Parkinson: doença afeta 20 mil portugueses mas ainda há muito por saber

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

A perda de movimentos e das capacidades cognitivas são apenas alguns dos sintomas da doença de Parkinson, que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Anualmente, cerca de 2 mil novos casos surgem em Portugal. Descubra mais sobre a segunda doença neurodegenerativa mais comum do mundo.

A Doença de Parkinson (DP) é caracterizada pela perda progressiva dos movimentos. É resultado da degeneração das células presentes na substância negra do mesencéfalo, responsáveis por produzir a dopamina, um neurotransmissor que serve para controlar o sistema motor e cuja ação influencia as nossas emoções, o prazer, a aprendizagem, entre diversas outras funções.

É a segunda doença neurodegenerativa mais comum no mundo, ficando atrás apenas do Alzheimer. A nível global, atinge mais de 6 milhões de pessoas e a nível nacional, é estimado que afete cerca de 20 mil portugueses.

O envelhecimento aumenta a probabilidade de desenvolver a doença, sendo esta mais comum em pessoas com mais de 60 anos. Contudo, apesar de raro e apresentar apenas 10% dos casos, pode também afetar pessoas com menos de 50 anos, sendo assim conhecida como Parkinson juvenil.

Apesar de o histórico familiar também ser um fator de risco, a DP não é hereditária. De acordo com a Parkison’s Foundation, apenas entre 10% e 15% dos doentes apresentam outros casos na família.

O Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson é vivido esta segunda-feira, 11 de abril, com o intuito de informar cada vez mais pessoas sobre a doença e sobre a importância de iniciar o tratamento o mais rápido possível.

Em Portugal, a Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDPK) irá sediar uma sessão online, às 14h30, com neurologistas portugueses para esclarecer dúvidas sobre a enfermidade.

Sintomas

É estimado que, na maioria dos casos, os sintomas só comecem a surgir quando ocorre a perda de cerca de 60% dos neurónios da substância negra do mesencéfalo. Além disso, podem ser divididos em sintomas motores e não-motores.

Em 75% dos casos, o tremor involuntário, geralmente em repouso, é o primeiro sintoma a surgir. Este pode atingir diversas partes do corpo como as mãos, os braços, as pernas ou o queixo. Em casos mais avançados, pode ocorrer diariamente por longos períodos de tempo, podendo acontecer em repouso ou quando o doente está a fazer tarefas.

A bradicinesia, isto é, a dificuldade e a lentidão ao realizar movimentos voluntários, também é um sintoma motor comum da DP, sendo um dos principais quando o assunto é diagnosticar a doença.

Já quando falamos em sintomas não-motores, a perda parcial de olfato, a ansiedade, a depressão, as alterações de humor, as perturbações do sono e a fadiga destacam-se. Algumas podem surgir anos antes do início dos sintomas motores.

Em casos mais avançados, ocorre também a perda de capacidades cognitivas e a dificuldade em manter o equilíbrio.

Diagnóstico

A falta de marcadores biológicos na DP faz com que não existam exames para a diagnosticar. Devido a isso, o diagnóstico é realizado essencialmente pelo histórico clínico do paciente, avaliado por um médico neurologista.

Em alguns casos, o médico pode pedir ao paciente para que realize alguns testes, como andar de um lado para o outro, para analisar como a mente e o corpo do paciente se comportam durante as tarefas.

Por outro lado, a realização de outros exames, como neurológicos e análises ao sangue, pode ser requerida para que o médico descarte a possibilidade de outras doenças.

Tratamento

Não há uma cura para a Doença de Parkinson. Contudo, há diversos fármacos que podem auxiliar na redução dos sintomas e possibilitar uma vida próxima ao normal para os doentes.

Entre os medicamentos mais utilizados estão os dopaminérgicos, isto é, relacionados com a dopamina. Já referimos anteriormente que esta substância é danificada como resultado da degeneração das células situadas na substância negra do cérebro e, por causa disso, estes fármacos são responsáveis por simular a ação da dopamina e, consequentemente, auxiliar na redução dos tremores.

Por outro lado, os conhecidos como inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) são responsáveis por prolongar o efeito ativo da dopamina.

Já os fármacos conhecidos como levodopa são responsáveis por aumentar os níveis de dopamina no cérebro e, consequentemente, aliviar os sintomas da DP.

A cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês) pode ser aconselhada em casos mais severos. Esta é definida pela implantação de um dispositivo responsável por gerar impulsos elétricos. Os pacientes que utilizam levodopa e que apresentem uma melhoria nos sintomas, podem ser candidatos à realização de DBS.

A prática de exercício físico também é fundamental, pois promove a mobilidade e a oxigenação do cérebro, responsável por auxiliar na renovação de neurónios.

Além disso, a alimentação, em especial uma dieta rica em antioxidantes, e a estimulação do cérebro através de atividades como a leitura e estudos, também desempenham um importante papel.

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