líquido da embalagem, antes de o consumir, apesar de não excluir completamente o sal que lhe foi acrescentado. Leia muito bem os rótulos e escolha opções com baixos teores de sal ou sem adição deste componente.

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