Porque é que os rins são tão importantes? 800 mil portugueses sofrem com eles!

Izabelli Pincelli

Produtora de Conteúdos

Filtrar o sangue e impulsionar o equilíbrio dos nutrientes e da água no nosso organismo são apenas algumas das funções do rim. Mas, para isso, é importante saber cuidar desse órgão essencial à nossa sobrevivência, e apesar de o Dia Mundial do Rim já ter passado, todos os dias são o dia certo para mudar o estilo de vida.

Cerca de um em cada dez adultos sofre de doença renal. A taxa de mortalidade é cada vez mais alta, sendo esta ainda mais elevada quando o problema não é tratado. É estimado que, até 2040, a doença renal crónica possa vir a ser a quinta principal causa de morte no mundo.

Em Portugal, cerca de 800 mil pessoas sofrem de insuficiência renal crónica, sendo a diabetes e a hipertensão as principais causas. Segundo a Sociedade Portuguesa de Nefrologia, atualmente, mais de 20 mil doentes estão em tratamento substitutivo da função renal no país, e, cerca de 2 mil estão à espera de um transplante renal.

Qual a função dos rins?

Os rins estão entre os mais importantes órgãos do nosso corpo. Estão localizados em ambos os lados da coluna vertebral, na parte de trás do abdómen.

São responsáveis por filtrar os resíduos metabólicos e substâncias nocivas no sangue, mantendo o equilíbrio de sais minerais e água. Também auxiliam na regulação da pressão arterial e na transformação da vitamina D, facilitando a absorção de cálcio pelo nosso organismo.

Apesar de a maioria das pessoas terem dois rins, é comum encontrarmos pessoas com apenas um, seja por motivos naturais, desde o nascimento, ou médicos, como os transplantes ou a retirada de um devido a doenças ou tumores. O corpo humano adapta-se rapidamente com apenas um desses órgãos, porém, quando isso ocorre, os cuidados relacionados com a alimentação e controlo da pressão arterial devem ser redobrados.

As doenças mais comuns

Antes de explorarmos esse ponto, é importante estar atento aos sinais de alerta que podem agravar a saúde dos rins:

  • Alterações na urina (volume, odor, cor e quantidade); é importante procurar ajuda médica urgentemente caso esta apresente sangue e pouca quantidade;
  • Alterações nas análises sanguíneas, em especial na creatinina, ureia e sais minerais;
  • Fatores de riscos, como a hipertensão, a diabetes e o histórico familiar;
  • Dificuldade respiratória, devido à acumulação de líquidos no pulmão;
  • Inchaço nas mãos, pés e olhos;
  • Fadiga e calafrios;
  • Dores nas costas.

Os diagnósticos podem ser feitos através de análises ao sangue e urina, exames de imagem para observar a estrutura o tamanho dos rins e, em casos mais graves, através de uma biopsia renal. 

Já o tratamento, varia de acordo com a fase da doença.  Em casos iniciais, é importante controlar a pressão arterial, os níveis de colesterol e repor nutrientes, como o cálcio, fósforo e vitamina D, através de uma alimentação equilibrada e, se necessário e prescrito, complementos. Já numa fase mais avançada, a diálise e o transplante renal podem ser requeridos.

Cálculos renais

É popularmente conhecida como “pedras no rim” e leva esse nome pois é responsável pela formação de cálculos (pedras) no aparelho urinário. Resultam da aglomeração de cristais, sendo os mais comuns compostos de oxalato de cálcio e de ácido úrico e podem causar a perda de sangue através da urina.

Na maioria dos casos (80%), as pessoas que desenvolvem cálculos renais expelem a pedra espontaneamente através da urina. Já as outras 20%, necessitam de tratamentos com medicamentos e aumento no consumo de água.

Pielonefrite

É o nome dado à infeção urinária mais comum, localizada nos rins. Ocorre quando há a presença de bactérias no organismo (em especial, a cistite) que acabam por se instalar nos rins. Essas podem entrar pelo meio exterior, através da uretra, ou desenvolverem-se no próprio sangue.

São removidas totalmente através da urina, na maioria nos casos. Contudo, a infeção pode agravar-se, sendo necessário o internamento hospitalar para a realização de exames e tratamentos.

Cancro no rim

É mais frequente no sexo masculino, entre os 50 e 70 anos. As células tumorais dão origem no tubo do nefrónio, uma estrutura fundamental do rim responsável por eliminar os resíduos metabólicos.

Há diversos tipos, porém o mais comum é o carcinoma de células renais, que representa entre 80-85% dos tumores primários. Os fatores de riscos mais comuns são a obesidade, o tabagismo e a hipertensão arterial.

Insuficiência renal

Esta pode englobar diversas doenças relacionadas com a incapacidade de filtragem de resíduos pelos rins. Pode ser caracterizada por aguda, quando a função dos rins é reduzida rapidamente, ou por crónica, quando esta acontece gradualmente. Enquanto a primeira tem cura, a segunda requer diálise ou transplante para que o paciente possa viver com uma melhor qualidade.

Pode ser uma evolução dos cálculos ou outras doenças renais, sendo considerada altamente grave pois os sintomas só aparecem numa fase muito avançada. Na maioria dos casos, o primeiro e mais comum é a anemia. Em Portugal, surgem mais de dois mil novos casos de pacientes em falência renal por ano.

Como impulsionar a saúde dos rins e prevenir doenças?

Para prevenir a insuficiência renal, é importante adotar hábitos diários e equilibrá-los com uma alimentação adequada. A limitação do consumo de bebidas alcoólicas e a suspensão do tabagismo são dois dos principais hábitos que um doente renal deve adotar.

Quando falamos sobre uma melhor alimentação, a recomendação que está no topo da lista é a diminuição do consumo de sal. O sódio facilita o depósito de sais no organismo, em especial, nos vasos sanguíneos.

Os rins são responsáveis por filtrar o sangue e, consequentemente, se houver uma elevada concentração de sal, precisam de filtrar mais sangue do que o normal. O problema é que nem sempre conseguem retirar todo o sal do sangue, o que acaba por manter a hipertensão e comprometer a saúde dos rins.

A diabetes está entre as principais causas de doenças renais e, devido a isso, os alimentos ricos em açúcar também devem ser evitados.

As frutas cítricas, como a laranja e o limão, previnem a formação de cristais nos rins, sendo adequadas, em especial, a pacientes que possuem histórico familiar relacionado ao desenvolvimento de cálculos renais.

Já as proteínas, devem ser consumidas, porém em quantidades equilibradas. O seu excesso pode sobrecarregar a filtragem feita pelos rins, auxiliando a deterioração das suas funções e afetando a saúde.

O consumo de água também é essencial. O nosso corpo perde água diariamente através da urina, das fezes, da pele e dos pulmões e é necessário sabermos repor essa quantidade.

Contudo, a insuficiência renal requer um consumo mais controlado de água e, por isso, é importante entrar em contacto com um profissional de saúde para este o informar sobre a quantidade necessária para o seu corpo.

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