Oral e genital: Saiba como prevenir o incomodativo vírus do Herpes

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

Afeta grande parte da população mundial e pode (ou não) manifestar-se através de feridas e úlceras. Além disso, traz diversos incómodos e, em certos casos, complicações mais sérias da saúde. Descubra como se prevenir do vírus do herpes!

Responsável pelo desenvolvimento de infeções no corpo, a herpes é uma doença caracterizada por duas espécies do mesmo agente patogênico: o vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1) e o vírus herpes simplex tipo 2 (HSV-2).

Enquanto o primeiro se define, maioritariamente, pela transmissão oral e leva, consequentemente, a herpes oral, o segundo é sexualmente transmitido e é mais conhecido pelas infeções nos órgãos genitais. Contudo, ambos duram a vida toda e na maioria dos casos são assintomáticos.

Dentro da mesma família, nomeada herpesviridae, encontra-se também o vírus varicela zoster responsável pelo herpes zoster. Diferente dos citados anteriormente, este pode ser eliminado do organismo através de tratamentos e vacinação.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 67% (3,7 bilhões) da população mundial com menos de 50 anos vivem com a infeção por HSV-1. Já a HSV-2 é mais rara, apresentando 13% (491 milhões) da população com menos de 50 anos afetada. Além disso, é estimado que quase toda a população mundial tenha o vírus alojado no organismo, mas apenas entre 10% e 15% manifestam os sintomas.

É uma doença que, apesar de inicialmente não apresentar riscos mais graves, pode evoluir, afetar outros órgãos e auxiliar no surgimento de outras doenças, nomeadamente as sexualmente transmissíveis e infeções mais intensas como no colo do útero. Além disso, o HSV pode também afetar o cérebro, causando encefalite.

Sintomas

Vírus Herpes simplex tipo 1 (HSV-1)

É normalmente adquirida durante a infância, porém não exclusivamente. Apesar de estar maioritariamente relacionada com o surgimento de infeções orais, também pode gerar infeções nas genitais e nos olhos.

Os sintomas do herpes oral iniciam-se através de um formigamento ao redor dos lábios, causando comichões que acabam por evoluir em bolhas e posteriormente, em feridas e úlceras dentro ou ao redor da boca. Estas demoram entre 12 e 20 dias até desaparecem. Ao longo dos anos, podem aparecer regularmente ou não, variando de pessoa para pessoa.

Já os sintomas relacionados com o herpes genital causada por este vírus, incluem o surgimento de feridas e bolhas com líquido nas regiões íntimas. Neste caso, os sintomas não ocorrem com tanta frequência.

Em relação aos olhos, a área afetada é a córnea. Os sintomas incluem sensibilidade à luz, visão turva, ulceração e em casos mais graves, o dano permanente da córnea causando perda parcial da visão.

Vírus herpes simplex tipo 2 (HSV-2)

A maioria das pessoas infetadas por esse vírus é assintomática. Porém, quando os sintomas surgem, caracterizam-se pelo aparecimento de bolhas genitais ou anais que se desenvolvem em úlceras. Em certos casos, as feridas são acompanhadas por febre e dores no corpo.

Transmissão

Vírus Herpes simplex tipo 1 (HSV-1)

Ocorre através do contato direto com o vírus através da saliva, feridas ou objetos contaminados. O agente patogénico invade o corpo e aloja-se nos gânglios (corpos celulares de neurónios), sem causar nenhum dano inicial. Porém, em pessoas com baixa imunidade, nomeadamente com problemas de stress, défice de vitaminas e/ou constipação, o vírus acaba por se transportar para a epiderme (camada mais exterior da pele) gerando feridas.

Além disso, o contato oral-genital, pode ser responsável pela transmissão da herpes genital. É também possível que um indivíduo com herpes oral HSV-1 seja também infetado com HSV-1 na área genital.

Vírus Herpes simplex tipo 2 (HSV-2)

É transmitido, na maioria dos casos, através de relações sexuais com o contacto nas superfícies genitais, pele, feridas ou fluídos infetados. Mesmo sem a presença de sintomas e úlceras visíveis, é possível ocorrer o contágio.

Além disso, o HSV-2 pode influenciar no surgimento de outras doenças sexualmente transmissíveis e aumenta três vezes o risco de infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH).

Diagnóstico

Normalmente, as feridas causadas pelo HSV tornam o seu reconhecimento fácil. Porém, em outros casos, particularmente quando as lesões são mais graves, em mulheres grávidas e/ou pessoas com baixa imunidade, é necessária uma amostra da ulceração para um diagnóstico mais correto.

Caso haja a suspeita encefalite, um exame de ressonância magnética é requisitado.

Tratamento

Apesar de não haver cura, os medicamentos antivirais ajudam a reduzir a frequência e gravidade dos sintomas em ambos os casos. É importante manter a área afetada sempre bem higienizada. A aplicação de gelo também pode reduzir o inchaço e desconforto.

Há também diversas análises a serem feitas para descobrir uma forma mais eficaz de tratar esse vírus, sendo alguns focados na introdução de anticorpos neutralizantes no organismo, sendo esses essenciais para o seu tratamento.

Prevenção

Pessoas com herpes nos lábios devem evitar o contato oral com outras pessoas desde a fase inicial, isto é, quando surgir o formigueiro até a fase final com o desaparecimento das feridas.

Já em relação a herpes genital, apesar do uso de preservativos reduzir a transmissão do vírus, é importante estar atento pois o mesmo pode estar presente na pele, mesmo que não visível, e, consequentemente, auxiliar no contágio.

Em casos de infeção pelo HSV-2, durante um surto de feridas, o paciente deve abster-se de atividades sexuais. “É importante ter em atenção que o risco de contágio aumenta com o número de parceiros sexuais, sendo de evitar contactos íntimos durante um surto de herpes, seja qual for o vírus.”, frisa Jaime Nina, médico especialista em Infeciologia e Medicina Tropical e docente no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em declarações a revista Prevenir.

Mulheres grávidas infetadas pelo vírus devem ser acompanhadas pelo seu médico, visto que, pode ocorrer uma complicação nomeada herpes neonatal. Esta, apesar de rara, pode levar a problemas neurológicos graves a até mesmo a morte.

Além disso, o fortalecimento do sistema imunitário através de uma alimentação equilibrada e rica em proteínas, nutrientes e vitaminas pode ajudar a prevenir o contágio desse vírus.

Outras histórias que vai querer ler

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.